Covid-19. Cientistas procuram respostas para nova variante altamente mutante

Duas novas estirpes do coronavírus estão a preocupar a comunidade científica. Depois da EG.5, foram detetados seis casos desde finais de julho de uma outra nova variante altamente mutante, batizada como BA.2.86.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Reuters

Depois de uma temporada de taxas de infeção baixas, nos últimos meses, as infeções e hospitalizações por covid-19 têm aumentado nos EUA, na Europa e na Ásia devido à propagação de uma nova variante: a EG.5, também conhecida por “Eris”.

Esta nova variante está a preocupar as autoridades de saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou que há o risco de se tornar perigosa e causar um aumento repentino de casos e de mortos. A EG.5 foi reportada pela primeira vez em fevereiro e em julho foi classificada como variante sob monitorização.

Mas nas últimas semanas, uma outra variante altamente mutante deixou vários países em alerta.

Esta nova linhagem, apelidada de BA.2.86, tem 36 alterações de aminoácidos na sua proteína spike – proteína à superfície do coronavírus que se vincula às células humanas – em comparação com a variante atualmente dominante (XBB.1.15), sendo a maior causa de preocupação para os cientistas.

É raro o coronavírus mudar tão significativamente e desenvolver 30 novas mutações. A última vez que observamos uma alteração tão significativa foi quando a Ómicron apareceu”, disse Morten Rasmussen, investigador do Statens Serum Institut, citado pela CNN.

Desde finais de julho, foram detetados seis casos de infeção pela BA.2.86: um caso nos Estados Unidos, Reino Unido e Israel e três casos na Dinamarca.
Nova variante é motivo de preocupação?
Até ao momento, ainda não existem dados suficientes para confirmar se a BA.2.86 se propaga mais rapidamente ou se causa doenças mais graves do que as estirpes anteriores.

Apesar da sua mutação rápida, os cientistas dizem que a questão principal é perceber se esta nova variante é altamente transmissível.

Mandy Cohen, diretora dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), disse na sexta-feira que a nova variante não deveria ser motivo de alarme.

“Acho que o que estamos a ver é que os nossos mecanismos de deteção [de novas variantes] que implementamos estão a funcionar, certo?”, disse Cohen à CNN. “Estamos mais preparados do que nunca para detetar e responder às mudanças no vírus covid-19”, assegurou.
Vacinas protegem contra novas variantes?
As vacinas atualizadas de reforço contra a covid-19 que estão a ser desenvolvidas devem estar prontas para distribuição em setembro.

Estas novas vacinas devem incluir proteção para a subvariante da Ómicron XBB.1.5.

No entanto, a Moderna já afirmou que dados preliminares da testagem sugerem que a sua versão da vacina mais recente deve incluir proteção para a Eris, bem como para uma variate relacionada chamada Fornax, que começou a circular nos EUA.

A Pfizer também afirmou que a sua nova versão da vacina também mostrou ser eficaz contra a subvariante Eris.

Esta quinta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) classificou como variantes de interesse “todas as linhagens do tipo XBB.1.5” da estirpe Ómicron.

A organização adverte para um acentuar da propagação da covid-19 na União Europeia, mas considera “pouco provável que os níveis atinjam os picos anteriores observados durante a pandemia”, ou que estas variantes “estejam associadas a qualquer aumento da gravidade da infeção”.

c/agências
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