Gronelândia. Ataque dos EUA a um parceiro da NATO "será o fim de tudo"

Na estação TV2, esta segunda-feira, a chefe de Governo da Dinamarca, mostrou-se alarmada com a eventualidade de uma tentativa armada norte-americana de anexação da Gronelândia.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Gronelândia. Ataque dos EUA a um parceiro da NATO "será o fim de tudo", avisa primeira-ministra da Dinamarca Mads Claus Rasmussen - Reuters

"Se os Estados Unidos atacarem outro país da NATO, será o fim de tudo", afirmou Matte Frederiksen. "Incluindo da nossa NATO e, portanto, a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial". A Dinamarca e os EUA são parceiros na Aliança e a Gronelândia, autónoma face a Copenhaga, está englobada na organização.

Donald Trump, que acusa a Dinamarca de não ter recursos para garantir a segurança da área, recusou até agora afastar a possibilidade de uma intervenção armada contra a maior ilha do mundo, território autónomo da Dinamarca.

A questão voltou a surgir após o ataque à Venezuela, sábado passado, para capturar o presidente Nicolás Maduro e levá-lo a julgamento nos EUA.

Questionado domingo, pela revista The Atlantic, sobre as possíveis implicações de uma acção semelhante contra a Gronelândia, o presidente norte-americano respondeu que caberia aos seus parceiros avaliá-las. "Deverão formar a sua própria opinião", referiu.

Trump revelou contudo este fim de semana, que a ilha do Ártico não é a sua prioridade imediata, referindo que irá tratar do assunto "dentro de cerca de dois meses". "Falemos da Gronelândia dentro de 20 dias", propôs aos jornalistas.

Só que o presidente norte-americano nomeou há duas semanas um novo representante especial para a Gronelândia, Jeff Landry, implicando que o assunto não foi esquecido. Nada foi dito sobre o que irá Landry propôr ao governo gronelandês, eventualmente ajuda à independência pretendida por Nuuk em troca de mais bases militares dos EUA.
Em Mar-a-Lago, na Florida, Trump repetiu domingo os argumentos de "segurança nacional" invocados para os Estados Unidos anexarem a ilha.

Voltou a elencá-los horas depois, a bordo do Air Force One, em trânsito para a Base Aérea Andrews.
"Agora basta"
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reagiu esta segunda-feira com preocupação.

"Infelizmente, penso que o presidente norte-americano deve ser levado a sério quando diz que quer a Gronelândia", afirmou. Acrescentou que “os EUA não têm direito de anexar nenhuma das três nações do reino dinamarquês”. Mette Frederiksen lembrou também que a própria Gronelândia já disse "repetidamente" que "não quer fazer parte dos Estados Unidos".
Por sua vez, nas redes sociais, o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, disse "agora basta" e descreveu as pretensões norte-americanas de anexação do território  como uma "fantasia".

Nielsen apelou ao diálogo, afirmando que este "deve ser feito através dos canais adequados e de acordo com o direito internacional".

A União Europeia mostrou-se solidária com Copenhaga e com Nuuk e avisou que a Gronelândia não é "um bocado de terra que esteja à venda".

Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou esta segunda-feira que o futuro do território não deve ser deixado à mercê de Washington.

"Vou ser muito claro sobre a Gronelândia: o futuro da Gronelândia cabe à Gronelândia [e] ao Reino da Dinamarca", vincou, em declarações à estação televisiva britânica Sky News.
PUB