Factor de poluição. Há cada vez mais sites ecologistas a vigiarem os voos privados

por RTP
Pedro A. Pina/ RTP

A frequente utilização de jatos privados por personalidades do espetáculo, negócios ou política, para viagens de muito curta duração, foi acompanhada do crescimento do número de 'sites' automatizados que acompanham as movimentações dos mais ricos. É, também, cada vez maior o público que acompanha esta nova ferramenta dos ecologistas para encorajar a redução da pegada de carbono.

A prática do rastreamento de voos, ou ‘flight tracking’ em Inglês, que consiste em acompanhar a deslocação de aviões privados a partir dos sinais que estes transmitem publicamente, ganhou adeptos com a pandemia e com a guerra a Ucrânia.

A viagem a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos foi seguida por três milhões de utilizadores no site FlightRadar24, mais um milhão do que o número diário de habituais utilizadores, e que levou a que o site estivesse temporariamente inacessível.

Desde o primeiro momento, rastrear os voos de celebridades como Kylie Jenner, a cantora Taylor Swift ou o rapper Drake, visa denunciar a poluição causada e pressionar para a redução da pegada de carbono produzida devido à utilização de voos privados para viagens que poderiam ser feitas em meios de transporte menos poluentes, como o comboio. Para o efeito são utilizadas plataformas como ABS-B Exchange, FlightAware ou FlightRadar24.

Potenciada pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, a curiosidade de um crescente número de visitantes continuou a ser estimulada com a criação de contas automatizadas nas redes sociais, ou ‘bots’, que acompanham as deslocações de personalidades. As contas @ElonJet e @ZuccJet seguem empresários como Elon Musk e Mark Zuckerberg, bem como uma série de celebridades e milionários, mas também o Estado russo.
 
Tal como um grande número de contas idênticas, foram criadas pelo americano Jack Sweeney e cada tweet faz referência às emissões de CO2. “Foi algo que os meus assinantes me pediram para adicionar”, afirmou Jack Sweeney em maio.

Inspirados por Sweeney, surgem contas como @iflybernard e @laviondebernard, que seguem as viagens do homem mais rico de França, o empresário Bernard Arnault, mas também de outros milionários e de grandes empresas. A “nossa intenção é mostrar que um grande painel de pessoas continua usar os seus jatos particulares em plena emergência climática”, referem dois administradores da conta @laviondebernard ao Le Monde.

Estas contas também suscitam críticas no que se refere ao respeito pela privacidade, ao que os administradores retorquem que os dados de voo são públicos. "Não dá para dizer que são viagens particulares e ao mesmo tempo colocar o seu jato no nome da empresa", respondem. “Se, para alguns, a nossa conta viola a privacidade, os usuários de jatos particulares violam a vida na Terra, ponto final”, dizem os administradores da conta.

Se dúvidas houvesse de que a monitorização de deslocações está em expansão, a emulação destas páginas em diferentes países, como a Itália e a Noruega, está aí para o provar.

Além disso, um novo veículo muito poluente com fãs entre os milionários começa a ser rastreado. Desde julho, a página @YachtCO2tracker começou a monitorizar iates.
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