Diretor do FBI teme ataques terroristas orquestrados no Afeganistão

No passado fim de semana, os Estados Unidos mataram o líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, na sequência de um ataque com um drone. Nas últimas horas, o diretor do FBI expressou preocupação com a possibilidade de os EUA serem novamente alvo de ataques terroristas provenientes do Afeganistão, principalmente por causa das "crescentes lacunas de informação" desde que as tropas norte-americanas deixaram o território.

Inês Moreira Santos - RTP /
Jim Lo Scalzo - EPA

Com o tema da violência nos EUA a ser debatido numa sessão do Comité Judiciário do Senado, Christopher Wray considerou que, apesar da violência interna e dos extremistas do país serem uma ameaça maior, há ainda o risco de terroristas estrangeiros, incluindo da Al Qaeda, atacarem território norte-americano.

“Estão preocupados com um possível ataque ao país proveniente de nações como o Afeganistão?”, questionou a senadora republicana Lindsey Graham, dirigindo-se ao diretor do FBI.

E Wray não negou: “Estamos. Principalmente agora que saímos, estamos preocupados com a potencial perda de fontes e colheita de informação militar da região”.

As forças norte-americanas retiraram-se do Afeganistão em 2021, mas o responsável pelo FBI admite que se mantém a preocupação não só com as “crescentes lacunas de informação” como com a possível reconstituição da Al Qaeda, apesar de terem consigo eliminar Al-Zawahri, e com o potencial surgimento de mais organizações terroristas.

"Estou preocupado com a possibilidade de vermos a Al Qaeda a tentar reconstituir-se, o ISIS-K a tirar vantagem da deterioração da segurança da região, e ainda estou preocupado com os terroristas, inclusive aqui nos Estados Unidos, que são inspirados pelo que veem lá".
Associação entre Al Qaeda e taliban não trará “nada de bom”
No início de 2022, o líder da Al Qaeda mudou-se, com a família, do Paquistão para a capital afegã e, de acordo com Washington, ainda constituía uma ameaça para os cidadãos, interesses e segurança nacional dos Estados Unidos, pelo que a sua morte “fez justiça”.

Al-Zawahiri “esteve profundamente envolvido no planeamento dos ataques do 11 de Setembro”, disse Joe Biden, esta semana, para justificar o ataque.

“Durante décadas foi responsável por orquestrar ataques contra cidadãos norte-americanos. Agora, foi feita justiça e este líder terrorista já não existe”.

Segundo anunciou a Casa Branca, Al-Zawahiri foi morto quando estava na varanda da residência onde estava hospedado e um drone disparou dois mísseis contra ele. Apenas o líder da Al Qaeda foi morto na operação e não houve danos colaterais, assegurou Washington.

Na sessão no Senado, na quinta-feira, Wray admitiu que quando recebeu a notícia da morte do líder da organização terrorista não ficou “surpreendido, mas sim dececionado” por não se ter conseguido impedir, nem descobrir antecipadamente, a presença deste no Afeganistão.

E, numa segunda ronda de questões por parte da senadora Lindsey Graham, sobre o que pode representar a possível associação entre a Al Qaeda e os taliban, que controlam o Afeganistão, o diretor do FBI respondeu: “Nada de bom”.

A morte de um dos terroristas mais procurados pelos Estados Unidos, que ajudou a planear os ataques do 11 de Setembro, aconteceu pouco antes de ser completado um ano desde a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão - operação considerada desastrosa e que levou ao regresso dos taliban ao poder no país.

A saída dos EUA foi decidida sob a condição, entre outras, de que o Afeganistão não voltasse a ser um santuário de terroristas, como aconteceu durante o regime anterior dos taliban, entre 1996 e 2001, marcado pelo apoio a Bin Laden e pelos ataques de 2001 em Nova Iorque e Washington.

Esta semana, os taliban garantiram, em comunicado, que o Afeganistão não constitui qualquer perigo para o Ocidente, sobretudo para os Estados Unidos, assegurando estarem empenhados no cumprimento dos acordos de Doha - assinados em fevereiro de 2020, definiram a retirada completa das forças norte-americanas após duas décadas de conflito.
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