G7 empenhado em restabelecer confiança nos mercados

O G7 decidiu avançar com várias medidas para desbloquear o problema do crédito nos mercados monetários. Na reunião de emergência em Washington, os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do grupo dos sete países mais industrializados acordaram cinco medidas fundamentais para lidar com a actual crise mundial. Do encontro saiu ainda a ideia de que todas as acções devem ser tomadas a uma só voz.

Paulo Alexandre Amaral, RTP /
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA e figura central de todo o processo, encaminha-se para a fotografia de grupo Shawn Thew/EPA

No final da reunião, o Departamento do Tesouro norte-americano declarava em nome do grupo que "o G7 concordou que a situação actual exige uma acção urgente e excepcional".

Pressionados pela situação financeira que se vive por todo o globo e com os mercados a manifestarem clara incapacidade para estancar a ferida provocada pela falência do subprime nos Estados Unidos, o G7 saiu da sala com um "plano de acção" composto de cinco medidas fundamentais:

- O grupo decidiu que devem ser tomadas acções para assegurar aos bancos um acesso a maior liquidez;

- É igualmente prioritário proteger as principais instituições bancárias e impedir novas falências;

- Vai ser fornecido apoio aos esforços dos bancos para obter dinheiro de fontes públicas e privadas;

- O grupo pretende fortalecer os seguros e tentar revitalizar o mercado de financiamento de hipotecas;

- Um último item aponta para o compromisso de desbloquear o crédito.

"Comprometemo-nos a trabalhar em conjunto para estabilizar os mercados financeiros e restabelecer o fluxo de crédito, para apoiar o crescimento económico mundial", pode ler-se no texto conjunto assinado pelos membros do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Grã-Bretanha, Japão e Itália).

Assumindo como prioridade a revitalização da confiança dos depositantes na segurança das suas poupanças, o G7 declarou o total empenho no sentido de "tomar todas as medidas necessárias para desbloquear os mercados monetários e de crédito para garantir que os bancos e instituições financeiras tenham liquidez e capital garantidos".

Henry Paulson sublinha importância de um pacote comum de medidas

No final da reunião, o responsável pelo Tesouro norte-americano sublinhou a importância das decisões do G7, sublinhando que nunca como agora foi tão fundamental encontrar soluções comuns e agir a uma só voz para fazer frente à crise.

"O G7 conseguiu uma parceria e uma cooperação internacional sólidas. Nunca foi tão importante encontrar soluções colectivas para garantir a estabilidade e a eficácia dos mercados financeiros e restabelecer a saúde da economia mundial", declarou Paulson após a reunião.

Num comentário ao plano aprovado na capital dos Estados Unidos, o secretário do Tesouro sublinhou a determinação do grupo em definir uma estratégia que deverá garantir um "quadro coerente para dirigir as políticas individuais e colectivas no sentido de garantir liquidez nos mercados, reforçar as instituições financeiras, proteger as famílias e reforçar as protecções oferecidas aos investidores".

Sublinhando que "as condições encontradas nos mercados financeiros mundiais são muito difíceis", Henry Paulson deixou ainda um alerta para que se continue a "coordenar estreitamente as iniciativas e trabalhar no seio de um quadro comum", o que deverá evitar que uma solução implementada "num país não se faça em detrimento de outros ou da estabilidade do sistema no seu conjunto".

Paulson fala em tempos difíceis e desafio sem precedentes

Ainda ontem, Henry Paulson anunciava que o plano da sua autoria tinha condições para ser posto em marcha e que a Administração iria avançar com a compra de acções das instituições financeiras em dificuldades.

Estamos "prontos a aplicar estratégias para comprar e garantir os activos hipotecários e garantir participações em capital no seio das instituições financeiras, enquanto for necessário, para assegurar a estabilidade nos mercados financeiros", indicou.

O responsável máximo pelas Finanças do gigante americano voltou contudo a deixar um recado muito claro ao mundo dos negócios: "nos Estados Unidos, a nossa economia deve fazer frente a um período prolongado de incerteza e os nossos mercados financeiros são confrontados com desafios extraordinários em sem precedentes".

FMI disponibiliza 186 mil milhões de euros em ajudas

Na véspera da assembleia anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, marcada para este sábado em Washington, o Fundo Monetário Internacional colocou ontem à disposição dos seus 185 Estados-membros um bolo total de ajudas no valor de 186 mil milhões de euros.

O fundo activado na passada quarta-feira pelo director do FMI, Dominique Strauss-Kahn, destina-se a ajudar os países em dificuldades a ultrapassar a crise mundial, sendo atribuído em forma de empréstimos urgentes a quem deles necessitar.

Até ao momento, nenhum país solicitou oficialmente ajuda ao FMI. Tudo aponta que venha a ser a Islândia o primeiro membro a fazê-lo, depois de o Governo se ter visto obrigado a nacionalizar três bancos em apenas uma semana.
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