Mundo
Copiloto do Airbus da Germanwings tinha histórico de depressão
Os membros da comunidade onde Andreas Lubitz vivia e aprendeu a pilotar, a cidade alemã de Montabaur, dizem que o copiloto era uma pessoa feliz e realizada. No entanto, o diário alemão Bild avança que Lubitz sofrera de uma grave depressão há seis anos e tinha acompanhamento médico regular. Os especialistas consideram que o controlo de saúde mental dos pilotos é fraco.
Na quinta-feira, os procuradores que investigaram o desastre do Airbus A320 nos Alpes franceses concluíram que a queda do avião da Germanwings foi intencionalmente provocada por Andreas Lubitz.
Esta conclusão motivou o aparecimento de inúmeras questões. Desde logo sobre o que poderá ter provocado tal reação. Os habitantes de Montabaur, onde vivia o copiloto, dizem que ele era feliz.
O diretor do clube de aviação Klaus Radke recusa-se a acreditar que Lubitz tenha desviado deliberadamente o avião para provocar a queda.
"Ele era feliz por ter conseguido o trabalho na Germanwings e estava a correr tudo bem", afirmou Peter Ruecker, membro do clube de aviação local onde Andreas aprendera a voar. "Ele estava muito feliz. Ele parecia estar óptimo", acrescentou, citado pela agência France Presse.
Um vizinho do copiloto, Johannes Rossmann, também partilhou a mesma ideia. Descreveu Lubitz como uma pessoa calma e modesta.
"Eu não acredito que ele se tenha suicidado e posto em risco a vida de outras pessoas". Afirmou ainda que o que se sabe não é suficiente: "Eu não consigo acreditar na conclusão até estar confirmada a 100 por cento".
Lufthansa garante que estava apto
Segundo o diretor executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, Lubitz "parecia muito entusiasmado" com a carreira. "Não consigo lembrar-me de nada em que alguma coisa não estivesse bem", disse.

Foto: Reuters
Spohr adiantou que Lubitz fez treinos de voo em Bremen, na Alemanha, e em Phoenix, nos Estados Unidos, com "alguns meses" de intervalo, há cerca de seis anos.
Não referiu a razão que motivou a interrupção dos treinos, mas disse que, depois, foram feitos testes médicos e "não só passou em todos como nas provas de aptidão para pilotar".
Spohr garantiu que o copiloto estava "100 por cento apto para pilotar sem quaisquer limitações".
Depressão
Surgiu agora a informação, avançada pelo diário alemão Bild, de que Lubitz passou há seis anos "por um grave período de depressão".
Uma porta-voz da Lufthansa disse já esta sexta-feira que a companhia aérea alemã não faria mais comentários sobre a saúde de Lubitz.
Pode ser esta a razão para a interrupção de "alguns meses" no treino de aviação referido pelo diretor executivo da Lufthansa.
O Bild cita documentos oficiais da companhia aérea de Lubitz que comprovam também que o copiloto tinha acompanhamento médico regular. De acordo com a publicação, passou um ano e meio a fazer tratamento psiquiátrico.
O britânico The Daily Mail escreve, por sua vez, que Lubitz estaria a ser tratado depois de ter terminado a relação com a namorada, adiantando mesmo que a polícia detetou uma pista significativa numa das casas do copiloto. O mesmo jornal, que cita um porta-voz da polícia alemã, indica somente não se tratar de um nota de suicídio.
Controlo insuficiente
Apesar da regulamentação internacional exigir que se faça controlo regular à saúde mental e física dos pilotos comerciais, os próprios pilotos, a par de outros especialistas, defendem que na prática se realizam poucas vezes e sem grande eficácia.
A Organização Internacional da Aviação Civil, um organismo da ONU que estabelece as normas globais da aviação, requer que os pilotos passem por testes médicos que incluem avaliação ao estado de saúde mental.
Contudo, vários pilotos argumentam que os médicos nem sempre procuram despistar problemas mentais.
"Na realidade não há uma avaliação do estado de saúde mental", afirmou John Gadzinski, capitão de uma companhia aérea norte-americana e ex-piloto militar, citado pela Associated Press.
Gadzinski diz que em 29 anos de provas médicas nunca lhe perguntaram pela saúde mental.
Na Europa, há um standard único para as provas médicas dos pilotos e são feitas por médicos com especialização em saúde de aviação.
"Analisam os olhos, os ouvidos, o coração, todas as coisas que podem piorar à medida que envelhecemos. Mas não fazem nada com a cabeça, não", sublinhou por sua vez Bob Kudwa, ex-piloto da American Airlines.
John Goglia, ex-membro da Junta Nacional de Segurança de Transportes e consultor de segurança em aviação nos Estados Unidos, diz que há casos em que a avaliação é muito informal.
