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"É inevitável". Putin ameaça empregar "todo o arsenal" em caso de ataque a Kaliningrado

"É inevitável". Putin ameaça empregar "todo o arsenal" em caso de ataque a Kaliningrado

"Nós não assustamos ninguém", afirmou o presidente russo. Para acrescentar: "Não se trata de intimidações, mas da resposta às tentativas de nos amedrontar".

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
"Se formos alvo de uma agressão, temos de responder" | Maxim Shipenkov - EPA

Vladimir Putin redobrou esta quinta-feira o tom belicista do seu regime, ao afiançar que o Kremlin está disposto a recorrer a "todo o arsenal" russo - o que abrange, na prática, o armamento nuclear - em resposta a eventuais ataques ao enclave de Kaliningrado, no Báltico, ou a qualquer outra região da Federação.

"Se chegarmos a um ataque direto contra a Federação Russa - e refiro-me a Kaliningrado, mas isto também pode acontecer em qualquer outro território -, é claro que a questão do uso, por parte da Rússia, de todo o armamento ao seu alcance figurará inevitável e imediatamente na agenda. Isso é inevitável", clamou o presidente russo, ao interveir num evento do centro de reflexão Clube de Discussão Valdai.

Evgueny Mouravitch - correspondente da RTP em Moscovo

Putin aludiu ao documento da Embaixada russa em Bruxelas à Aliança Atlântica a sinalizar que a Rússia "está pronta para empregar todo o seu arsenal para defender o seu território, se os países-membros da NATO tentarem isolar a região de Kaliningrado".O presidente russo quis deixar claro, perante o think-tank, que as posições assumidas pelos diplomatas russos são  rigorosas, embora tenha ressalvado que não foram expressamente referidas "as armas nucleares".

"Nós não ameaçamos ninguém, não temos intenção de atacar nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050. Mas se formos alvo de uma agressão, temos de responder", acentuou o número um do Kremlin.

Embora reconheça que a NATO dispõe de um potencial económico e demográfico superior ao da Federação Russa, Vladimir Putin não deixou de recordar que Moscovo tem armamento estratégico, hipersónico, "que ninguém possui": "Temos de tirar partido da nossa vantagem competitiva".

"Seremos nós a decidir qual será"
, completou.

"Retórica militar"

A NATO acusa, por sua vez, a Rússia de aplicar a "retórica militar", na sequência dos avisos de Moscovo contra um possível "bloqueio aéreo e marítimo de Kaliningrado".Kaliningrado, antiga Konigsberg da Prússia Oriental, foi anexada pela União Soviética em 1945. Faz fronteira com a Polónia, a Lituânia e o Mar Báltico.

A Aliança Atlântica levou a cabo, este ano, vários exercícios militares nas proximidades de Kaliningrado.

Moscovo preparou então um documento a repudiar o que descreveu como um "aumento sem precedentes da atividade militar da Aliança" nas "fronteiras ocidentais".

No mesmo evento desta quinta-feira, o presidente russo rejeitou qualquer suspensão mútua dos ataques de longo alcance com a Ucrânia, respondendo assim pela negativa às propostas apresentadas por Kiev e Washington.

Já quanto aos ativos de empresas ocidentais - casos da Auchan, Nestlé e Leroy Merlin - detidos pela Rússia, Putin afirmou que estes poderão ser devolvidos, caso haja um acordo com Moscovo.

c/ agências

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