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Conselho de Segurança da ONU reúne-se para discutir Irão
A reunião terá lugar a pedido dos Estados Unidos, acrescentou o porta-voz da presidência do Conselho, atualmente nas mãos da Somália.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta quinta-feira para "uma reunião informativa sobre a situação no Irão", anunciou um porta-voz.
O Irão negou esta quinta-feira que Erfan Soltani, detido no sábado durante "tumultos", tenha sido condenado à morte e possa ser executado, como temiam Washington e organizações de defesa dos direitos humanos.
"Se for considerado culpado, será condenado a prisão, pois a lei não prevê a pena de morte para estas acusações", acrescentou a Mizan.A internet manteve-se cortada em todo o país na quarta-feira, pelo sétimo dia consecutivo, dificultando o acesso à informação. As comunicações telefónicas permaneceram limitadas.
Esta quinta-feira, a comunicação social estatal iraniana afirmou que, embora Essam Soltani estivesse a ser acusado de "conspirar contra a segurança interna do país e de atividades de propaganda contra o regime", a pena de morte não se aplica a tais acusações se forem confirmadas por um tribunal.
Segundo a organização não-governamental norueguesa Hengaw, a execução de Erfan Soltani, um iraniano de 26 anos detido durante os protestos, marcada para quarta-feira, foi adiada, mas a sua vida ainda está em perigo.
Em entrevista Foz News, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que “não há planos” do Irão para executar pessoas em retaliação pelos protestos antigovernamentais. “O enforcamento está fora de questão”, acrescentou.
Questionado sobre o que diria a Trump, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou: “A minha mensagem é: entre a guerra e a diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos tido qualquer experiência positiva com os Estados Unidos. Mas, ainda assim, a diplomacia é muito melhor do que a guerra”.
Segundo a organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, já mataram pelo menos 3.428 pessoas e levaram à detenção de mais de 10 mil.
No entanto, o ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, tinha afirmado na quarta-feira que, "qualquer indivíduo presente nas ruas desde 8 de Janeiro é, sem dúvida, considerado um criminoso”.“Marcha de resistência nacional”
Após o auge dos protestos no final da semana passada, as autoridades tentaram retomar o controlo das ruas organizando uma "marcha de resistência nacional" e os funerais de mais de 100 membros das forças de segurança e outros "mártires" mortos.
Faixas com as palavras "Morte à América" e fotos do líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei, surgiram da multidão, segundo um jornalista da AFP, bem como uma foto que mostra Donald Trump, com o rosto ensanguentado, durante uma tentativa de assassinato em 2024, com a legenda: "Desta vez ele não vai errar".O Irão e os seus adversários ocidentais descreveram os distúrbios como os mais violentos desde a Revolução Islâmica de 1979, que instaurou o sistema de governo clerical xiita no Irão.
De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, "a calma reina agora" no país e as autoridades têm "controlo total" da situação.
O clero reprimiu duramente um dos maiores desafios ao seu poder desde a Revolução Islâmica de 1979. Mais de 2.500 pessoas foram mortas nos distúrbios que se intensificaram a partir dos protestos contra a subida dos preços.
O número de mortos superou largamente o de outros protestos reprimidos pelas autoridades iranianas, como os protestos "Mulher, Vida, Liberdade" de 2022 e os distúrbios desencadeados por uma disputa eleitoral em 2009.
As autoridades iranianas afirmaram que as manifestações, que eram protestos legítimos contra queixas económicas, se transformaram em distúrbios fomentados por inimigos estrangeiros, acusando pessoas que descreveram como terroristas de atacarem as forças de segurança e a propriedade públicaTrump acredita que não há planos para execuções em massa
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse ter sido informado de que as mortes na repressão dos protestos no Irão estavam a diminuir e que acreditava não haver planos atuais para execuções em massa, adotando uma postura de cautela após ameaças anteriores de intervenção.
Trump disse ter recebido garantias de “fontes muito importantes do outro
lado” de que Teerão tinha cessado o uso de força letal contra os
manifestantes e que as execuções não iriam ocorrer.
“Disseram que os assassinatos cessaram e que as execuções não vão acontecer – havia previsão de muitas execuções hoje, mas não vão ocorrer – e vamos verificar”, disse Trump.
Os comentários de Trump surgiram após o aumento dos receios no Médio Oriente de que Washington pudesse lançar ataques, na sequência das suas repetidas ameaças de intervir em apoio dos manifestantes iranianos. Trump, contudo, não descartou uma possível ação militar dos EUA.
Questionado sobre se uma ação militar dos EUA estava descartada, Trump respondeu: “Vamos observar e ver qual será o processo”.
O presidente dos EUA ameaçou repetidamente com intervenção militar para pôr fim à repressão do movimento de protesto, um dos maiores desde a proclamação da República Islâmica em 1979.
Numa entrevista exclusiva à Reuters, o presidente norte-americano elogiou Reza Pahlavi, opositor do regime iraniano. No entanto, expressou incerteza sobre se Pahlavi conseguiria apoio dentro do Irão para eventualmente assumir o poder.
"Ele parece muito simpático, mas não sei como se sairia no seu próprio país", disse Trump. "E nós realmente ainda não chegámos a esse ponto e não sei se o país dele aceitaria a sua liderança, e certamente, se aceitasse, para mim seria ótimo”.Pahlavi, de 65 anos, que reside nos EUA, vive fora do Irão desde antes da queda do pai na Revolução Islâmica de 1979 e tornou-se uma voz proeminente nos protestos.
A oposição iraniana está fragmentada entre grupos rivais e facões ideológicas — incluindo os monárquicos que apoiam Pahlavi — e parece ter pouca presença organizada dentro da República Islâmica.
Na entrevista à Reuters no Sala Oval, Trump afirmou ainda que existe a possibilidade de o governo clerical do Irão entrar em colapso devido aos protestos. “Qualquer regime pode falhar”.
c/ agências