Donald Trump disposto a responder sob juramento ao procurador Mueller

O procurador especial nomeado para a investigação sobre o alegado envolvimento da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas, Robert Mueller, já tinha dito que queria ouvir o Presidente dos Estados Unidos. Agora, Donald Trump diz que está disposto e até ansioso para responder às questões sob juramento.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Donald Trump acena à chegada a Davos, Suíça, quinta-feira 25 de janeiro de 2018 Carlos Barria - Reuters

A garantia foi deixada pelo próprio aos repórteres na Casa Branca que lhe perguntaram sobre a eventualidade de testemunhar. "Adoraria fazê-lo", respondeu Trump.

De acordo com fontes próximas da investigação, os advogados do Presidente têm estado a falar com a equipa de Mueller sobre a possibilidade do Presidente responder às questões do procurador.

"Gostaria de o fazer o mais depressa possível", afirma agora Trump. "Gostaria de o fazer sob juramento".

A entrevista poderá realizar-se nas próximas semanas mas uma data certa está para "sujeita aos meus advogados e isso tudo", acrescentou o Presidente, com a sua habitual displicência. "Ontem estavam a falar dentro de duas ou três semanas", admitiu.

Sobre se Mueller o irá tratar com equidade, o Presidente foi lacónico. "Iremos descobrir", respondeu.

Trump já prometeu prometeu cooperar com Mueller mas esta foi a primeira vez que o Presidente admitiu diretamente a realização de uma tal entrevista.

Ty Cobb, o advogado encarregue das respostas da Casa Branca à investigação de Muller, explicou em comunicado que as respostas do Presidente aos repórteres foram dadas à pressa antes dele partir para Davos, na Suíça.
Obstrução
Mueller está a investigar alegações de que o Kremlin interveio ativamente na campanha presidencial em 2016 a favor do Trump, através de ciber-ataques e de propaganda ativa, e que o fez em conluio com a equipa do então candidato, incluindo nas suspeitas o seu próprio genro, Jared Kushner.

Mas o procurador quer ainda perceber se Trump interveio enquanto Presidente para tentar obstruir a investigação, através de contactos com o então diretor do FBI, Andrew McCabe, e de pressão sobre o antecessor, James Comey.

Em Washington acredita-se que Muller está a concluir esta parte da investigação.

Altos responsáveis dos serviços de informação, incluindo o diretor da CIA, Mike Pompeo, foram entrevistados nas últimas semanas sobre o assunto pela equipa de Mueller.

Além de Pompeo, este questionou o Diretor para a Informação Nacional, Dan Coats e o diretor da Agência Nacional de Segurança, o almirante Mike Rogers, sobre se Trump lhes pediu para pressionar Comey.

Este acabou por ser demitido por Trump e afirma que o Presidente o fez para desacreditar a investigação.

"Claramente os nomes que estão a ser revelados agora indicam que estamos na parte [da investigação] da obstrução da justiça", afirmou um antigo procurador de Connecticut, Stanley Twardy. Muller "está a chegar agora às pessoas que são mais próximas do Presidente, próximas das questões".
Cerco a Trump
O Kremlin tem negado sucessivamente as acusações de intervenção e Trump tem dito várias vezes que a investigação se baseia em "notícias falsas" tendo desmentido notícias esta quarta.feira do Washington Post sobre a alegada obstrução.

"Não houve nenhum conluio. Não há nenhuma obstrução", afirmou aos repórteres na Casa Branca.

Uma entrevista de um procurador especial a um Presidente é sempre influenciada pelos privilégios executivos do próprio cargo e pelo contexto em que este poderá ser obrigado a revelar informações.

De acordo com analistas, no caso de Trump será também curioso perceber até que ponto o estilo de resposta pronta do Presidente se irá tornar o seu pior inimigo ao prestar declarações.
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