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Espanha. Impasse político mantém-se a 24 horas da constituição das Cortes
A um dia da constituição das Cortes, Pedro Sánchez e o partido socialista espanhol continuam à procura dos apoios necessários para formar governo. Numa tentativa de atrair o apoio do partido de Carles Puigdemont, o atual primeiro-ministro anunciou esta quarta-feira que vai promover o uso do catalão na Europa. O líder do Juntos pela Catalunha, por sua vez, elevou o seu tom de exigência, afirmando que precisa de “factos comprováveis” antes de se comprometer com algum voto. Entretanto, Sánchez confirmou que vai recandidatar-se a primeiro-ministro.
Quase um mês após as eleições espanholas, que foram inconclusivas, Espanha continua num impasse político.
Tanto o Partido Popular (PP) como o Partido Socialista (PSOE) continuam sem acordo para formar um executivo, numa altura em que faltam menos de 24 horas para a constituição das Cortes.
O partido de Carles Puigdemont, Juntos pela Catalunha (JxCat), está no centro da disputa, uma vez que é a chave para facilitar ou não uma investidura de Pedro Sánchez.
Os socialistas do PSOE tentaram, por isso, lançar uma cartada junto dos independentistas catalães ao propor Francina Armengol para a presidência do Congresso. Armengol, que conta também com o apoio do Sumar, foi presidente das Baleares, onde governou em coligação com grupos nacionalistas e é por isso um nome que agrada aos independentistas.
Para além disso, Sánchez assumiu ainda o compromisso de defender a utilização das línguas oficiais espanholas para além do castelhano (catalão, basco e galego) nas instituições europeias – uma reivindicação dos partidos com quem tem de negociar a nova investidura como primeiro-ministro.
Ainda assim, a exigência de uma amnistia para os independentistas catalães são questões que continuam a dificultar as negociações com Carles Puigdemont, que voltou a lançar um repto ao PSOE esta quarta-feira.
Puigdemont exige “factos comprováveis”
Puigdemont, que formalmente não tem qualquer cargo no JxCat mas é considerado o líder de facto da força política que fundou, escreveu na rede social X (anteriormente designada Twitter) que só dará os votos ao PSOE perante “factos comprováveis”, tanto em “acordos para a Mesa [do Congresso] como em acordos de maior importância, como o da investidura” do Governo.
Poucos dias depois das eleições, Puigdemont tinha afirmado, na mesma rede social, que o apoio do JxCat a Sánchez vai depender de um acordo sobre o "conflito" catalão e defendeu negociações sem "pressões" e sem "chantagem política".
O ex-presidente catalão disse que “não tem confiança” nos políticos espanhóis. “Toda a precaução é pouca e as promessas não nos aquecem nem nos arrefecem", afirmou.
Sánchez confirma nova candidatura a primeiro-ministro
O líder dos socialistas espanhóis confirmou esta quarta-feira que vai recandidatar-se a primeiro-ministro apesar de não ter vencido as eleições de 23 de julho.
Numa reunião com os deputados e senadores do PSOE, em Madrid, Sánchez disse que vai pedir ao parlamento o apoio para ser de novo investido líder do governo.
"Vou pedir a confiança do parlamento para formar um governo progressista", afirmou, pedindo ao PP, de Feijóo, que "aceite o sistema parlamentar" estabelecido na Constituição espanhola e pare de “pressionar” o rei.
"Esta não é a hora nem de pressões ao chefe de Estado nem de cabalas mágicas. Esta é a hora da democracia parlamentar", afirmou.
Sánchez disse que o PP "deixou-se arrastar" pelo VOX e tem hoje uma "total incapacidade de somar maiorias parlamentares" ou de fazer alianças "mais além da ultra direita" porque "dinamitou todas as pontes" com outros partidos. A eleição da Mesa do Congresso e da Presidência do Congresso (o parlamento espanhol) na quinta-feira servirá de ensaio à possibilidade de formação de um novo governo de esquerda.
Apesar das difíceis negociações, o PSOE – que foi o segundo partido mais votado nas legislativas – continua a ser o favorito para conseguir formar novo Governo. Com o apoio da coligação de esquerda do Sumar, os socialistas tentam obter também o apoio do Partido Nacionalista Basco, Esquerra, EH Bildu e BNG para facilitar a constituição de uma Mesa do Congresso progressista esta quinta-feira e, consequentemente, uma possível presidência do Governo por Pedro Sánchez.
