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"Estamos em guerra". Sindicatos de polícias franceses apelam ao "combate"
Em comunicado, o Alliance Nacional e o UNSA Police afirmaram esta sexta-feira que "não podem continuar a submeter-se às imposições destas minorias violentas", apelando "ao combate" a "estes nocivos".
Os motins e confrontos com a polícia começaram terça-feira com a denúncia da morte de um adolescente de 17 anos, nessa mesma manhã. Nahel M. foi abatido por um polícia motorizado por se recusar a obedecer à ordem de paragem numa operação stop em Nanterre, um subúrbio de Paris.
Perante a terceira noite de violência e distúrbios que fez quase 300 feridos entre as forças policiais, incluindo pelo menos dois em estado grave, os sindicatos da polícia apelaram a que "todos os meios sejam acionados para restaurar o mais rapidamente possível o Estado de Direito".
Perante a terceira noite de violência e distúrbios que fez quase 300 feridos entre as forças policiais, incluindo pelo menos dois em estado grave, os sindicatos da polícia apelaram a que "todos os meios sejam acionados para restaurar o mais rapidamente possível o Estado de Direito".
"Estamos em guerra", afirmaram, de acordo com transcrições do texto feitas pelo jornal Le Monde.
Num sinal de que mesmo os sindicatos estão divididos internamente face à actual crise, o secretário-geral do UNSA, Laurent Escure, afastou-se da posição assumida oficialmente e criticou o comunicado.
"A defesa de uma categoria profissional, mesmo sincera, não autoriza a denegrir por palavras os valores que formam a nossa República e fundamentam a UNSA. Reproduzo o lamento da UNSA pela morte de Nahel. Apelamos à calma e ao fim das violências", escreveu Escure na rede Twitter.
Apesar da reação do secretário-geral do UNSA, a rota de colisão entre os sindicatos policiais e o executivo francês tem vindo a estreitar-se, a par dos distúrbios e do que consideram falta de apoio político.
Quinta-feira, os sindicatos da polícia contestaram a condenação
por parte do Governo das ações do agente autor do disparo, que
consideraram passíveis de "ingerência no inquérito judicial em curso".
Acusaram
o executivo do Presidente Emmanuel Macron de ceder "à pressão da rua e
das redes sociais", para conseguir "a paz social".
Já no comunicado desta sexta-feira as duas estruturas sindicais
dirigiram-se ainda ao Governo francês, prevenindo-o que, na ausência de
"medidas concretas de proteção jurídica do agente" após o fim da
violência, irão passar "à ação".
O comunicado provocou reações políticas à esquerda, expressas para já na
rede Twitter. A deputada ecologista Sandrine Rousseau, contestou o que
considerou uma "ameaça de sedição" por parte dos polícias, enquanto a
secretária nacional do EELV, Marine Tondelier, viu no texto um "apelo à
guerra civil".
As forças policiais francesas são acusadas de atitudes racistas e de discriminação contra parte da população francesa, incluindo nas suas fileiras.
A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os direitos do
homem apelou esta sexta-feira as autoridades francesas a que garantam
que o uso da força por parte da polícia respeite certos princípios.
Na terceira noite de violência em França, foram detidas 875 pessoas, 1900 automóveis foram incendiados e foram registados 4.000 focos de incêndio.
A noite foi muito violenta em particular na região de Paris, com a policia a tentar controlar milhares de manifestantes.
O Presidente Emmanuel Macron convocou uma segunda reunião do Gabinete de Crise em dois dias. A oposição pediu-lhe para decretar o Estado de Emergência mas Macron não o fez.
O autor do disparo fatal já pediu desculpa à família de Nahel M.. Diz que não quis matar o
jovem e que está devastado com o que aconteceu. É acusado de homicídio
voluntário e está em prisão preventiva.