Eleições Espanha. Vitória da direita promete mudanças na política nacional

Com cerca de 99 por cento dos votos escrutinados, o Partido Popular, encabeçado por Isabel Díaz Ayuso, consegui eleger 65 deputados, mais do que toda a esquerda junta. Com 26 deputados regionais, o Partido Socialista (PSOE) perdeu 11 face aos 37 obtidos nas eleições de 2019 e foi ultrapassado pelo Más Madrid.

RTP /
Mariscal - EPA

Nas eleições autonómicas de Madrid, que decorreram na terça-feira, foram às urnas 76 por cento dos eleitores, segundo imprensa espanhola, registando-se um recorde histórico em termos de participação eleitoral. O anterior máximo histórico, segundo o El País, registou-se em 1995, quando votaram 70,3 por cento dos madrilenos.

Mas não foi uma dia marcante só pela adesão da comunidade de Madrid às eleições: a vitória do PP está a afetar a esquerda espanhola, a nível nacional.

Com 99 por cento dos votos contados, o PP obteve 44,73 por cento e 65 deputados num total de 136, duplicando o resultado das últimas eleições e ficando a três da maioria absoluta.

Já o PSOE, de Pedro Sánchez, conseguiu apenas 24 cadeiras, foi ultrapassado pelo Más Madrid de extrema-esquera e registou o pior resultado de sempre. E, sendo Madrid o espelho do resto do país, a vitória de Isabel Díaz Ayuso não é apenas regional, pode ser também uma derrota para toda a esquerda em Espanha.

Com este resultado sai também de cena Pablo Iglésias. O líder do Unidas Podemos (que conseguiu apenas 7,25 por cento dos votos e 10 assentos) anunciou, na noite de terça-feira, a retirada da vida política, justificando a decisão com o facto de o PP de direita ter conseguido maus votos do que todos os partidos de esquerda juntos.

Por seu lado, o Vox, de extrema-direita, obteve 9,11 por cento e 13 membros no parlamento regional e o partido da direita-liberal Cidadãos, que nas eleições de 2019 teve quase 20 por cento dos votos, obteve agora 3,45 por cento dos votos e desaparece do parlamento regional onde só podem estar partidos com mais de cinco por cento.

O resultado destas eleições é uma derrota para a esquerda e, segundo os especialistas, pode significar um contratempo para o Partido Socialista (PSOE) do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que lidera uma coligação de esquerda no Governo nacional.

Já esta quarta-feira, em entrevistas à imprensa espanhola, Ayuso prometeu não "baixar a guarda" e continuar a ser um "contrapeso" e um "contrapoder" do Governo espanhol.
PP vitorioso, votos do Vox "decisivos"
Mesmo com a vitória arrasadora de Isabel Días Ayuso, com mais votos do que toda a esquerda, o PP precisa da abstenção do Vox para governar.

A candidata de direita à presidência da região de Madrid congratulou-se pela sua vitória que considerou ser uma "moção de censura ao sanchismo".

"O sanchismo não entra em Madrid", proclamou Ayuso, em referência ao primeiro-ministro que lidera o Governo nacional de coligação de esquerda, que tinha elegido como principal opositor durante a campanha eleitoral.

Ayuso afirmou ainda que "esta forma de governar com opulência e hipocrisia a partir de A Moncloa [sede do Governo espanhol] tem os seus dias contados e já chega".

"Madrid fez uma moção de censura democrática ao sanchismo, aos seus pactos com Bildu [separatistas bascos], com independentistas, ao Governo com Podemos [extrema-esquerda]. Madrid é o quilómetro zero da mudança de rumo em Espanha".

Também a candidata do Vox à liderança da Comunidade de Madrid, Rocío Monasterio, defendeu que o resultado das eleições regionais são "o início de uma mudança de rumo para toda a Espanha".

Contudo, Monasterio lembrou que, apesar da vitória de Ayuso esta força política vai precisar dos votos do Vox, partido liderado por Santiago Abascal, para governar.

"Este é o início de uma mudança de rumo para toda a Espanha. Cumprimos o que dissemos para travar a esquerda", disse Monasterio, que defendeu que o Vox será "a chave" e que os seus votos "serão decisivos para absolutamente tudo".

Monasterio, que falava na sede do partido da extrema-direita espanhola, em Madrid, sublinhou ainda que o Vox vai, nos próximos dias, "facilitar a tomada de posse como presidente" de Isabel Díaz Ayuso na Comunidade de Madrid.

"Não pode haver qualquer dúvida sobre isso. Díaz Ayuso terá de escolher entre o Vox ou uma abstenção do PSOE. Neste momento a decisão é dela", frisou Monasterio.

Santiago Abascal também comentou o resultado das eleições de Madrid e recordou que o Vox tinha exigido eleições gerais "há muito tempo para o Parlamento nacional" porque o atual "não representa a totalidade dos espanhóis".
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