Flotilha. MNE convoca embaixador de Israel em protesto por detenção de dois médicos portugueses

Flotilha. MNE convoca embaixador de Israel em protesto por detenção de dois médicos portugueses

O bastonário da Ordem dos Médicos entrou em contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre a detenção por Israel de dois clínicos portugueses que participaram na missão "Sumud Global Flotilla". O MNE já convocou o embaixador israelita em Lisboa, em protesto contra a detenção.

RTP /
Mascaras símbolo da Sumud Global Flotilla Foto: Efekan Akyuz - Reuters

Os dois médicos foram detidos em "violação da ordem internacional", indignou-se o ministro Paulo Rangel em declarações à Lusa, à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Ayman Safadi, no Palácio das Necessidades.

"Uma vez que esta ação de Israel, tal como a anterior de há umas semanas, foi feita em águas internacionais e, portanto, em violação do direito internacional, e dado que nós queremos garantir um tratamento de respeito absoluto pela integridade e pelos direitos fundamentais dos cidadãos em causa, convocámos hoje mesmo para o ministério o embaixador de Israel para fazermos o nosso protesto e para exigirmos esse tratamento e a reposição da legalidade internacional assim que possível", afirmou Rangel. 

Os activistas pró-Palestina da Global Sumud, denunciaram, esta segunda-feira, a interceção por forças israelitas, de uma flotilha de mais de 50 barcos, oriundos da Turquia, que transportavam ajuda humanitária para Gaza. 

Os navios foram intercetados em águas internacionais, 250 milhas náuticas a oeste de Chipre. A Flotilha Global Sumud (GSF) declarou que a sua frota foi abordada no que chamou de "mais uma agressão ilegal em alto-mar", a cerca de 460 km de Gaza, que está sob bloqueio marítimo israelita. A transmissão em direto da flotilha mostrou comandos a embarcar em vários barcos. 

No mês passado, as forças israelitas interceptaram 22 barcos da mesma flotilha perto de Creta. 

Nesse incidente, foram detidos 181 activistas a bordo, dos quais todos, excepto dois, foram libertados na ilha grega no dia seguinte.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusa o movimento islamita Hamas, que considera terrorista, de envolvimento direto na Global Sumud e financiamento das flotilhas, com base em documentos alegadamente encontrados em Gaza durante a invasão do enclave palestiniano.

A organização nega, alegando que o seu financiamento provém de donativos de privados.
Ordem dos Médicos denuncia detenção

Em comunicado a que a RTP teve acesso, a Ordem dos Médicos referiu que "foi informada esta tarde da detenção" de dois médicos lusos, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, quando seguiam a bordo do navio 'Tenaz' e a embarcação foi intercetada por Israel em águas internacionais.
O ministério informou a Ordem que "os dois médicos se encontram sob custódia das autoridades israelitas, devendo posteriormente ser repatriados para Portugal", acrescentou o comunicado.
No texto, o bastonário, Carlos Fortes, garantiu que "a Ordem dos Médicos está a acompanhar em permanência a situação em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o Ministério da Saúde".

Solicitou a estas entidades "a devida observância da legislação internacional, ao abrigo da Convenção de Genebra e das normas da Associação Médica Mundial, no sentido de acionar todos os mecanismos diplomáticos necessários ao regresso seguro dos dois cidadãos" portugueses.

Sublinhou também a importância "da garantia plena da integridade física e psicológica dos dois portugueses".

"Os médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias. Nunca podem ser alvo de violência, intimidação ou qualquer forma de condicionamento, independentemente do contexto político ou militar", afirmou. "A Ordem dos Médicos continuará a acompanhar o caso com a máxima atenção", prometeu ainda Carlos Fortes, "mantendo contacto permanente com as autoridades portuguesas".

A Ordem "reafirma o compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade humana e da proteção dos médicos em todas as circunstâncias", concluiu o comunicado.

Além dos dois clínicos portugueses, várias dezenas de cidadãos espanhóis seguiam também na flotilha intercetada por Israel, tendo sido entre dez e 20 os detidos pelas autoridades israelitas, indicou o Governo espanhol.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, indicou que a flotilha tinha 54 embarcações, em que seguiam perto de 500 tripulantes e 45 seriam espanhóis, embora se trate de uma informação ainda não "totalmente verificada".
Aplauso de Netanyahu

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção pelas forças israelitas de uma nova "flotilha para Gaza", ao lago da costa de Chipre, acusando-a de ser uma iniciativa maliciosa por pretender quebrar o bloqueio que Israel diz impor "aos terroristas do Hamas".

Até agora, as autoridades israelitas não divulgaram o número de detidos nem de embarcações intercetadas.

Numa mensagem na rede social X, a Global Sumud afirmou que embarcações militares intercetaram a flotilha de forma "ilegal e violenta" e que as forças israelitas abordaram as embarcações "sequestrando os voluntários", e exigiu "a libertação imediata dos ativistas e o fim do bloqueio a Gaza". A agência AFP, indica que sites de rastreio de navegação mostram vários navios parados a oeste da ilha mediterrânica de Chipre.

Esta é a terceira tentativa num ano de uma flotilha chegar à Faixa de Gaza, devastada pelo conflito iniciado em outubro de 2023 com a invasão israelita, após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção das embarcações, denunciando um plano "mal-intencionado".

Dirigindo-se ao comandante naval israelita responsável pela operação, segundo um comunicado do gabinete do chefe de governo, este considerou a intervenção "um sucesso notável", ordenando a mesma a prosseguir "até ao fim".

c/Lusa
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