Mundo
EUA. Partido Republicano de Trump classifica oficialmente ataque ao Capitólio de "discurso político legítimo"
O Partido Republicano classificou oficialmente o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio norte-americano de "discurso político legítimo". As declarações foram lançadas esta sexta-feira, no momento em que o Comité Nacional do partido repreendeu dois parlamentares críticos de Donald Trump, acusado de incitar ao episódio que resultou em cinco vítimas mortais.
A votação que fez aprovar a resolução de reprimenda dos dois membros do Partido Republicano foi esmagadora: 168 participantes estiveram a favor, apenas uns poucos votaram contra.
Os congressistas Liz Cheney e Adam Kinzinger foram, deste modo, acusados de “participarem numa perseguição liderada por democratas a cidadãos comuns envolvidos num discurso político legítimo”.
A resolução, entretanto tornada pública, refere ainda que “através de ações e palavras”, os dois republicanos mostraram “apoiar mais os esforços dos democratas para destruir o presidente Trump do que os esforços para alcançar uma maioria republicana no Congresso em 2022”.
Também por essa razão, o Comité Nacional Republicano decidiu “cessar imediatamente todo e qualquer apoio” a Cheney e Kinzinger, apesar de não os ter expulsado do partido, como inicialmente foi proposto.
A decisão foi tomada mais de um ano depois do incidente que teve lugar no Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, e que muitos acreditam ter sido motivado por discursos do ex-presidente Donald Trump, que sempre defendeu a teoria de fraude eleitoral nas eleições que deram posse a Joe Biden.
Cheney e Kinzinger, ambos membros da Câmara dos Representantes, chegaram mesmo a votar a favor do impeachment de Trump no ano passado, quando este foi acusado de incitar à insurreição. No final, o ex-presidente acabou por sair "ileso".
“Um dia triste para o partido de Lincoln”
Esta é a primeira vez que o Comité Nacional do Partido Republicano repreende formalmente algum dos seus membros.
“Isto não se trata de opiniões divergentes. Trata-se de terem tentado ajudar [a democrata e presidente da Câmara dos Representantes] Nancy Pelosi”, criticou na reunião desta sexta-feira o republicano David Bossie, que é aliado de Donald Trump e redigiu a resolução inicial com vista à expulsão dos dois colegas do partido.
Ainda antes de ver aprovada a reprimenda contra si, a congressista Liz Cheney reagiu dizendo que este “é um dia triste para o partido de [Abraham] Lincoln”.
“Se a censura é o preço a pagar por dizer a verdade e querer chegar ao fundo do que realmente aconteceu no dia 6 de janeiro, assegurando que os responsáveis sofrem as consequências, então podem ter a certeza que vou continuar a defender aquilo que sei estar correto”, declarou a republicana.
Para Cheney, “os líderes do Partido Republicano quiseram tornar-se reféns de um homem que admite ter tentado reverter os resultados de umas eleições presidenciais e que sugeriu conceder perdões aos participantes no motim, alguns deles acusados de conspiração”.
O senador veterano Mitt Romney, também republicano, saiu em defesa dos colegas repreendidos. “É um vergonha para o partido o facto de censurar pessoas de consciência, que procuram a verdade apesar das críticas. Liz Cheney e Adam Kinzinger mostram enorme honra ao perseguirem a verdade, mesmo quando tal vem com grandes custos pessoais”, escreveu no Twitter.
Ataque ao Capitólio fez cinco mortos
Os apoiantes pró-Trump invadiram o edifício do Capitólio a 6 de janeiro de 2021, à mesma hora em que o Colégio Eleitoral votava para atribuir oficialmente a vitória das presidenciais ao democrata Joe Biden.
O incidente, ocorrido depois de o próprio Trump ter incentivado os seus apoiantes a manifestarem-se, resultou em cinco vítimas mortais e dezenas de detidos. Levou ainda a que o Partido Democrático avançasse com um novo processo de destituição contra Donald Trump, que acabou por ser absolvido.
Para além dos cinco mortos no incidente, cerca de 140 agentes da polícia ficaram feridos e outros quatros agentes cometeram suicídio desde então.
