Colômbia. Uma dezena de mortos em duas noites de caos contra brutalidade policial
Protestos contra a morte de um homem de 46 anos, na quarta-feira, numa ação violenta da polícia colombiana, lançaram o caos em várias áreas da capital da Colômbia, Bogotá, e da cidade vizinha de Soacha. Pelo menos 13 pessoas morreram nas manifestações, a maioria atingidas a tiro pelas autoridades.
De acordo com um balanço oficial, mais de 200 civis e 194 polícias ficaram feridos nos confrontos que marcaram os protestos, e 50 esquadras e postos de polícia foram destruídos.
La @PoliciaColombia pide perdón por cualquier violación a la Ley o desconocimiento de los reglamentos en que haya incurrido cualquiera de los miembros de la Institución. pic.twitter.com/isBULI8qfd
— Carlos Holmes Trujillo (@CarlosHolmesTru) September 11, 2020
"Por favor, mais não"
Anoche dos hombres de @PoliciaBogota asesinaron a Javier Ordóñez, un abogado de 43 años. Lo sometieron a varias descargas con una pistola eléctrica, estaba indefenso y les rogaba que se detuvieran, sin embargo, continuaron la agresión. La Policía asesinando en vez de proteger. pic.twitter.com/F8AWO0Abcm
— Johana Fuentes M.🌈 (@JohaFuentes) September 9, 2020
Logo após os protestos dessa noite, a presidente da Câmara de Bogotá exigiu uma investigação e a reconstrução dos incidentes e prometeu que qualquer crime que tivesse sido cometido não seria esquecido nem deixado sem castigo.
As promessas não foram ouvidas e as manifestações voltaram à rua na noite seguinte. A família de Ordoñez tem-se mantido afastada dos protestos.
A war has been declared against Colombia's youth.
— Camila (@camilateleSUR) September 11, 2020
Duque's death squads are executing people on Bogotá streets. At least 7 were killed during protests on Weds. Lethal force on citizens continues now with police shooting indiscriminately. #MasacreEnBogotá pic.twitter.com/AwrVt3QIfC
Cláudia Lopez contradisse Duque. "Estes não são crimes isolados. Estamos perante um problema estrutural da Polícia", acusou a presidente da Câmara de Bogotá.Os protestos lembram não só o assassínio de Ordoñez mas pelo menos outros dois ocorridos em 2020, o de Nicolas Neira, de 15 anos, morto ao ser atingido na cabeça por uma granada de gás lacrimogéneo, e o de Andres Becerra, de 17, abatido a tiro nas costas pela polícia, alegadamente sem qualquer justificação.
A oposição a Duque diz que as forças da ordem declararam guerra à juventude colombiana e têm disparado indiscriminadamente sobre a população.
Em 2019, a morte de outro adolescente atingido fatalmente por um projétil disparado pela policia anti-motim levou a críticas generalizadas.
O responsável pela polícia, Carlos Camargo, afirmou na rede Twitter que a sua instituição "está solidária com as famílias das vítimas e avisa os cidadãos que a violência não é resposta, e apela a que a reprovação seja canalizada através de protestos pacíficos".
Reforma da polícia
Um grupo de advogados, colegas de Ordoñez, apresentou uma petição no Supremo Tribunal de Justiça. Pedem que a sua morte não fique impune e que seja julgada num tribunal criminal civil e não militar. Alegam que o sistema judicial militar terá tendência a absolver os agentes, como já sucedeu no passado.
O complexo sistema de conflitos internos e de violência impune, devido a um fraco sistema judicial e a guerras entre narcotraficantes, inclui uma lista extensa de abusos policiais e militares, além de milhares de execuções extrajudiciais realizadas por membros das forças de segurança.
Nuevamente la @PoliciaBogota dispara indiscriminadamente en la localidad de Fontibón. https://t.co/3fZXeZmsKm
— Temblores ONG 🐘 (@TembloresOng) September 11, 2020
De acordo com o grupo defensor dos Direitos Humanos, Temblores, registaram-se entre 2017 e 2019 mais de 40.400 casos de abuso físico por parte da polícia colombiana e mais de 600 assassínios de civis por parte de agentes das forças da ordem.
Uma sondagem Gallup, de 2019, revela que a reputação da polícia na Colêmbia entrou em queda livre nos últimos anos.