"Desafios de subsistência". Líderes iranianos assumem dificuldades provocadas pela guerra e sanções

"Desafios de subsistência". Líderes iranianos assumem dificuldades provocadas pela guerra e sanções

O presidente iraniano afirmou este sábado que as sanções e o bloqueio naval de Ormuz pelos Estados Unidos provocaram quebras de quase 35 por cento nas importações e exportações. Já o líder supremo do país alertou que o Governo deve "abordar seriamente os vários desafios económicos e de subsistência" no país.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem de um mercado em Teerão a 23 de agosto de 2026. Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Ao fim de seis meses de guerra, as crescentes dificuldades económicas provocadas pelo conflito mas também pelas sanções aplicadas pelos Estados Unidos são incontornáveis para os líderes políticos em Teerão.

Numa declaração à televisão estatal iraniana, o presidente Masoud Pezeshkian admitiu este sábado que as importações e as exportações caíram praticamente 35 por cento devido às sanções e ao bloqueio dos portos navais iranianos. 
A imposição de novas sanções vem agravar o impacto da guerra na economia iraniana. No mês passado, a inflação anual atingiu os 66 por cento.

Ainda assim, indicou que foi possível vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo enquanto vigorou o Memorando de Entendimento, assinado entre Washington e Teerão no mês de junho.

O acordo, assinado a 17 de junho, determinou o cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, um prazo que entretanto expirou. 

As hostilidades entre os dois países foram retomadas em agosto, com Washington a focar-se nas últimas semanas em subir a pressão sobre Teerão com uma campanha de novas sanções económicas. 

O secretário norte-americano do Tesouro anunciou o “dia D económico” com a aplicação de novas sanções não só ao Irão, mas também aos países que não colaborem com as mesmas. 

Em resposta, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano alertou que todos os que participem nas restrições económicas impostas pelos Estados Unidos serão considerados “inimigos”.

É neste contexto de crescente asfixia económica que o ayatollah Mojtaba Khamenei instou o Governo iraniano a responder às dificuldades que o país enfrenta. 

“É necessário abordar seriamente a cadeia de desafios económicos e de subsistência, como a inflação, o desemprego, o controlo dos preços e o mercado de bens e serviços”, indicou o Líder Supremo numa declaração escrita.

Mojtaba Khamenei não é visto em público desde que assumiu funções, logo após o início da guerra. O ataque de 28 de fevereiro encetado pelos Estados Unidos e Israel resultou na morte do pai e até então Líder Supremo, o ayatollah Ali Khamenei, bem como de vários membros da sua família. 

Num comunicado divulgado este sábado, o Governo iraniano indicou que a diplomacia e a defesa são duas frentes "complementares, coordenadas e inseparáveis” para a proteção dos interesses nacionais e da integridade territorial, pelo que ambas devem ser seguidas de forma "equilibrada". 

com agências
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