Um questionário realizado pela agência Reuters revelou que cerca de 55 por cento dos republicanos nos Estados Unidos acreditam, tal como Trump, ter havido fraude eleitoral, mesmo depois de essa acusação ter já sido rejeitada por dezenas de tribunais, departamentos estatais e membros da antiga Administração da Casa Branca.
Os congressistas Liz Cheney e Adam Kinzinger foram, deste modo, acusados de “participarem numa perseguição liderada por democratas a cidadãos comuns envolvidos num discurso político legítimo”.
A resolução, entretanto tornada pública, refere ainda que “através de ações e palavras”, os dois republicanos mostraram “apoiar mais os esforços dos democratas para destruir o presidente Trump do que os esforços para alcançar uma maioria republicana no Congresso em 2022”.
Também por essa razão, o Comité Nacional Republicano decidiu “cessar imediatamente todo e qualquer apoio” a Cheney e Kinzinger, apesar de não os ter expulsado do partido, como inicialmente foi proposto.
Here is the draft censure resolution from Trump ally Dave Bossie and RNC Chair Ronna McDaniel against Rep. Liz Cheney. pic.twitter.com/EJ7O0XyUAk
— Josh Dawsey (@jdawsey1) February 4, 2022
A decisão foi tomada mais de um ano depois do incidente que teve lugar no Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, e que muitos acreditam ter sido motivado por discursos do ex-presidente Donald Trump, que sempre defendeu a teoria de fraude eleitoral nas eleições que deram posse a Joe Biden.
Cheney e Kinzinger, ambos membros da Câmara dos Representantes, chegaram mesmo a votar a favor do impeachment de Trump no ano passado, quando este foi acusado de incitar à insurreição. No final, o ex-presidente acabou por sair "ileso".
“Um dia triste para o partido de Lincoln”
Esta é a primeira vez que o Comité Nacional do Partido Republicano repreende formalmente algum dos seus membros.
“Isto não se trata de opiniões divergentes. Trata-se de terem tentado ajudar [a democrata e presidente da Câmara dos Representantes] Nancy Pelosi”, criticou na reunião desta sexta-feira o republicano David Bossie, que é aliado de Donald Trump e redigiu a resolução inicial com vista à expulsão dos dois colegas do partido.
Ainda antes de ver aprovada a reprimenda contra si, a congressista Liz Cheney reagiu dizendo que este “é um dia triste para o partido de [Abraham] Lincoln”.
“Se a censura é o preço a pagar por dizer a verdade e querer chegar ao fundo do que realmente aconteceu no dia 6 de janeiro, assegurando que os responsáveis sofrem as consequências, então podem ter a certeza que vou continuar a defender aquilo que sei estar correto”, declarou a republicana.
Para Cheney, “os líderes do Partido Republicano quiseram tornar-se reféns de um homem que admite ter tentado reverter os resultados de umas eleições presidenciais e que sugeriu conceder perdões aos participantes no motim, alguns deles acusados de conspiração”.
O senador veterano Mitt Romney, também republicano, saiu em defesa dos colegas repreendidos. “É um vergonha para o partido o facto de censurar pessoas de consciência, que procuram a verdade apesar das críticas. Liz Cheney e Adam Kinzinger mostram enorme honra ao perseguirem a verdade, mesmo quando tal vem com grandes custos pessoais”, escreveu no Twitter.
Ataque ao Capitólio fez cinco mortos
Os apoiantes pró-Trump invadiram o edifício do Capitólio a 6 de janeiro de 2021, à mesma hora em que o Colégio Eleitoral votava para atribuir oficialmente a vitória das presidenciais ao democrata Joe Biden.
O incidente, ocorrido depois de o próprio Trump ter incentivado os seus apoiantes a manifestarem-se, resultou em cinco vítimas mortais e dezenas de detidos. Levou ainda a que o Partido Democrático avançasse com um novo processo de destituição contra Donald Trump, que acabou por ser absolvido.
Para além dos cinco mortos no incidente, cerca de 140 agentes da polícia ficaram feridos e outros quatros agentes cometeram suicídio desde então.
Um questionário realizado pela agência Reuters revelou que cerca de 55 por cento dos republicanos nos Estados Unidos acreditam, tal como Trump, ter havido fraude eleitoral, mesmo depois de essa acusação ter já sido rejeitada por dezenas de tribunais, departamentos estatais e membros da antiga Administração da Casa Branca.