Quanto às respostas, é fácil iludir, "porque quem faz as questões não é um profissional de saúde mental". Goglia comenta que são perguntas como "vai tudo bem em casa? Discute com a sua mulher? Zanga-se com os filhos ou com o cão?".
Ainda segundo John Goglia, "não é grande coisa. Normalmente são pilotos a falar com pilotos".
Esta conclusão motivou o aparecimento de inúmeras questões. Desde logo sobre o que poderá ter provocado tal reação. Os habitantes de Montabaur, onde vivia o copiloto, dizem que ele era feliz.
O diretor do clube de aviação Klaus Radke recusa-se a acreditar que Lubitz tenha desviado deliberadamente o avião para provocar a queda.
"Ele era feliz por ter conseguido o trabalho na Germanwings e estava a correr tudo bem", afirmou Peter Ruecker, membro do clube de aviação local onde Andreas aprendera a voar. "Ele estava muito feliz. Ele parecia estar óptimo", acrescentou, citado pela agência France Presse.
Um vizinho do copiloto, Johannes Rossmann, também partilhou a mesma ideia. Descreveu Lubitz como uma pessoa calma e modesta.
"Eu não acredito que ele se tenha suicidado e posto em risco a vida de outras pessoas". Afirmou ainda que o que se sabe não é suficiente: "Eu não consigo acreditar na conclusão até estar confirmada a 100 por cento".
Lufthansa garante que estava apto
Segundo o diretor executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, Lubitz "parecia muito entusiasmado" com a carreira. "Não consigo lembrar-me de nada em que alguma coisa não estivesse bem", disse.
Foto: Reuters
Spohr adiantou que Lubitz fez treinos de voo em Bremen, na Alemanha, e em Phoenix, nos Estados Unidos, com "alguns meses" de intervalo, há cerca de seis anos.
Não referiu a razão que motivou a interrupção dos treinos, mas disse que, depois, foram feitos testes médicos e "não só passou em todos como nas provas de aptidão para pilotar".
Spohr garantiu que o copiloto estava "100 por cento apto para pilotar sem quaisquer limitações".
Depressão
Surgiu agora a informação, avançada pelo diário alemão Bild, de que Lubitz passou há seis anos "por um grave período de depressão".
Uma porta-voz da Lufthansa disse já esta sexta-feira que a companhia aérea alemã não faria mais comentários sobre a saúde de Lubitz.
Pode ser esta a razão para a interrupção de "alguns meses" no treino de aviação referido pelo diretor executivo da Lufthansa.
O Bild cita documentos oficiais da companhia aérea de Lubitz que comprovam também que o copiloto tinha acompanhamento médico regular. De acordo com a publicação, passou um ano e meio a fazer tratamento psiquiátrico.
O britânico The Daily Mail escreve, por sua vez, que Lubitz estaria a ser tratado depois de ter terminado a relação com a namorada, adiantando mesmo que a polícia detetou uma pista significativa numa das casas do copiloto. O mesmo jornal, que cita um porta-voz da polícia alemã, indica somente não se tratar de um nota de suicídio.
Controlo insuficiente
Apesar da regulamentação internacional exigir que se faça controlo regular à saúde mental e física dos pilotos comerciais, os próprios pilotos, a par de outros especialistas, defendem que na prática se realizam poucas vezes e sem grande eficácia.
A Organização Internacional da Aviação Civil, um organismo da ONU que estabelece as normas globais da aviação, requer que os pilotos passem por testes médicos que incluem avaliação ao estado de saúde mental.
Contudo, vários pilotos argumentam que os médicos nem sempre procuram despistar problemas mentais.
"Na realidade não há uma avaliação do estado de saúde mental", afirmou John Gadzinski, capitão de uma companhia aérea norte-americana e ex-piloto militar, citado pela Associated Press.
Gadzinski diz que em 29 anos de provas médicas nunca lhe perguntaram pela saúde mental.
Na Europa, há um standard único para as provas médicas dos pilotos e são feitas por médicos com especialização em saúde de aviação.
"Analisam os olhos, os ouvidos, o coração, todas as coisas que podem piorar à medida que envelhecemos. Mas não fazem nada com a cabeça, não", sublinhou por sua vez Bob Kudwa, ex-piloto da American Airlines.
John Goglia, ex-membro da Junta Nacional de Segurança de Transportes e consultor de segurança em aviação nos Estados Unidos, diz que há casos em que a avaliação é muito informal.
Quanto às respostas, é fácil iludir, "porque quem faz as questões não é um profissional de saúde mental". Goglia comenta que são perguntas como "vai tudo bem em casa? Discute com a sua mulher? Zanga-se com os filhos ou com o cão?".
Ainda segundo John Goglia, "não é grande coisa. Normalmente são pilotos a falar com pilotos".