Segunda-feira de manhã, estavam contabilizados 17 mortos. Só na Carolina do Norte, quase mil pessoas foram retiradas de casa e 15 mil permanecem em abrigos.
As autoridades pedem que permaneçam ali ainda mais alguns dias.
"A tempestade nunca foi tão perigosa como agora", alertou o governador
deste Estado, Roy Cooper, em conferência de imprensa. Os níveis
de muitos rios "estão ainda a subir e não deverão atingir o pico antes
de hoje ao fim do dia ou de amanhã."
Ou seja, segunda ou terça-feira, de acordo com os serviços meteorológicos dos EUA.
O furacão passou a depressão tropical, mas os seus efeitos continuam a ameaçar milhares de pessoas. Estão confirmados pelo menos 17 mortos. Só na Carolina do Norte, quase mil pessoas foram retiradas de casa e outras 15 mil permanecem em abrigos. Desde quinta-feira, chove sem parar nos Estados norte-americanos da Carolina do Norte, da Carolina do Sul e da Virgínia, com alguns locais a receber mais de um metro de água.
Em várias localidades ao longo de toda a semana, só será possível circular de barco.
A tempestade regista agora ventos de 45 quilómetros por hora e está a
230 quilómetros a oeste-nordeste de Greensboro, Carolina do Norte.
Deverá continuar a enfraquecer ao longo de segunda-feira mas os
meteorologistas preveem que volte a ganhar força terça e quarta-feira.
As autoridades avisam que a precipitação intensa se irá manter manter nos próximos dias em
partes da Carolina do Norte e no nordeste da Carolina do Sul, até
Virgínia ocidental, e as inundações repentinas vão afetar áreas em toda a
região sul atlântica ocidental.
Pelo menos mais 20
centímetros de chuva poderão cair em certas zonas, levando também a um risco
elevado de deslizamentos de terras no oeste da Carolina do Norte.
Cidades-ilha
De Wilmington, o caso mais grave, foram retiradas até agora 400 pessoas. A cidade histórica na Carolina do Norte, com 177 mil habitantes e edificada numa península entre Cape Fear River e o Oceano Atlântico, está isolada do continente.
"Não há estradas... Nenhuma das que vêm para Wilmington está transitável, porque as inundações agora estão a ocorrer no interior", explicou o autarca de Wilmington, Bill Saffo, à rádio WHQR.
Estão a ser planeadas operações aéreas para levar água e alimentos a milhares de pessoas que recusaram fugir.
Os residentes esperam horas à porta de lojas e de restaurantes para conseguir necessidades básicas, como água potável. A polícia guarda as entradas dos recintos, deixando entrar apenas 10 pessoas de cada vez.
Próximo de Wilmington, a auto-estrada 17 está sob três metros de água. Ali próximo, os habitantes de Leland, cujas casas e negócios estão submersos, dizem que nunca viram nada assim.
O departamento do xerife e habitantes locais auxiliados por pessoas vindas do Texas, recolhem pessoas isoladas com barcos, salvando famílias inteiras, bebés, idosos e animais de estimação.
Estações de combustível foram abandonadas e árvores caídas bloqueiam os caminhos. Por todo lado é audível o zumbir dos geradores.
Recorde de precipitação
Mais de 641 mil casas continuam sem eletricidade na Carolina do Norte e do Sul e nos estados circundantes.
O furacão Florence quebrou todos os recordes para a queda chuva num furacão, ultrapassando o recorde anterior de 61 centímetros estabelecido em 1999 pelo furacão Floyd, que fez 56 mortos.
Até agora, estão contabilizados 11 mortos na Carolina do Norte, incluindo uma mãe e um filho atingidos por uma queda de árvores. Seis pessoas morreram na Carolina do Sul, quatro em acidentes de carro e duas asfixias pelo monóxido de carbono emitido por um gerador.
O Governador da Carolina do Sul, Henry McCaster, apelou quem vive em zonas sujeitas a inundações a sair de casa e dirigir-se a abrigos.
"Estes rios na Carolina do Norte que receberam chuva torrencial estão a vir na nossa direção", explicou McCaster. "Ainda não começaram a subir. Mas vão faze-lo. A questão é saber quanto vão subir e não sabemos".