França aprova projeto de lei para limitar a "fast fashion"

A Assembleia Nacional francesa aprovou por unanimidade, na quinta-feira, a introdução de medidas destinadas a travar o afluxo de vestuário de baixo custo e produzido em massa, predominantemente proveniente da China, incluindo a proibição de publicidade para a venda de roupas a preços reduzidos e uma penalização ambiental para as tornar menos atrativas.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
A roupa que não está em condições de ser vendida pelos comerciantes no Mercado de Kantamanto acaba na praia de Osu, em Accra, no Gana. Agenda Global da Moda/Cimeira Global da Moda 2023 - Reuters

A aprovação de um projeto de lei pioneiro para travar o ritmo desenfreado da moda rápida e barata, designada fast fashion, poderá fazer de França "o primeiro país do mundo a legislar para limitar os excessos da ultra fast-fashion", congratulou-se o ministro francês da Transição Ecológica, Christophe Béchu, na quinta-feira.


O projeto de lei, aprovado por todos os deputados da Assembleia Nacional, deverá ainda ser examinado pelo Senado francês antes de se tornar lei. A proposta apresentada pelo partido de direita “Horizons” (Horizontes, em português) pretende introduzir medidas rigorosas para promover a proteção ambiental e salvaguardar a indústria têxtil e de alta-costura francesa.

"A indústria têxtil é a mais poluente, sendo responsável por dez por cento das emissões de gases com efeito de estufa", afirmou Anne-Cécile Violland, deputada do partido Horizons, referindo também a poluição das águas, , causada pelas práticas de produção intensiva levadas ao extremo.

Na mira deste projeto de lei estão os gigantes da ultra fast-fashion, nomeadamente as empresas chinesas Shein e Temu, que brevemente poderão vir a ser proibidas de fazer publicidade aos seus produtos e empresas recorrendo ao marketing abusivo e deverão começar a sensibilizar os consumidores para o “impacto ambiental dos seus produtos”

Estas empresas poderão ser multadas com coimas que poderão ir dez euros por produto até 2030, com um limite máximo de 50 por cento do preço de venda.


Apesar da luta nacional que vem de ser declarada contra a indústria da moda pelos deputados franceses que pretendem reduzir o fascínio dos consumidores pelos artigos da fast fashion, o ministro francês da Transição Ecológica, recordou numa entrevista ao canal franceinfo que "cada um é responsável" pelo seu consumo.

c/agências
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