Mundo
Coreia do Norte rasga pactos de não-agressão com o Sul
O regime norte-coreano respondeu esta sexta-feira à aprovação de mais uma bateria de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas com a revogação de todos os pactos de não-agressão estabelecidos com a Coreia do Sul. Depois de ter acenado, na véspera, com a ameaça de uma ação militar contra os Estados Unidos, Pyongyang adverte agora que a Península Coreana está à beira de “uma guerra nuclear”. Seul não ficou aquém. Em reação análoga, o Ministério sul-coreano da Defesa estimou que os vizinhos setentrionais estão em risco de “extinção”.
Simbolicamente, o mais recente exercício de retórica belicista da Coreia do Norte parte do denominado Comité para a Reunificação Pacífica da Coreia. Poucas horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter adotado por unanimidade a Resolução 2094, que impõe a Pyongyang um quarto pacote de sanções diplomáticas e financeiras, a agência oficial KCNA difundia um comunicado daquela estrutura norte-coreana a dar como revogados “todos os acordos de não-agressão entre o Norte e o Sul”.
O mais significativo dos pactos a rasgar pelo regime de matriz estalinista foi estabelecido em 1991 e vincula os dois países da Península Coreana, cindidos há mais de 60 anos, ao compromisso de evitarem por todos os meios quaisquer confrontos militares ditos “acidentais”.
A Resolução aprovada na quinta-feira reforça um conjunto já alargado de sanções que começou a ganhar forma em 2006, na sequência do primeiro ensaio nuclear do regime norte-coreano - seguir-se-iam outros dois, em 2009 e no passado dia 12 de fevereiro.
Outro dos mecanismos de pacificação que a Coreia do Norte declara revogados é a “linha vermelha” de comunicação telefónica com as autoridades de Seul, um sistema implementado em 1971 que tem sido utilizado para gerir o trânsito de pessoas e bens na Zona Desmilitarizada. O “telefone vermelho”, adiantou a KCNA, “já não pode levar a cabo a sua missão, dada a grave situação prevalecente”.
Nos últimos dias, à medida que se ia desenhando a aprovação unânime de novas sanções em Nova Iorque, o regime desdobrou-se em ameaças. Que também não foram alheias aos exercícios militares que estão nesta altura a ser conduzidos por forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Foram três as advertências mais ásperas: a denúncia do armistício que culminou a guerra coreana em 1953, o cenário de uma “guerra termonuclear” e a ameaça direta de “ataque nuclear preventivo” contra alvos norte-americanos.
Ainda segundo a KCNA, o líder norte-coreano terá visitado dispositivos militares da linha da frente que há três anos estiveram envolvidos no bombardeamento de uma ilha sul-coreana. A agência oficial avança que Kim Jong-un disse aos soldados que teriam de estar preparados para, a qualquer momento, “aniquilar o inimigo”.
“Extinção”
Desta feita, o Governo sul-coreano parece querer igualar a toada do Norte. Conhecida a última declaração de Pyongyang, Kim Min-seok, um porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul citado na edição online da BBC, foi ao ponto de avisar que qualquer ataque nuclear desencadeado a partir do país vizinho acarretará uma consequência extrema para o regime: a “extinção” por “vontade da humanidade”.
O mesmo porta-voz quis ainda asseverar que qualquer gesto de agressão do Norte levaria a que os exercícios militares sul-coreanos e norte-americanos entrassem “imediatamente” em “modo de punição”.“Não penso que o regime de Pyongyang queira cometer suicídio, mas esse, como seguramente eles devem saber, seria o resultado de qualquer ataque aos Estados Unidos”, devolveu o legislador norte-americano Robert Menendez, que preside ao Comité de Relações Externas do Senado, igualmente citado pela BBC.
Em Washington, o tom é mais comedido. Ainda assim, a Administração Obama não deixa de sublinhar que “leva a sério o que qualquer governo diz”. “É por essa razão que aqui repito que somos totalmente capazes de defender os Estados Unidos. Mas diria também que este tipo de retórica extrema não tem sido incomum neste regime, infelizmente”, reagiu a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland.
