Furacão Dorian aproxima-se da costa da Florida e da Carolina do Sul

O furacão Dorian deve atingir esta segunda-feira a costa este dos Estados Unidos. A tempestade atingiu no domingo a categoria cinco, o nível máximo da escala. As previsões apontam para que afete com intensidade os Estados da Florida e da Carolina do Sul. Nas Bahamas há já um morto a registar. Um menino de oito anos que morreu afogado na Ilha Ábaco.

Cristina Sambado - RTP /
Maria Alejandra Cardona - Reuters

Os Estados Unidos já emitiram um alerta para a costa este, prevenindo as populações para aquela que é a mais forte tempestade no Atlântico a chegar a terra desde 1935.

Perto de 800 voos foram cancelados.

Domingo, o furacão atingiu as Bahamas com ventos que ultrapassaram os 300 quilómetros por hora, arrancando telhados, virando automóveis e abatendo postes de eletricidade. Nas últimas horas, houve várias inundações nas Ilhas Ábaco.

Um menino de oito anos que terá morrido afogado, tornou-se a primeira vítima mortal do Dorian. A irmã está dada como desaparecida. As duas crianças estavam na Ilha Ábaco.

No norte do arquipélago, os hotéis encerraram e o Governo está a montar abrigos em igrejas e escolas.

O Dorian tornou-se a tempestade mais forte a atingir as Bahamas desde que há registos.

O primeiro-ministro das Bahamas afirmou que a passagem do furacão Dorian foi o pior dia que teve na vida e classificou a situação como uma “tempestade monstruosa”, que “nos vai colocar num teste que nunca enfrentámos”.

“Este deve ser o dia mais triste e pior da minha vida, em que estou a falar ao povo das Bahamas. Muitos não ouviram o meu aviso, muitos ficaram para trás e ainda há pessoas na zona oeste que recusaram partir”, afirmou Hubert Minnis.

“Só lhes posso dizer que espero que esta não seja a última vez que ouvem a minha voz”, acrescentou o primeiro-ministro do arquipélago.

Cerca de 13 mil casas poderão ter sido danificadas ou destruídas pela força de ventos que atingiram os 300 quilómetros por hora.

"Não temos ainda uma imagem completa do que aconteceu. Mas é claro que o furacão Dorian teve um impacto catastrófico", declarou Sune Bulow, chefe do centro de operações de emergência da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR).

Bulow explicou que a organização com sede em Genebra está a responder a "necessidades de abrigo importantes", de acordo com um comunicado citado pela agência France-Presse.

A população daquele arquipélago caribenho tem ainda necessidade de água potável, assistência sanitária e de apoio económico a curto prazo, precisa o responsável.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários já revelou ter destacado pessoal para Nassau, nas Bahamas, para dar apoio na resposta ao impacto do Dorian.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos adiantou alguma informação sobre os estragos que o furacão provocou nas Bahamas.

“Uma maré capaz de ameaçar vidas e ventos fortes são esperados ao longo de partes da costa este da Flórida até meio da semana, e os respetivos alertas estão em vigor. Um pequeno desvio para a esquerda da previsão oficial poderia levar o núcleo do Dorian para perto ou sobre a costa este da Flórida”, pode ler-se numa mensagem do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, que assinala que os ventos de quase 300 quilómetros por hora são os mais fortes registados desde 1935 por um furacão a chegar a terra a partir do Oceano Atlântico.


A instituição, que tem partilhado desenvolvimentos do furacão de categoria 5 (numa escala de 5) na rede social Twitter, acrescenta que “há uma probabilidade crescente de que ventos fortes e uma maré de tempestade perigosa atinjam as costas da Geórgia, da Carolina do Sul e da Carolina do Norte no final desta semana”.

“Uma maré capaz de ameaçar vidas e ventos fortes são esperados ao longo de partes da costa este da Florida até meio da semana, e os respetivos alertas estão em vigor. Um pequeno desvio para a esquerda da previsão oficial poderia levar o núcleo do Dorian para perto ou sobre a costa este da Florida”, pode ler-se numa mensagem do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos.

Em 2017, os furacões Irma e Maria atingiram as Caraíbas, e o Maria provocou mais de 3.000 mortos em Porto Rico. Em 2018, o Michael destruiu várias áreas de Panhandle, na Florida, que ainda estão a recuperar.
Governadores ordenam evacuação das zonas costeiras

Segundo a Cruz Vermelha norte-americana, 19 milhões de pessoas vivem nas zonas que poderão ser afetadas pela intempérie e um número estimado de até 5.000 pessoas na Florida, Geórgia e Carolina do Sul poderão vir a precisar de abrigo de urgência em função do impacto dos ventos e chuvas.

O governador de Geórgia ordenou a evacuação de toda a costa daquele estado norte-americano. Num comunicado divulgado na rede social Twitter, Brian Kemp explicou que a sua ordem executiva cobre todos as localidades situadas a leste do corredor atravessado pela principal rodovia interestadual na costa atlântica da Geórgia, de forma a prevenir as populações.

Horas antes, o governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, também ordenou uma evacuação obrigatória de toda a costa daquele estado, que poderá vir a ser atingido pelo furacão ao longo da semana. A ordem abrange cerca de um milhão de pessoas.

Espera-se que os ventos de força tropical do furacão Dorian chegem à Carolina do Sul às oito da manhã desta quarta-feira. Com base nas últimas previsões e análise da tempestade que temos acompanhado cuidadosamente e após uma longa consulta junto dos responsáveis pelos serviços de emergência e aqueles que veem aqui hoje, vou emitir uma retirada obrigatória que terá início ao meio-dia e segunda-feira”, afirmou.

Também o Governador da Florida apelou às habitantes para que abandonem a região.

“Continuamos a tomar todas as preocupações necessárias e a pedir às pessoas do Estado da Florida para se prepararem e respeitarem as ordens de retirada. Esta tempestade foi ligeiramente mais para oeste do que esperávamos”, afirmou Ron deSantis

“Esperávamos que fosse mais para este, mas aproximou-se mais um pouco da costa da Florida. A tempestade abrandou, mas precisamos que abrande mais para garantir que quando virar para norte não tenha um impacto direto na costa da Florida. Não podemos dizer que isso não é uma possibilidade. Acho que é importante que nos preparemos para isso, para uma potencial chegada a terra aqui”, acrescentou.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) enviou desde quinta-feira, durante vários voos, um avião WP-3D Orion, para fazer medições dentro do olho do furacão.



O WP-3D Orion está equipado com vários instrumentos científicos, radares e sistemas de gravação, que ajudam a NOAA a monitorizar furacões e outras tempestades severas.

Na página da internet do NOAA é possível acompanhar em tempo real o trajeto do furacão Dorian.



Também a NASA divulgou imagens captadas pela Estação Espacial Internacional que mostram o furacão a mover-se na direção oeste com ventos de 320 quilómetros por hora.



As imagens foram captadas no domingo, a 260 milhas de altitude.

C/Agências
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