Donald Trump nega ter feito promessa a líder estrangeiro

por RTP

O Presidente dos Estados Unidos negou esta quinta-feira as informações de uma alegada promessa feita a um “líder estrangeiro”. As especulações em Washington, expostas por um denunciante anónimo, motivaram uma queixa formal apresentada a 12 de agosto. Segundo o Washington Post, pelo menos uma parte desta denúncia pode dizer respeito à Ucrânia.

As supostas promessas de Donald Trump não foram especificadas pelo denunciante anónimo.

A queixa formal apresentada a 12 de agosto, por um indivíduo ainda por identificar, provocou um novo confronto político entre a Administração e o Congresso norte-americano.

A denúncia envolveu uma alegada “promessa” feita pelo Chefe de Estado norte-americano a um "líder estrangeiro" durante uma das "conversas [telefónicas] particulares".

No entanto, o Presidente dos Estados Unidos garantiu esta quinta-feira à noite que "nunca disse nada inapropriado" durante as conversas mantidas ao telefone com líderes estrangeiros.

“Mais uma fake news por aí”, começou por escrever Donald Trump na rede social Twitter.

“Isto nunca acaba. Sempre que falo ao telefone com um líder estrangeiro, sei que pode haver muitas pessoas a ouvir de várias agências dos Estados Unidos, para não mencionar as do outro país”, pode ler-se no tweet publicado na noite desta quinta-feira.

Sabendo isso, alguém é estúpido o suficiente para acreditar que eu diria algo inapropriado a um líder estrangeiro numa chamada potencialmente tão concorrida?”, questionou ainda o líder norte-americano.
A denúncia fantasma
Ainda não se sabe quem fez a denúncia, qual seria o líder estrangeiro em questão ou mesmo até que promessa pode ter sido feita por Donald Trump. No entanto, segundo adiantou o Washington Post, as autoridades já começaram a ligar as peças do puzzle.

Duas semanas e meia antes de a queixa ser apresentada, o Presidente dos Estados Unidos conversou com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, o que leva a crer que uma parte da queixa pode estar relacionada com a Ucrânia.

Uma carta enviada aos legisladores pelo inspetor-geral Michael Atkinson revelou que esta denúncia era credível e suficientemente preocupante, o que legalmente obriga à notificação das comissões de supervisão do Congresso.

Este pode ser "um problema sério ou flagrante, de abuso ou violação da lei" que envolve informações confidenciais, assegurou o inspetor-geral.
Círculo de Trump envolvido?

Esta quinta-feira, o inspetor-geral da CIA - Intelligence Community - foi chamado a prestar declarações na sede da Comissão sobre Serviços de Informações dos Estados Unidos - House Intelligence Committee.

Ao longo de três horas, Michael Atkinson testemunhou a portas fechadas sobre a denúncia, mas não respondeu às questões essenciais.

O inspetor-geral recusou-se incessantemente a discutir os pormenores da queixa, alegando que não estava autorizado a fazê-lo.

Por sua vez, o diretor interino dos serviços de informação nacional, Joseph Maguire, também se negou a compartilhar quaisquer pormenores sobre a denúncia.

Contudo, na opinião do congressista democrata Adam Schiff, o diretor interino da CIA está a "tentar esconder" informações, situação que considerou inédita "do ponto de vista legal".

Apesar de os democratas estarem a pressionar para que a queixa chegue ao Congresso, Adam Schiff acredita que “há um esforço para impedir" a divulgação desta informação.

"Se esta alegação for correta, então, de uma maneira ou de outra, provavelmente envolverá o Presidente ou pessoas do seu círculo", assegurou.

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