EUA planeiam indiciar ex-presidente de Cuba, Raúl Castro

EUA planeiam indiciar ex-presidente de Cuba, Raúl Castro

Um funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, afirmou, sob anonimato, que o Departamento de Justiça norte-americano se prepara para acusar o ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, pelo abate, em 1996, de dois aviões pertencentes à organização de exilados cubano-americanos Irmãos ao Resgate.

Graça Andrade ramos - RTP /
Ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, dia 1 de maio de 2025 Foto: Norlys Perez - Reuters

A acusação terá de ser aprovada por um grande júri, e não há data para se concretizar, mas, quinta-feira, a fonte acrescentou que parece iminente.

As autoridades cubanas não se pronunciaram imediatamente sobre o assunto.

O presidente norte-americano, Donald Trump, recusou comentar a possível  indiciação. "Deixarei que o Departamento de Justiça se pronuncie sobre isto, mas eles (os cubanos) precisam de ajuda, como sabem", afirmou esta sexta-feira.

O congressista norte-americano Carlos Giménez disse à CNN que o Ministério Público do Distrito Sul da Florida deverá realizar uma conferência de imprensa sobre a acusação no dia 20 de maio, Dia da Independência de Cuba.
"A Irmãos ao Resgate era uma organização que realizava voos sobre o Estreito da Florida para resgatar os milhares de cubanos que se atiravam ao mar, tentando atravessar o Estreito em busca da liberdade", disse Giménez. A organização mudou depois o foco de auxiliar na localização de balseros para sobrevoar o espaço aéreo cubano e lançar panfletos antigovernamentais. 
Quatro deputados cubano-americanos solicitaram em fevereiro ao Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), que considerasse indiciar Castro pelo abate das duas aeronaves Cessna desarmadas da Irmãos ao Resgate, pela Força Aérea Cubana. 

No incidente morreram quatro pessoas, três delas cidadãos norte-americanos.

Na altura, Raúl Castro era o ministro da Defesa da ilha. O governo cubano queixou-se depois à administração Clinton, então no poder, sobre os voos.
Visita de Ratcliffe

A notícia da possível acusação dá-se em plena pressão norte-americana sobre a economia e o setor energético da ilha e seguiu-se a uma visita invulgar do diretor da CIA a Havana, esta quinta-feira. John Ratcliffe liderou uma delegação norte-americana tendo-se reunido com homólogos ​​do Governo cubano.

A delegação norte-americana enfatizou "a necessidade de Cuba realizar reformas económicas e de governação significativas para aumentar a competitividade, atrair investimento estrangeiro e permitir o crescimento liderado pelo sector privado", segundo fontes da Administração Trump.

A delegação exigiu ainda que o Governo cubano libertasse os presos políticos e aumentasse as "liberdades políticas", tendo também manifestado preocupação "com a atuação de grupos de inteligência estrangeiros, militares e terroristas que operam com a permissão do Governo cubano a menos de 160 quilómetros do território americano" acrescentaram as mesmas fontes. 

Havana afirmou que, os seus representantes sublinharam na reunião que Cuba “não constitui uma ameaça à segurança nacional dos EUA” e que não há “razões legítimas” para a incluir na lista de Estados patrocinadores do terrorismo dos EUA, como ocorreu durante a Administração Trump.

Insistiram ainda que o país não alberga, apoia ou financia terroristas, algo de que os EUA o acusam há algum tempo, e negaram abrigar bases militares ou de inteligência estrangeiras.

c/agências
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