Do Governo chinês, o derradeiro aliado internacional da Coreia do Norte, saiu um comunicado a fazer a apologia da Resolução 2094 enquanto “resposta moderada”. A diplomacia de Pequim, que só aprovou o texto do Conselho de Segurança ao cabo de difíceis negociações com a representação dos Estados Unidos na ONU, exortou entretanto as “partes relevantes” a manterem a calma. Na gestão desta escalada, sustentou um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, a prioridade é “fazer baixar a temperatura”.
O mais significativo dos pactos a rasgar pelo regime de matriz estalinista foi estabelecido em 1991 e vincula os dois países da Península Coreana, cindidos há mais de 60 anos, ao compromisso de evitarem por todos os meios quaisquer confrontos militares ditos “acidentais”.
A Resolução aprovada na quinta-feira reforça um conjunto já alargado de sanções que começou a ganhar forma em 2006, na sequência do primeiro ensaio nuclear do regime norte-coreano - seguir-se-iam outros dois, em 2009 e no passado dia 12 de fevereiro.
Outro dos mecanismos de pacificação que a Coreia do Norte declara revogados é a “linha vermelha” de comunicação telefónica com as autoridades de Seul, um sistema implementado em 1971 que tem sido utilizado para gerir o trânsito de pessoas e bens na Zona Desmilitarizada. O “telefone vermelho”, adiantou a KCNA, “já não pode levar a cabo a sua missão, dada a grave situação prevalecente”.
Nos últimos dias, à medida que se ia desenhando a aprovação unânime de novas sanções em Nova Iorque, o regime desdobrou-se em ameaças. Que também não foram alheias aos exercícios militares que estão nesta altura a ser conduzidos por forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Foram três as advertências mais ásperas: a denúncia do armistício que culminou a guerra coreana em 1953, o cenário de uma “guerra termonuclear” e a ameaça direta de “ataque nuclear preventivo” contra alvos norte-americanos.
Ainda segundo a KCNA, o líder norte-coreano terá visitado dispositivos militares da linha da frente que há três anos estiveram envolvidos no bombardeamento de uma ilha sul-coreana. A agência oficial avança que Kim Jong-un disse aos soldados que teriam de estar preparados para, a qualquer momento, “aniquilar o inimigo”.
“Extinção”
Desta feita, o Governo sul-coreano parece querer igualar a toada do Norte. Conhecida a última declaração de Pyongyang, Kim Min-seok, um porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul citado na edição online da BBC, foi ao ponto de avisar que qualquer ataque nuclear desencadeado a partir do país vizinho acarretará uma consequência extrema para o regime: a “extinção” por “vontade da humanidade”.
O mesmo porta-voz quis ainda asseverar que qualquer gesto de agressão do Norte levaria a que os exercícios militares sul-coreanos e norte-americanos entrassem “imediatamente” em “modo de punição”.“Não penso que o regime de Pyongyang queira cometer suicídio, mas esse, como seguramente eles devem saber, seria o resultado de qualquer ataque aos Estados Unidos”, devolveu o legislador norte-americano Robert Menendez, que preside ao Comité de Relações Externas do Senado, igualmente citado pela BBC.
Em Washington, o tom é mais comedido. Ainda assim, a Administração Obama não deixa de sublinhar que “leva a sério o que qualquer governo diz”. “É por essa razão que aqui repito que somos totalmente capazes de defender os Estados Unidos. Mas diria também que este tipo de retórica extrema não tem sido incomum neste regime, infelizmente”, reagiu a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland.
Do Governo chinês, o derradeiro aliado internacional da Coreia do Norte, saiu um comunicado a fazer a apologia da Resolução 2094 enquanto “resposta moderada”. A diplomacia de Pequim, que só aprovou o texto do Conselho de Segurança ao cabo de difíceis negociações com a representação dos Estados Unidos na ONU, exortou entretanto as “partes relevantes” a manterem a calma. Na gestão desta escalada, sustentou um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, a prioridade é “fazer baixar a temperatura”.