Dezenas de desaparecidos na ilha japonesa de Hokkaido após sismo de 6.7

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A ilha japonesa de Hokkaido ficou paralisada após um forte sismo esta madrugada, quando os residentes dormiam. Foram já confirmados nove mortos e mais de 30 desaparecidos mas o número de vítimas deverá subir nas próximas horas, já que o abalo provocou grandes deslizamentos de terras e o desmoronamento de dezenas de casas. Além das vítimas mortais confirmadas há ainda 300 feridos.

Toda a ilha, do tamanho da Austria e com 5,3 milhões de residentes, ficou sem energia pela primeira vez na sua história. A eletricidade começou a voltar entretanto para algumas partes de Sapporo, capital de Hokkaido, e de Asahikawa, a segunda maior cidade da ilha.

O sismo deu-se às três horas e oito minutos da manhã (18h08 GMT), com epicentro 62 quilómetros a sudeste de Sapporo e a uma profundidade de 40 quilómetros. Registou o grau 6 na escala japonesa cujo máximo é 7. Foi seguido de dezenas de réplicas.

Imagens aéreas mostram os montes perto da localidade de Atsuma, no sul da ilha, literalmente cortados devido a enormes deslizamentos de terras, que arrastaram árvores e casas construídas nas encostas, com os bombeiros a remover destroços em busca de sobreviventes.

Desmoronamentos em Hokkaido, Japão, após sismo de 6.7 Foto: Reuters


"Veio em quatro grandes abalos - bang! bang! bang! bang!" descreveu uma mulher aos microfones da televisão pública NHK. "Antes de percebermos o que se passava, a porta entortou e ficamos impedidos de sair de casa!", acrescentou.

"Acordei com um abalo pouco depois das três da manhã. Acendi a luz mas ela apagou-se logo a seguir" devido a um corte de eletricidade, contou à Agência France Presse uma habitante de Sapporo.

"Houve um tremor repentino, extremo. Senti-o de forma lateral durante muito tempo, parou e depois recomeçou a tremer. Tenho 51 anos e nunca vivi antes tal coisa", contou por seu lado um funcionário da cidade de Abira. "Pensei que a minha casa ia desabar, estava tudo de pernas para o ar!, acrescentou. "A minha filha, que estava no liceu, está aterrorizada".

O primeiro-ministro Shinzo Abe anunciou o envio de uma força de 25.000 soldados para as operações de salvamento. "Vamos fazer tudo para salvar vidas", prometeu Abe, após uma reunião de emergência do seu gabinete.

O porta-voz do Governo, Yoshihide Suga, apelou aos habitantes das zonas atingidas para "estar atentos às informações difundidas pela rádio e pela televisão e a entreajudar-se". Foram organizados refúgios em várias das áreas afetadas.
Central nuclear afetada
De acordo com a empresa Hokkaido Electric Power, 2,95 milhões de casas e outros clientes ficaram sem eletricidade após o sismo, devido à paragem de todas as centrais da região. As estações já recomeçaram a funcionar, lenta e progressivamente, mas "irá demorar uma semana para que a situação se normalize", anunciou o ministro da Industria, Hiroshige Seko.

Geradores de emergência têm estado a manter os principais hospitais a funcionar.

O órgão regulador nuclear do Japão disse que a central nuclear de Tomari, em Hokkaido, recorreu a geradores de emergência para arrefecer o combustível, noticiou a NHK. Todos os três canais de fontes de energia externas foram cortados cerca de 20 minutos após o terramoto.

Os três reatores da central estão todos desligados, com um total de 1.527 conjuntos de combustível armazenados, devido ao corte de energia que afeta Hokkaido.

Todos os comboios estão paralisados e o aeroporto de Sapporo Chitose foi encerrado. Mais de 200 voos previstos para esta quinta-feira foram anulados afetando cerca de 40.000 passageiros.

Poderão ocorrer novos abalos nos próximos dois a três dias, preveniram ainda os especialistas. "Há ainda um risco acrescido de desabamentos de casas e de deslizamento de terrenos das zonas atingidas pelos fortes tremores", lembrou Toshiyuki Matsumori, responsável pela vigilância de tsunamis e de sismos da agência meteorológica japonesa.

Esta foi a segunda catástrofe natural a atingir o Japão em dois dias. As ilhas sofreram entre terça e quarta-feira a passagem do tufão Jebi, a pior tempestade registada em 25 anos, que afetou especialmente a região oeste de Osaka.

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