Detetado em Guimarães mosquito transmissor de Dengue e Zika

Detetado em Guimarães mosquito transmissor de Dengue e Zika

A Unidade Local de Saúde Alto Ave confirmou a descoberta, mas esclareceu que "a presença deste mosquito não significa que exista transmissão de doença", não tendo sido "até à presente data" identificados no município casos das doenças transmitidas por esta espécie.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Aedes albopictus fêmea Foto: Centro de Controlo e Prevenção de Doenças do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América

"O Aedes albopictus pode transmitir doenças como Dengue, Chikungunya e Zika mas, para que ocorra transmissão, é necessário que estejam reunidas outras condições, nomeadamente a circulação do agente infeccioso, explicou a ULS, em comunicado.
 
O mosquito é portador dos vírus que causam aquelas doenças, sendo a fêmea da espécie o vetor de infeção ao picar seres humanos. 

O Aedes reproduz-se sobretudo em pequenas acumulações de água, sendo a eliminação da existência destas, sobretudo junto a habitações, "uma das medidas mais eficazes para reduzir a sua proliferação", explicou aquela unidade.
A presença do mosquito foi comunicada em nota informativa da Unidade de Saúde Pública da Unidade Local de Saúde (ULS) Alto Ave, segundo a qual "foi confirmada a presença do mosquito Aedes albopictus, também conhecido como mosquito-tigre-asiático, no concelho de Guimarães", distrito de Braga.

A ULS Alto Ave garantiu que a situação está sob vigilância entomológica reforçada em articulação com as entidades competentes, no âmbito da Estratégia - Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças Transmitidas por Vetores.

A Câmara de Guimarães referiu à agência Lusa estar "a acompanhar a situação em permanência" e em coordenação com a ULS Alto Ave, "através do Serviço Municipal de Proteção Civil". 

A autarquia acrescentou que já está a ser distribuído material de informação sobre o mosquito, disponibilizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) através da Proteção Civil, tendo difundido e partilhado "toda essa informação a todas as empresas municipais e Juntas de Freguesia de todo o concelho, apelando à sua ampla divulgação junto da comunidade".

A presença desta espécie não é inédita em Portugal. 

Entre 2012-2013 ocorreu um surto de Dengue na Madeira, indicativo da presença na ilha de exemplares infetados do mosquito Aedes. Registaram-se 1.080 casos confirmados de infeção, a maioria no concelho do Funchal. 

O surto não provocou mortes, nem foram reportadas formas severas da doença.

O governo regional lançou depois uma campanha de combate à proliferação do mosquito.
Em Portugal continental, "o mosquito foi detetado pela primeira vez em 2017, na região Norte e, posteriormente, na Região do Algarve (2018) e Alentejo (2022)”, referiu em 2023 um comunicado da Direção Geral de Saúde.

A maioria das vezes não se registaram ocorrência de casos de doenças em humanos.

Em Lisboa, a presença do Aedes albopictus (mosquito-tigre) foi detetada em Lisboa em 2023 e depois, em 2024, em Cascais e em Pombal 
Em Pombal, registou-se em 2025 o aumento de proliferação do insecto.
Projeto MosquitoWeb

Desde 2017, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT-NOVA) tem disponível o MosquitoWeb, um projeto de ciência cidadã que pede a ajuda da população para vigiar e recolher dados sobre espécies de mosquitos com importância médica em Portugal, como os que que transmitem a dengue e febre-amarela. A Dengue é uma doença provocada por um vírus que se hospeda no organismo humano através da picada de um mosquito do género Aedes, sendo os sintomas mais comuns febre, dor de cabeça, dor muscular e articular, dor em redor ou atrás dos olhos, vómitos, manchas vermelhas na pele e hemorragias.  

Em novembro de 2024, o Instituto alertou para uma maior concentração de mosquitos invasores em Faro e Lisboa, com base nos dados recolhidos por aquele projeto.

Em comunicado, o IHMT NOVA explicou na altura que os resultados do projeto evidenciam "um aumento de submissões de mosquitos nos distritos de Faro e Lisboa, nomeadamente da espécie invasora Aedes albopictus (mosquito-tigre)".

Os dados desta plataforma apontam para "uma elevada presença de mosquitos em áreas urbanas com condições propícias à sua proliferação, como jardins, quintais e outros locais com recipientes com manutenção de águas paradas", prosseguiu.

A nota sublinhou "a necessidade de uma maior consciencialização da população para reduzir o risco de propagação de mosquitos, vetores de agentes patogénicos no país".

"A participação da comunidade é essencial para proteger a saúde coletiva"
, vincou também o Instituto, apelando à eliminação conscienciosa de águas paradas e ao uso de repelente.
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