Enquanto isso, o PP – que venceu as eleições legislativas, mas não conseguiu uma maioria absoluta – conta apenas com o apoio dos próprios deputados, do VOX, da União do Povo Navarro e, talvez, da coligação canária.
PSOE e PP estão numa corrida contra o tempo para chegar a acordo para a formação de um governo, de esquerda ou de direita, e evitar a realização de novas eleições.
c/agências
Tanto o Partido Popular (PP) como o Partido Socialista (PSOE) continuam sem acordo para formar um executivo, numa altura em que faltam menos de 24 horas para a constituição das Cortes.
O partido de Carles Puigdemont, Juntos pela Catalunha (JxCat), está no centro da disputa, uma vez que é a chave para facilitar ou não uma investidura de Pedro Sánchez.
Os socialistas do PSOE tentaram, por isso, lançar uma cartada junto dos independentistas catalães ao propor Francina Armengol para a presidência do Congresso. Armengol, que conta também com o apoio do Sumar, foi presidente das Baleares, onde governou em coligação com grupos nacionalistas e é por isso um nome que agrada aos independentistas.
Para além disso, Sánchez assumiu ainda o compromisso de defender a utilização das línguas oficiais espanholas para além do castelhano (catalão, basco e galego) nas instituições europeias – uma reivindicação dos partidos com quem tem de negociar a nova investidura como primeiro-ministro.
Ainda assim, a exigência de uma amnistia para os independentistas catalães são questões que continuam a dificultar as negociações com Carles Puigdemont, que voltou a lançar um repto ao PSOE esta quarta-feira.
Puigdemont exige “factos comprováveis”
Puigdemont, que formalmente não tem qualquer cargo no JxCat mas é considerado o líder de facto da força política que fundou, escreveu na rede social X (anteriormente designada Twitter) que só dará os votos ao PSOE perante “factos comprováveis”, tanto em “acordos para a Mesa [do Congresso] como em acordos de maior importância, como o da investidura” do Governo.
Poucos dias depois das eleições, Puigdemont tinha afirmado, na mesma rede social, que o apoio do JxCat a Sánchez vai depender de um acordo sobre o "conflito" catalão e defendeu negociações sem "pressões" e sem "chantagem política".
O ex-presidente catalão disse que “não tem confiança” nos políticos espanhóis. “Toda a precaução é pouca e as promessas não nos aquecem nem nos arrefecem", afirmou.
Sánchez confirma nova candidatura a primeiro-ministro
O líder dos socialistas espanhóis confirmou esta quarta-feira que vai recandidatar-se a primeiro-ministro apesar de não ter vencido as eleições de 23 de julho.
Numa reunião com os deputados e senadores do PSOE, em Madrid, Sánchez disse que vai pedir ao parlamento o apoio para ser de novo investido líder do governo.
"Vou pedir a confiança do parlamento para formar um governo progressista", afirmou, pedindo ao PP, de Feijóo, que "aceite o sistema parlamentar" estabelecido na Constituição espanhola e pare de “pressionar” o rei.
"Esta não é a hora nem de pressões ao chefe de Estado nem de cabalas mágicas. Esta é a hora da democracia parlamentar", afirmou.
Sánchez disse que o PP "deixou-se arrastar" pelo VOX e tem hoje uma "total incapacidade de somar maiorias parlamentares" ou de fazer alianças "mais além da ultra direita" porque "dinamitou todas as pontes" com outros partidos. A eleição da Mesa do Congresso e da Presidência do Congresso (o parlamento espanhol) na quinta-feira servirá de ensaio à possibilidade de formação de um novo governo de esquerda.
Apesar das difíceis negociações, o PSOE – que foi o segundo partido mais votado nas legislativas – continua a ser o favorito para conseguir formar novo Governo. Com o apoio da coligação de esquerda do Sumar, os socialistas tentam obter também o apoio do Partido Nacionalista Basco, Esquerra, EH Bildu e BNG para facilitar a constituição de uma Mesa do Congresso progressista esta quinta-feira e, consequentemente, uma possível presidência do Governo por Pedro Sánchez.
Enquanto isso, o PP – que venceu as eleições legislativas, mas não conseguiu uma maioria absoluta – conta apenas com o apoio dos próprios deputados, do VOX, da União do Povo Navarro e, talvez, da coligação canária.
PSOE e PP estão numa corrida contra o tempo para chegar a acordo para a formação de um governo, de esquerda ou de direita, e evitar a realização de novas eleições.
c/agências