Fritzl confessou todos os crimes
O homem acusado de violar a filha ao longo de 24 anos, na Áustria, confessou todos os crimes no início do terceiro dia do julgamento, classificando os seus actos de "comportamento doentio". Fritzl tem um grave distúrbio de personalidade e deveria ficar detido numa prisão para pessoas com problemas psiquiátricos, defende uma especialista.
"Declaro-me culpado de todas as acusações", tendo lamentado o seu comportamento doentio. O acusado admitiu culpa até da morte do recém-nascido, em 1996. Segundo a acusação, a criança teria sobrevivido se ele e a mãe não estivessem fechados numa cave.
"Não sei porque não ajudei", respondeu o homem, tendo acrescentado na altura "pensava que o pequenito sobrevivia". Contudo, o seu advogado tinha afirmado anteriormente que Fritzl só viu o bebé depois de morto.
A confissão surpreendeu todos os que estavam na sala de audiência do tribunal de Sainkt Poelten, incluindo o seu advogado. Rudolf Mayer admitiu estar "muito, muito surpreendido" com a nova posição de Fritzl.
O depoimento da filha e principal vítima, que durou 11 horas, foi determinante para que Fritzl tivesse decidido admitir culpa, referiu o próprio ao juiz. Fontes próximas dizem que o homem, de 73 anos, está afectado porque a sua vítima estaria na sala durante as sessões. Elisabeth, agora com 42 anos, e os seis filhos vivos, incluindo os três que estavam a ser criados por Fritzl, está a receber apoio psicológico.
A sentença deverá ser lida amanhã.
Perfil psicológico
Fritzl tem uma forte necessidade de controlar as pessoas, referiu a psiquiatra Adelheid Kastner durante a sessão. Esta tendência, conjugada com fortes desvios sexuais, levou a especialista a não ter dúvidas que Fritzl "nasceu para violar".
"O clima na casa dos pais era pautado pelo medo", explicou a especialista, que se encontrou com o acusado várias vezes para fazer, durante o julgamento, uma avaliação psicológica do homem.
"Isto está relacionado com posse... poder... controlo", por isso, quanto maior o número de crianças, mais profundo seria o controlo que Fritzl teria sobre a sua vítima.
Segundo a psiquiatra, o homem tem noção da gravidade dos seus actos e que estes são errados, sentido em permanência a "consciência pesada". Contudo, esta capacidade é conjugada com um dispositivo de bloqueio, para o afastar dos seus crimes.
Kastner nota que a libertação de Fritzl, mesmo em idade avançada, constitui um perigo para a sociedade e recomendou que a pena se cumpra num hospital psiquiátrico.
Fritzl foi uma criança não desejada e com falta de amor, que cresceu a desejar ter alguém que lhe pertencesse só a ele, concluiu.