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Eleições regionais na Alemanha. Merz recusa abandonar o poder
A CDU, que governava a Saxónia-Anhalt, perdeu as eleições e recusou coligação com a AfD, partido de extrema-direita.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu esta segunda-feira a dimensão da derrota da CDU nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt, mas afastou qualquer hipótese de renunciar ou alterar a estratégia do Governo.
"Estamos todos profundamente chocados. Não esperávamos que as coisas terminassem assim", afirmou Merz, numa conferência de imprensa que aconteceu ao início da tarde.
Em reação aos resultados das eleições regionais, o chanceler alemão classificou o resultado como "a derrota eleitoral mais severa que a CDU sofreu em anos".
Com 39 dos 83 lugares no parlamento regional, a AfD, Alternative für Deutschland, em português Alternativa para a Alemanha, não alcançou a maioria absoluta, mas pode tentar formar Governo através do apoio de deputados de outros partidos. Mas a CDU, que governava a Saxónia-Anhalt, já rejeitou uma coligação com a extrema-direita.
"Nós não temos mais mandato para governar. Estamos na oposição. O mandato para governar agora pertence à AfD", afirmou o líder regional democrata-cristão, Sven Schulze, na mesma conferência de imprensa em que participou o chanceler alemão.
Merz assumiu responsabilidade pelo resultado, reconhecendo que a sua própria popularidade pesou na campanha. "Sei que eu também fui um tema recorrente nesta campanha eleitoral", disse o chanceler, que prometeu "continuar o rumo das reformas, sem rutura”, afirmou Friedrich Merz.
Aos jornalistas, o chanceler também rejeitou qualquer mudança na política alemã de apoio à Ucrânia. "Não me vou desviar nem um milímetro da minha convicção fundamental de que devemos defender a nossa liberdade, especialmente agora, da Rússia", afirmou. Merz considerou ainda que a ameaça à segurança interna alemã "não é abstrata; é muito concreta".
Perante os receios sobre um eventual Governo de extrema-direita, Merz garantiu que as instituições alemãs irão defender a Constituição. "O Governo Federal assegurará que a Lei Fundamental seja cumprida", afirmou. E deixou uma mensagem aos parceiros europeus: "Sempre defenderemos a nossa ordem política e a nossa firme ancoragem na Europa."
A vitória histórica da extrema-direita nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt representa um golpe para o chanceler alemão Friedrich Merz e um sinal de alerta para os partidos tradicionais europeus.
A imprensa internacional refere que o resultado obtido no domingo pela AfD expôs a insatisfação com a política de Merz.
Uma sondagem da Infratest dimap, citada pela agência Reuters, revelou que 87% dos eleitores da Saxónia-Anhalt estavam insatisfeitos com o Governo. Outra sondagem, desta vez encomendada pela ZDF, indicou que três quartos dos inquiridos consideravam que o chanceler tinha prejudicado o resultado da CDU.
A economia, o custo de vida, as pensões e a insegurança económica estiveram entre as principais preocupações dos eleitores. A crise industrial alemã também pesa sobre o Governo. A Reuters recorda que a Volkswagen anunciou recentemente um plano de reestruturação que poderá implicar 50 mil cortes de empregos em todo o mundo e o encerramento de grandes fábricas na Alemanha.
A AfD capitalizou o descontentamento, sobretudo entre jovens e trabalhadores, num estado que perdeu cerca de um quarto da população desde a reunificação alemã, em 1990.
Sob a liderança de Ulrich Siegmund, de 35 anos, o partido acabou por conseguir mobilizar milhares de eleitores através de uma campanha apoiada nas redes sociais.