Estados Unidos. Primeiro debate republicano desprezado por Trump

Os oito candidatos republicanos às eleições presidenciais norte-americanas de 2024 defrontaram-se na quarta-feira à noite no primeiro debate da campanha, no Estado do Wisconsin. Sem o favorito Donald Trump, que deu a sua própria entrevista ao apresentador Tucker Carlson na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Os candidatos nas primárias republicanas para a corrida presidencial norte-americana de 2024, no primeiro debate em Milwaukee, 23 de agosto Jonathan Ernst - Reuters

Os candidatos presidenciais republicanos que participaram no debate, sem a presença do antigo presidente, debateram várias questões de interesse para o país – como a inflação, insegurança, aborto, e sobretudo Donald Trump – expondo as profundas divergências no apoio à Ucrânia e a Donald Trump e manifestando consenso na oposição ao aborto.

O aquecimento global e a imigração foram brevemente mencionados.Apoio à Ucrânia e a Trump, divisões fraturantes no Partido Republicano
Vivek Ramaswamy, empresário de biotecnologia de origem indiana, defendeu que, se fosse eleito, não enviaria mais apoio à Ucrânia, afirmando que os interesses norte-americanos deveriam ter prioridade. Os ânimos dos oito candidatos em palco exaltaram-se com o contínuo apoio dos Estados Unidos à Ucrânia e do Partido Republicano a Donald Trump, que poderá vir a ser condenado em alguma das quatro acusações criminais que enfrenta em tribunal.

"Acho desastroso que estejamos a proteger-nos contra uma invasão através da fronteira de outra pessoa, quando deveríamos usar esses mesmos recursos militares para evitar a invasão da nossa própria fronteira sul, aqui nos Estados Unidos", disse Ramaswamy, arrancando aplausos do público.

Já Nikki Haley, ex-embaixadora norte-americana na ONU, e única mulher entre os candidatos, afirmou que apenas uma quantia relativamente pequena do orçamento militar do país é atualmente direcionada para a Ucrânia.

Segundo Haley, trata-se de um esforço para evitar uma guerra mundial, classificando durante o debate o presidente russo, Vladimir Putin, de “assassino” e responsabilizando-o pela morte de Yevgeny Prigozhin, líder do grupo mercenário russo Wagner.

Garantiu que deixar a Rússia vencer a guerra seria uma vitória para a adversária China, um outro tema também debatido, que nesse cenário “devoraria Taiwan”. Também o ex-governador de Nova Jérsia Chris Christie e o ex-vice-presidente Mike Pence defenderam a continuidade do apoio a Kiev. Mas foi sobre o ausente da noite, Donald Trump, que os candidatos trocaram as palavras mais duras e quando o debate se tornou mais tenso.

Quando foram questionados pelos moderadores do debate se apoiariam o líder republicano como candidato presidencial, caso este fosse condenado, a maioria – exceto dois candidatos – levantaram a mão.

"A sua conduta está abaixo do cargo do Presidente dos Estados Unidos". Chris Christie, um dos candidatos mais críticos de Donald Trump, foi fortemente vaiado pela plateia quando afirmou que o ex-presidente violou a Constituição norte-americana e que “é mais do que tempo de parar de normalizar o seu comportamento".
Um espetáculo à parte, a contraprogramação de Donald Trump

Optando por uma contraprogramação, ao dar uma entrevista
a Tucker Carlson, antigo apresentador da Fox News, transmitida no X, propositadamente à mesma hora do debate. O antigo presidente Donald Trump, que afirma estar a ser vítima de uma “caça às bruxas”, decidiu não participar no debate, devido à sua grande vantagem nas sondagens republicanas.

Na terça-feira, tinha anunciado na sua rede social, Truth Social “vou estar ocupado amanhã à noite – deliciem-se com os vossos olhos!”.

Durante uma conversa que durou cerca de 45 minutos, o líder do Partido Republicano, expressou os seus pontos de vista sobre o país e garantiu que a sua prioridade, se voltasse à Casa Branca, seria “fechar a fronteira” com o México para reduzir a imigração. Os ataques ao atual presidente norte-americano, Joe Biden, foram sucessivos descrevendo-o como “o pior presidente da história” dos Estados Unidos.

Trump afirmou, durante a entrevista, que a sua Administração foi prejudicada por más escolhas para cargos de topo e garantiu que no próximo mandato, caso venha a ser eleito, isso não vai acontecer "Teremos pessoas ainda melhores se fizermos isso, porque agora eu conheço Washington".

Sobre a sua ausência do debate presidencial, Donald Trump acabou por considerar-se maior do que o Partido Republicano e que os outros candidatos, mostrando-se pouco constrangido por não respeitar as normas e regras da política americana.

"Estou a ganhar por 50 ou 60 pontos. E alguns deles estão a um, zero e dois. E eu estou a dizer, será que me sento ali durante uma hora ou duas horas... e sou assediado por pessoas que nem sequer deviam estar a concorrer à presidência?", disse Trump a Carlson.
Deste modo, apesar do esforço dos oito candidatos republicanos presentes no debate de quarta-feira, o ex-presidente saiu como o grande vencedor da noite, embora não tenha estado presente. Ao longo do debate, marcado por alguns momentos de destaque, ninguém conseguiu emergir e apresentar-se como uma alternativa clara a Donald Trump.

Esta quinta-feira Trump desloca-se a Atlanta para comparecer perante as autoridades do estado norte-americano da Geórgia, onde é acusado de tentar inverter o resultado das eleições de 2020. Onde será formalmente detido e as autoridades deverão tirar-lhe uma mugshot (fotografia de passe, em português). 

Em seguida, será libertado sob fiança de 200 mil dólares (cerca de 185 mil euros), o que lhe permitirá não ser colocado em prisão preventiva.

c/ agências
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