General rebelde acusa Damasco de querer "queimar o país" com armas químicas

A acusação é do general Mustafa Sheik, um dos mais importantes desertores do exército sírio. Afirma que o governo de Bashar al-Assad está a redistribuir os seus arsenais de armas químicas para diversos pontos do país, na iminência de os usar em ataques militares.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Os bombardeamentos intensificaram-se nas cidades de Homs e de Aleppo, os rebeldes acusam o governo de Assad de se preparar para usar armas químicas Reuters

O general cita fontes de informação rebeldes obtidas nos últimos dias. "O regime começou a mover as suas reservas de armas químicas e a redistribuí-las em preparação para as utilizar", afirmou Mustafa Sheik numa entrevista à Agência Reuters, perto da fronteira com a Turquia.
O general Sheik está na Turquia desde janeiro, altura em que desertou do seu posto no exército sírio. Afirma que nos próximos dias se irá assistir ao aumento de intensidade das operações militares do regime contra os bastiões rebeldes em Damasco e na segunda maior cidade síria, Aleppo, perto da fronteira com a Turquia.
Já este sábado, o aumento dos bombardeamentos em Aleppo provocou uma nova onda de refugiados para o país vizinho.

"Estão a move-las dos armazéns para novos locais", acrescentou. "Querem queimar o país. O regime não quer cair sem causar um mar de sangue", garante.

Para Mustafa Sheik, o uso das armas químicas será uma retaliação pela morte num ataque à bomba de quatro dos maiores responsáveis pela estratégia militar e de segurança do governo.

O ataque desta terça-feira em Damasco, vitimou o ministro da Defesa, o vice-presidente e cunhado do Presidente Bashar al-Assad, e um general veterano. Sexta-feira, o diretor dos serviços de informação e segurança, sucumbiu aos ferimentos e morreu.
Arsenais químicos em mãos extremistas
As alegações de Sheik não podem ser verificadas e o governo sírio já afirmou não estar a redistribuir armas químicas nem pretender faze-lo, em resposta a alegações surgidas na semana passada.

Relatórios ocidentais denunciaram na altura a movimentação dos arsenais químicos sírios, mas sem ter certezas quanto aos objetivos, se o regime tentava evitar que os rebeldes se apropriassem deles, se estava a preparar-se para os usar em ataques militares.

Os países ocidentais receiam que as reservas sírias de armas químicas caiam nas mãos de grupos extremistas muçulmanos. Sexta-feira, Israel declarou-se preparado para agir militarmente para impedir que a guerrilha do Hezbollah, aliada do Presidente Bashar al-Assad, se aproprie dos arsenais químicos sírios.
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