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Estados Unidos e Israel bombardeiam Irão num "ataque preventivo"

EUA e Israel atacam Irão, Teerão retalia. O que se está a passar no Médio Oriente?

EUA e Israel atacam Irão, Teerão retalia. O que se está a passar no Médio Oriente?

Depois de vários dias de incerteza e ameaças, Washington e Telavive desencadearam este sábado um ataque contra Teerão, tendo como alvos declarados os principais líderes do regime, a que o Irão respondeu com ataques contra Israel e vários países do Golfo com bases norte-americanas. Os responsáveis iranianos adiantam que os principais dirigentes do país estão vivos, incluindo o ayatollah Ali Khamenei, que se encontra em parte incerta.

Andreia Martins, Graça Andrade Ramos, Cristina Sambado - RTP /
Foto: Majid Asgaripour/WANA - Reuters

Ao longo das últimas semanas, os Estados Unidos tinham mobilizado para o Médio Oriente o maior destacamento militar norte-americano desde a invasão do Iraque, em 2003. Para além de ter pelo menos 30 mil militares estacionados na zona, foi ainda destacada uma armada gigantesca com os porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, e o USS Abraham Lincoln.

A ameaça adensou-se ao mesmo tempo que decorriam novas negociações entre Irão e Estados Unidos a respeito do programa nuclear iraniano. Se Donald Trump admitia ainda na sexta-feira que não estava “satisfeito” com as conversações, o Irão preparava-se para deixar cair uma exigência de várias décadas antes da próxima ronda de negociações, prevista para Viena na próxima segunda-feira. 

Segundo o mediador omani, Teerão aceitava pela primeira vez abdicar de armazenar urânio enriquecido no país, um fator essencial para o fabrico de uma bomba atómica. 
"A vossa única oportunidade" para derrubar o regime

Essa cedência não terá sido suficiente para os dirigentes norte-americanos e israelitas, que decidiram desencadear nas horas seguintes um ataque de larga escala contra várias cidades iranianas. Tanto os líderes em Washington como em Telavive assumiram que o objetivo desta intervenção, designada com “Operação Fúria Épica”, passa pela eliminação de “ameaças iminentes” de Teerão, mas também o fim do próprio regime. 

Num vídeo gravado em que anuncia os ataques deste sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu aos norte-americanos para que “derrubassem o seu governo” assim que a ação militar fosse concluída. “Esta será provavelmente a vossa única oportunidade por várias gerações. Por vários anos, pediram ajuda aos Estados Unidos, mas nunca a obtiveram. (…) Agora, há um presidente que vos está a dar o que querem, por isso vamos ver como respondem”, assinalou. 


No mesmo sentido, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque deste sábado poderia “criar as condições para que o corajoso povo iraniano possa tomar as rédeas do seu destino”. 

Nesta operação, israelitas e norte-americanos visaram três locais onde se reuniam responsáveis do regime iraniano. Vários funcionários essenciais para a condução das operações militares iranianas e para a governação do regime “foram eliminados”, indicou um responsável militar israelita. 

Em entrevista à NBC News, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que o Líder Supremo Ali Khamenei, estava vivo, “tanto quanto sei”. No entanto, até à tarde deste sábado, é desconhecido o paradeiro do ayatollah, figura máxima do poder no Irão desde a morte de Khomeini, em 1989. 

Para além dos alvos militares, com destaque para as cidades com instalações nucleares ou revelantes para a elaboração de mísseis balísticos, foi também atingida uma escola iraniana para meninas no sul do Irão. Pelo menos 85 pessoas morreram. 

De acordo com o Crescente Vermelho, havia na tarde de sábado confirmação de pelo menos 201 mortos e 747 feridos na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos.

Das 31 províncias iranianas, 24 foram atingidas, adiantava ainda a organização.“Direito legítimo de autodefesa”
A resposta do Irão não se fez esperar. Logo após os primeiros ataques de Israel e Estados Unidos, as forças iranianas visaram vários países do Médio Oriente, o que levou ao cancelamento e suspensão de voos, ou até mesmo ao encerramento do espaço aéreo em vários países. Nas últimas horas o Irão já atacou o Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita e Kuwait. Os ataques visaram sobretudo as bases norte-americanas na região. 


Registaram-se explosões em cidades como Riade, Abu Dhabi, Doha, Dubai, Kuwait e Manama. Dos países do Golfo, apenas Omã - que tem mediado as negociações entre Irão e EUA - não foi alvo de ataques. 

A retaliação iraniana nos Emirados Árabes Unidos provocou pelo menos uma vítima mortal: um civil que foi atingido por destroços de mísseis em Abu Dhabi este sábado. 

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que o país utilizará todos os seus meios militares, em conformidade com o seu direito de autodefesa, para se proteger.

Araghchi indica que falou por telefone com homólogos de países como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Iraque, reiterando que o Irão utilizará "todas as suas capacidades defensivas e militares, em conformidade com o seu legítimo direito de autodefesa", para proteger a integridade do país.

Araghchi "recorda" ainda a estes países "a sua responsabilidade de impedir o uso indevido das suas instalações e territórios" pelos Estados Unidos e por Israel para fins de ataque, segundo o comunicado.

A milhares de quilómetros de distância, a base das Lajes volta a desempenhar um papel de relevo: os aviões reabastecedores estacionados na base norte-americana estão em estado de prontidão e pelo menos cinco aviões K-46 foram vistos a descolarem dos Açores. 

Na sequência dos ataques e retaliações nesta zona do globo, várias empresas petrolíferas suspenderam o transporte de combustível no Estreito de Ormuz, uma via decisiva para o comércio global. Washington desaconselhou a navegação o Golfo e os Guardiães da Revolução anunciaram que o local é “perigoso” e a circulação está encerrada. As principais reações
Com estes desenvolvimentos, o Conselho de Segurança da ONU reúne-se de emergência este sábado, pelas 16h00 locais (21h00 em Portugal Continental). França, mas também a China e a Rússia tinham pedido uma reunião urgente deste órgão das Nações Unidas.

A nível europeu, a presidente da Comissão Europeia convocou uma reunião especial do Colégio de Segurança na segunda-feira.

Num comunicado conjunto, António Costa, presidente do Conselho Europeu, e Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, pediram contenção máxima e proteção de civis após ataque dos Estados Unidos e Israel a Teerão.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou no sábado que as forças britânicas estão a participar em esforços defensivos coordenados para proteger os interesses e aliados do país. Starmer disse que os caças britânicos estiveram "nos céus" este sábado para "operações defensivas regionais coordenadas" com o objetivo de "proteger o nosso povo, os nossos interesses e os nossos aliados". 


Também num comunicado conjunto, Berlim, Paris e Londres condenaram este sábado os ataques iranianos contra países da região e apelam ao regresso das negociações.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer apelam, numa declaração conjunta, que a liderança iraniana procure "uma solução negociada".

A NATO indicou que está a acompanhar de perto os desenvolvimentos no Irão e na região, ainda que não tenham sido ativadas medidas imediatas. 

Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indicou este sábado que está a acompanhar “ao minuto” os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel e diz estar “em contacto permanente com a nossa rede diplomática”.

A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses", indica o Ministério numa publicação na rede social X.

Já o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, condenou os "injustificados ataques" iranianos a países vizinhos e apelou à "máxima contenção" para evitar uma escalada do conflito na região. 
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