COP28 discute o futuro climático do planeta

por Inês Moreira Santos - RTP
A cimeira mundial do clima começa no Dubai Reuters

No ano que ficou na história como o mais quente de sempre, os Emirados Árabes Unidos são palco, a partir desta quinta-feira, da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (conhecida pela sigla COP28). Até dia 12 de dezembro, representantes de quase todos os países vão reunir-se no Dubai, com o objetivo de fazer um primeiro balanço global de oito anos de ação climática.

A COP28 começa com algum ceticismo por parte dos especialistas e ativistas climáticos, considerando que o país anfitrião é um dos principais produtores de petróleo e que, segundo uma recente investigação, não tem respeito a própria política para limitar a queima de petróleo e gás. Os Emirados Árabes Unidos comprometeram-se, contudo, a organizar uma cimeira que impulsione transformações globais que visem a redução das emissões poluentes e o desacelerar das alterações climáticas.

Para presidente da COP28 foi nomeado o ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Ahmed Al Jaber, que é também presidente da petrolífera estatal Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), o que levantou muitas dúvidas sobre possíveis conflitos de interesses. Al Jaber está também à frentes da Masdar, a empresa estatal de energias renováveis e um dos maiores promotores de energia solar do mundo.

Um dos principais destaques da COP28 será a realização da primeira reunião para balanço do que tem sido feito para combater o aquecimento global, em resultado do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, aprovado em 2015 na COP21. Este será um primeiro teste aos países envolvidos, à luz do acordo que impôs como objetivos a redução das emissões e a limitação do aumento das temperaturas mundiais a dois graus celsius e, se possível, 1,5ºC acima dos valores médios da era pré-industrial.

Das cimeiras anteriores, realizadas anualmente, regressa a discussão sobre mitigação e adaptação às alterações climáticas, esperando-se avanços nestas áreas, além da formalização do mecanismo de "perdas e danos", aprovado na cimeira do ano passado no Egito mas ainda não operacional.

Na COP28, são esperados líderes de quase todos os países do mundo, incluindo o primeiro-ministro português, António Costa, que chega já esta quinta-feira ao Dubai e participa na cimeira na sexta-feira e no sábado, sendo que nos restantes dias o Governo estará representado pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática e secretários de Estado de diferentes setores.
O que se espera da COP28?
Na conferência deste ano estarão presentes 197 países, com milhares de representantes de governos, empresas e organizações da sociedade civil. E espera-se que todas as decisões das próximas duas semanas sejam tomadas unanimemente.

A agenda dos próximos dias é extensa e tem um grande foco na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na adaptação a fenómenos meteorológicos extremos. Estará ainda em destaque um cenário de perdas e danos de difícil negociação, uma nova meta global para aumentar as energias renováveis e alguns impactos na vida humana, como na saúde.

Depois das previstas cerimónias de abertura, marcadas para esta quinta-feira, os representantes internacionais irão fazer um primeiro balanço sobre as ações dos últimos anos. As notícias não parecem animadoras, de acordo com os últimos relatórios divulgados: mesmo que sejam cumpridos os atuais compromissos, só se conseguirá uma redução de dois por cento das emissões até 2030 e a comunidade científica tem alertado que era necessário reduzi-las em 43 por cento até esse ano. Após a COP28, os países envolvidos têm até 2025 para apresentar novos planos nacionais de luta contra as alterações climáticas.

Espera-se também que o acordo final da COP28 inclua um compromisso com o abandono global dos combustíveis fósseis, sendo mesmo essa a proposta defendida pela União Europeia. Todavia, a redação final pode ter alguma margem e incluir uma nova meta global para aumentar três vezes mais as energias renováveis esta década.

Entre os temas que estarão em debate em cada um dos dias de programação, há algumas novidades como a ligação entre clima e saúde, a conservação da natureza e questões sobre os sistemas alimentares.

Recorde-se que a última conferência do clima realizou-se em Sharm el-Sheik, no Egito, com resultados pouco ambiciosos. E este ano as expectativas voltam a ser baixas, considerando o ceticismo e as questões que envolvem o país anfitrião.
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