Espanha lança alerta internacional devido a surto de listeriose

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Um novo aumento do número de casos de listeriose em Espanha levou as autoridades sanitárias a emitir um alerta internacional e a ativar os sistemas de comunicação da União Europeia e da Organização Mundial de Saúde. Uma pessoa morreu e há registo de 150 pessoas infetadas e 529 casos suspeitos, a esmagadora maioria na Andaluzia. A carne contaminada, da marca “La Mechá” da empresa Magrudis, não é comercializada em Portugal, mas as autoridades alertam os turistas dos potenciais riscos.

A decisão de ativar os alertas internacionais é assumida como uma medida de precaução, de acordo com o Ministério da Saúde espanhol, perante a possibilidade de turistas terem podido ser infetados depois de consumir produtos daquela marca em Espanha, sobretudo nas zonas de Sevilha ou Huelva, na Comunidade da Andaluzia. Até agora não foi registado qualquer caso de contaminação fora de Espanha.

Entre terça e quarta-feira foram registados mais 18 casos, fazendo ascender a 150 o número de casos confirmados, 132 na Andaluzia. Há mais de 500 situações suspeitas que aguardam a conclusão de análises laboratoriais para determinar se houve uma infeção da bactéria. Há pelo menos 53 pessoas hospitalizadas. Entre elas, 23 grávidas. Uma mulher de 90 anos acabou por morrer.

O Ministério da Saúde espanhol recomendou hoje à população não consumir os produtos de carne embalada da marca "La Mechá", que está na origem do surto. Aconselhou ainda às pessoas que já consumiram os produtos a consultar os serviços médicos caso apresentem algum sintoma.
A bactéria é praticamente inócua para a maioria das pessoas saudáveis, mas pode ser letal para bebés em gestação e pessoas com o sistema imunitário debilitado.
Os produtos referenciados são "chincharrón" andaluz (gordura de porco frita), lombo de Jerez, lombo com pimentão, e lombo caseiro temperado com pimentão, da marca "La Mechá", da empresa Magrudis.

Todos os produtos embalados identificados pelo Ministério da Saúde foram distribuídos na Andaluzia e em Madrid, exceto o lombo caseiro temperado com pimentão que foi comercializado apenas na Andaluzia.

A Junta da Andaluzia ordenou esta quarta-feira a retirada do mercado de todos os produtos da empresa Magrudis. No passado dia 14, o Ayuntamento de Sevilha ordenou, por precaução, paralisar a produção da empresa. A Junta, por seu turno, apenas retirou a carne contaminada e permitiu que continuasse a ser vendidos outros produtos da empresa, refere o jornal El País. Um atraso de cinco dias, refere o jornal, já que a Junta saberia desde dia 9 que haveria amostrar com um resultado “altamente positivo” da bactéria.

A ministra da Saúde afirmou entretanto que há investigações em curso para perceber o que falhou, acrescentando que “depois de verá se houve ou não atraso na comunicação do surto”.

Um especialista da Universidade de Barcelona, José Juan Rodríguez, confessa ao El País estar surpreendido com a decisão da Junta já que, com os indícios conhecidos de contaminação em produtos que ainda estavam na fábrica, “o recomendável seria estender de imediato a retirada do mercado de todos os produtos” da empresa.

A Direção Geral de Saúde Pública da Junta da Andaluzia está a realizar testes a outros produtos da empresa Magrudis, de Sevilha, que produz os embalados de carne "La Mechá".
Produto contaminado não é vendido em Portugal
Em Portugal, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária esclareceu na quarta-feira que a carne contaminada com a bactéria 'Listeria monocytogenes' da marca "La Mechá" e os produtos com origem no fabricante (Magrudis) espanhol, não são comercializados em território português.

Em comunicado, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária explica que está a acompanhar a evolução do surto de listeriose detetado em 15 de agosto na Andaluzia, em Espanha, e esclarece que o alerta emitido pelo RASF, Sistema de Alerta Rápido para a Segurança Alimentar na União Europeia, indica que o produto contaminado com 'Listeria monocytogenes' foi distribuído e comercializado exclusivamente em Espanha.

Na mesma nota as autoridades portuguesas referem que os operadores do setor alimentar que operam em Portugal não comercializam a marca "La Mechá", nem produtos com origem no fabricante (Magrudis).

Em Portugal, a listeriose é uma doença de notificação obrigatória desde 2014, através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária alerta os viajantes que tenham como destino as regiões de Madrid e Andaluzia, para a necessidade de adoção de medidas preventivas, nomeadamente a eliminação de produtos da marca que eventualmente possam ter adquirido.
Causas e sintomas
A listeriose é uma infeção causada pela bactéria 'Listeria monocytogenes', habitualmente associada ao consumo de alimentos contaminados.

De acordo com informação da Direção Geral da Saúde, apesar de pouco frequente, a infeção pode ser grave, especialmente em imunodeprimidos e recém-nascidos.

A maioria dos adultos saudáveis não desenvolve doença após infeção ou apresenta apenas quadros leves. “A listeriose, à semelhança de outras doenças transmitidas por alimentos, habitualmente manifesta-se por uma gastroenterite com febre, náuseas e diarreia”, com um período de incubação médio de três semanas.

“Na grávida, a maioria das infeções é assintomática ou mimetiza uma síndroma gripal. No entanto, pode ocorrer aborto, parto pré-termo, nado-morto ou doença grave no recém-nascido”, refere a DGS.

Em doentes imunodeprimidos e em idosos ocorrem, por vezes, infeções graves como sépsis, meningite ou encefalite, podendo atingir uma taxa de letalidade de 30%.

“É uma bactéria todo-o-terreno, que suporta condições adversas como a ausência de oxigénio ou temperaturas de congelação”, refere Raquel Abad, do Centro espanhol de Microbiologia. Em Espanha, a média de mortes por ano por listeriose é de 70 desde 2009.

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