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"É hora de acordar". Netanyahu apela ao voto e denuncia tentativas de irregularidades

"É hora de acordar". Netanyahu apela ao voto e denuncia tentativas de irregularidades

A afluência às urnas até às 12h00 foi a maior de que há registo. O principal adversário de Netanyahu acusou o primeiro-ministro de estar a "preparar o terreno" para contestar os resultados em caso de derrota.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Jewel Samad - Pool via Reuters

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelou esta terça-feira ao voto dos seus apoiantes e acusou os opositores árabes israelitas de tentarem "roubar a eleição".

"Vão votar!", exortou Netanyahu aos israelitas numa publicação no X, após se ter registado uma grande participação de eleitores de esquerda.

“Os ativistas de esquerda estão a invadir as seções eleitorais – e os ativistas de direita estão indiferentes. É hora de acordar. Saiam e incentivem outros a votar – votem no Likud!”, apelou.

Após votar numa secção de voto em Jerusalém Ocidental, o primeiro-ministro israelita disse aos jornalistas que "três altos dirigentes" de um partido de maioria árabe foram detidos no sul do país, transportando envelopes cheios de dinheiro em numerário, sem que a denúncia tenha sido confirmada por fonte independente.

As autoridades eleitorais esclareceram, no entanto, que estas pessoas - abordadas perto das suas residências - "ainda não tinham chegado aos locais de voto" e que está em curso uma investigação.

Na manhã desta terça-feira, também o partido da oposição Yashar!, favorito nas sondagens, denunciou uma "manipulação deliberada" dos boletins de voto e vai apresentar uma queixa formal à Comissão Eleitoral.

"Nas últimas horas, foram recebidos relatos sobre a manipulação deliberada, o roubo, a inversão e a retirada de boletins de voto do Yashar! em locais de voto por todo o país", informou o partido.

Entretanto, a Comissão Eleitoral Central (CEC) de Israel já reagiu, descartando a existência de quaisquer irregularidades.

"Ao contrário do que sugerem as informações que circulam, não há, neste momento, qualquer indício ou prova que aponte para irregularidades no âmbito das eleições", pronunciou-se a comissão em comunicado, afirmando que os casos estão a ser analisados um a um de forma "imediata".
"Pior Governo da história"
O centrista Gadi Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro, apelou aos eleitores para retirarem do poder "o pior governo" da história de Israel.

"Peço a todos que saiam, que votem, que cumpram o vosso dever cívico; só uma vitória ampla e significativa sobre o Likud mandará Netanyahu para casa. E peço a todos que o façam", afirmou Eisenkot numa mensagem à saída das urnas.

"Peço a todos os cidadãos israelitas que vão votar, que não se deixem desanimar pelo calor ou por incómodos, e que tenham em mente o objetivo: substituir, ainda hoje, o pior governo que Israel já teve desde a criação do Estado", declarou o antigo general à saída da assembleia de voto.
O partido de Eisenkot acusou ainda Netanyahu de estar a "preparar o terreno" para contestar os resultados em caso de derrota, depois de ter denunciado tentativas da oposição de "roubar as eleições".

"Netanyahu está em pânico e a preparar o terreno para contestar os resultados", declarou o Yashar. "Precisamos de ultrapassar o Likud (partido de Netanyahu) com uma margem considerável; só assim não haverá espaço para semear dúvidas", acrescentou.
Afluência histórica
De acordo com a Comissão Eleitoral israelita, a afluência às urnas até às 12h00 foi de 44,9% - a percentagem mais elevada desde que se começou a registar estes dados, em 1973.

Estas são as primeiras eleições desde os ataques liderados pelo Hamas, a 7 de outubro de 2023, e são consideradas umas das mais cruciais da história do país.

Em causa nestas eleições está a eleição dos 120 deputados ao Parlamento israelita, o Knesset.

Os israelitas parecem unidos na ideia de que é preciso um ponto de viragem e pedem o afastamento de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro há mais tempo no poder na história de Israel.
Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu e líder do Yashar, é apontado como favorito à vitória nestas eleições. No entanto, as sondagens mais recentes mostram que nenhum partido consegue uma maioria (61 lugares), o que significa que vai ser preciso trabalhar em coligações.

Os partidos árabes podem ser a chave para uma solução. Os eleitores árabes representam 20% do eleitorado e estes partidos podem conseguir reunir cerca de 15 deputados, o que significa que se se juntarem ao bloco de centro, liderado por Eizenko, poderá resultar numa coligação que irá governar Israel nos próximos quatro anos.

Caso nem Netanyahu nem Eisenkot consigam formar uma coligação governamental, Netanyahu poderá manter-se no cargo interinamente até à realização de novas eleições.

As assembleias de voto encerram às 22h00 (20h00 em Lisboa), altura em que as estações de televisão devem divulgar as primeiras sondagens à boca das urnas.

c/agências
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