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El Salvador cumpre dois anos de regime de exceção imposto por Nayib Bukele

El Salvador cumpre dois anos de regime de exceção imposto por Nayib Bukele

El Salvador cumpre hoje dois anos desde a aplicação do regime de exceção, definido pelo Presidente Nayib Bukele como uma "guerra contra os gangues", e que lhe garantiu reforçar o poder entre diversas denúncias de violação dos direitos humanos.

Lusa /

Em 27 de março de 2022, o Parlamento aprovou a pedido de Bukele a aplicação de um regime de exceção que suspende diversas garantias constitucionais, incluindo o direito à defesa, e que permitiu desde então a detenção de mais de 78.000 pessoas.

Apesar das denúncias sobre violações dos direitos humanos, a medida permitiu reduzir o número de homicídios no país da América central, tendência que vinha desde 2015, e reforçou a popularidade de Bukele.

A Organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) assinalou hoje que Bukele permanece muito popular, em particular devido à melhoria de diversos indicadores de violência no curto prazo.

O chefe de Estado utilizou o regime de exceção como principal ferramenta da campanha para as eleições de 04 de fevereiro passado, que venceu por ampla maioria e lhe permitirá manter-se no poder até 2029, apesar de a Constituição não permitir a reeleição imediata.

Bukele também apelou à votação nos candidatos a deputados do seu partido Novas Ideias (NI), que continua a garantir uma maioria no Congresso com 54 dos 60 lugares.

O Presidente também controla os três organismos do Estado, incluindo o Supremo tribunal de Justiça, cujos magistrados foram eleitos sem o obrigatório escrutínio dos deputados.

O fim do regime de exceção permanece uma incógnita, com Bukele a assegurar recentemente que a taxa de homicídios em El Salvador em 2024 será "ainda mais baixa" que a registada no ano anterior. Em 203 foram indicados 154 assassinatos, menos 341 que os 495 contabilizados em 2022, segundo dados policiais.

A polícia confirma que a taxa de homicídios por cada 100.000 habitantes foi de 2,4 em 2023, e indicou que a média diária de mortes foi de 0,4.

Anabel Belloso, deputada da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN, esquerda), reconheceu em declarações à agência noticiosa Efe que a violência diminuiu sob o regime de exceção mas "por não existiram dados oficiais reais, é impossível conhecer o impacto real da medida".

"É uma medida de controlo social, uma estratégia para concentrar o poder que é o seu principal objetivo [de Bukele], porque é uma ferramenta que utilizou para calar as vozes que o criticam, e perseguir os líderes comunitários e dos territórios, acrescentou.

Diversas ONG já receberam mais de 6.000 denúncias de violações de direitos humanos, em particular detenções arbitrárias e torturas, e registaram a morte de mais de 200 detidos.

A diretora para as Américas da Amnistia Internacional (AI), Ana Piquer, assinalou hoje em comunicado que "caso não exista algum género de avaliação e contrapeso no interior do país, e com uma resposta tímida por parte da comunidade internacional, impôs-se a conceção errada de que o Presidente Bukele encontrou a fórmula mágica para resolver problemas muito complexos, como a violência e a criminalidade, de forma aparentemente simples".

No entanto, advertiu que "não se pode considerar um sucesso a redução da violência dos gangues substituindo-a pela violência estatal", e acrescentou que "as autoridades salvadorenhas devem centrar a resposta estatal em políticas integrais e respeitadoras dos direitos humanos e na busca de soluções a longo prazo".

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