EUA "carregados e prontos" para responder ao ataque às refinarias sauditas, assegura Trump

por RTP

Em reação aos ataques às refinarias sauditas, o Presidente dos Estados Unidos disse no domingo que os norte-americanos estão "carregados e prontos" para responder. Donald Trump aponta que, embora pense saber quem é o "culpado", vai aguardar por uma confirmação por parte de Riade.

"As refinarias de petróleo da Arábia Saudita foram atacadas. Há razões para pensar que conhecemos o culpado, estamos carregados e prontos, com verificação pendente, mas estamos a aguardar por notícias do reino [saudita] sobre quem eles acreditam que foi a causa desse ataque e em que termos vamos prosseguir!", escreveu no domingo à noite Donald Trump, na sua conta do Twitter.

Horas antes, Donald Trump autorizou o recurso às reservas de petróleo, "caso seja necessário", para estabilizar os mercados de energia após o ataque às instalações da Arábia Saudita.

Segundo o Presidente norte-americano, apenas a autorização poderia ajudar a evitar um aumento nos preços do petróleo, após o ataque ter levado à suspensão de mais de cinco por cento da produção diária de petróleo bruto do mundo.

Neste domingo, um barril de petróleo Brent foi negociado a 70,98 dólares em Nova Iorque, um aumento de 18 por cento em relação a sexta-feira, quando estava a ser negociado por 60,15 dólares.

Já esta segunda-feira, com a abertura dos mercados asiáticos, os preços do barril de petróleo subiram mais de 10 por cento.

"As tensões no Médio Oriente estão a subir rapidamente, o que significa que este caso [subida do preço do petróleo] continuará a ecoar durante semana", referiu à agência France Presse o analista Jeffrey Halley, da financeira OANDA.

Quem também já reagiu a este ataque foi o Reino Unido, com o secretário de Estado para os Assuntos Externos a considerar que se tratou de "uma violação da lei internacional" e a jurar apoio à Arábia Saudita, uma vez que a questão "tem implicações para os mercados" a nível global.

"Quanto à responsabilidade por este ataque, ainda não é uma questão muito clara. (...) É um ataque muito sério e temos de estar tão unidos quanto possível numa resposta internacional", afirmou Dominic Raab, citado pelas agências internacionais.

A China pede cautela e calma nesta questão, considerando que será precipitado tomar qualquer decisão ou agir "antes de uma investigação conclusiva", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, citado pelo agência Reuters.

Culpado por identificar

O ataque de drones, que atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo e um grande campo de petróleo, já foi reivindicado pelos rebeldes iemenitas Houthis, segundo adiantou a agência Reuters.

Os Houthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, afirmaram que tinham disparado uma dezena de drones em direção às instalações petrolíferas da Aramco, situadas em Abqaiq e Khurais.

A explosão dos dez drones provocou grandes incêndios numa zona vital para o fornecimento global de energia.

O Governo iraniano negou qualquer envolvimento no ataque. No entanto, os sauditas e o Governo norte-americano continuam a apontar o dedo a Teerão.

Donald Trump não chegou a acusar os iranianos nem sequer especificou a natureza da resposta publicada este domingo à noite nas redes sociais, ao contrário de Mike Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano foi um dos primeiros a acusar o Irão pela autoria do ataque deste sábado.

Apesar de todos os alertas sobre os pedidos de redução, o Irão lançou agora um ataque sem precedentes no fornecimento de energia do mundo”, escreveu o secretário de Estado norte-americano na sua conta pessoal do Twitter.
Momentos mais tarde, o Governo dos Estados Unidos partilhou várias imagens de satélite com as zonas de impacto devidamente assinaladas.

LOOK: The U.S. government released satellite images showing the surgical strike against the Saudi oil facility of Abqaiq pic.twitter.com/pHe3JXaTHV
Os funcionários dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, citados pelo New York Times, analisaram o trajeto dos mísseis. Na opinião destes especialistas, os mísseis foram disparados a partir do norte do Golfo Pérsico e não do Iémen.

"Pedimos a todas as nações que condenem publicamente de forma inequívoca os ataques do Irão", solicitou Pompeo.

"Os Estados Unidos trabalharão com os nossos parceiros e aliados para garantir que o mercado de energia permanece bem abastecido e o Irão seja responsabilizado pela sua agressão", lê-se ainda no tweet publicado por Mike Pompeo.

Da “pressão máxima” ao “engano máximo”
A resposta às acusações norte-americanas não tardou a chegar.

"Tais acusações e comentários cegos são incompreensíveis e sem sentido", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Abbas Mousavi.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irão acusou Pompeo de se ter voltado para o “engano máximo” depois de ter falhado na “pressão máxima” de reintroduzir sanções norte-americanas sobre Teerão.

Ao falhar na "pressão máxima", Pompeo vira-se para o "engano máximo". Os Estados Unidos e os seus clientes estão presos no Iémen por causa da ilusão de que a superioridade das armas levará à vitória militar”, publicou Javad Zarif no Twitter.

Culpar o Irão não vai acabar com o desastre. Aceitar a nossa proposta de 15 de abril para acabar com a guerra e começar as negociações, talvez”, rematou.
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