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Hillary Clinton afirma que veto da China e da Rússia foi "uma farsa"
A secretária de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), Hillary Clinton, descreveu como uma "farsa" o veto por parte da Rússia e da China da proposta de resolução da ONU que condena a repressão violenta vivida na Síria. Este domingo, numa conferência de imprensa durante a visita oficial à Bulgária, Hillary Clinton disse que os esforços internacionais para ajudar o povo da Síria devem ser redobrados e que os EUA irão trabalhar com países exteriores às Nações Unidas, "amigos de uma Síria democrática".
"O que aconteceu ontem nas Nações Unidas foi uma farsa", disse Hillary Clinton durante a visita oficial em Sofia, capital da Bulgária, acrescentando que o veto da resolução por parte da Rússia e da China, representava um Conselho de Segurança "castrado".
A secretária de Estado garantiu que os EUA estão a trabalhar no sentido de impedir a utilização de armas por parte do regime sobre os manifestantes anti-governamentais.
"Diante de um Conselho de Segurança castrado, temos que redobrar os nossos esforços fora das Nações Unidas com os aliados e parceiros que defendam o direito do povo da Síria a ter um futuro melhor."
Analistas norte-americanos, citados pela BBC News, dizem que, no seu discurso, Hillary Clinton parecia estar a "desistir da ONU" e a "aludir à formação de um agrupamento de países semelhantes ao Grupo de Contacto sobre a Líbia", que supervisionou a ajuda internacional para os adversários do ex-líder líbio Muammar Gaddafi.
O projeto de resolução foi aprovado por 13 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, quando foi submetido a votação no sábado. O veto coincidiu com um dos dias mais sangrentos desde que os protestos começaram em março passado.
Oito embaixadas sírias vandalizadas e manifestações em todo o mundo
Por todo o mundo ouvem-se protestos e manifestações contra a violência do regime sírio e a decisão de veto da Rússia e da China. Manifestantes atacaram oito embaixadas da Síria em Trípoli (Líbia), em Tunes (Tunísia), no Cairo (Egito), em Atenas (Grécia), em Londres (Reino Unido), em Camberra (Austrália), em Berlim (Alemanha) e na Cidade do Kuwait. Ecludiram protestos em Viena (Áustria), Beirute (Líbano), Istambul (Turquia) e Sana'a (Iémen). Multidões em protesto, cânticos, cartazes, invasões e mesmo vandalismo, têm sido o cenário nestas cidades.
Ontem, em Viena, milhares participaram numa manifestação de consciencialização sobre a violência na Síria e contra a posição da Rússia e da China. Hoje, começaram os protestos contra o regime do presidente Assad em frente ao Portão de Damasco, na Cidade Velha de Jerusalém. Esta tarde, no Iémen, milhares marcharam contra a decisão dos dois países em Sana'a, a capital, e em Beirute centenas de manifestantes pertencentes a um Grupo Islâmico queimaram bandeiras russas e chinesas em frente à embaixada síria. Também em Beirute, dezenas desfilaram com imagens daqueles que foram mortos nas últimas campanhas militares na Síria ao mesmo tempo que apoiantes do presidente sírio, Bashar al-Assad, empunharam bandeiras nacionais frente à embaixada russa, expressando o seu apoio ao veto. Em Istambul decorre uma manifestação frente ao consolado.
A embaixada em Londres foi invadida e um total de 12 manifestantes foram presos pela polícia. Em Atenas 13 pessoas foram detidas por tentarem invadir a embaixada síria na madrugada de sábado. Na Alemanha, 20 pessoas invadiram a embaixada da Síria na sexta-feira.

A polícia australiana descreve a situação em Camberra como “caótica”, descrevendo danos extensos ao piso térreo do edifício. Segundo cita a Associated Press, 50 homens foram esmagados contra a porta principal, conseguindo entrar no prédio. Destruíram móveis e roubaram computadores da embaixada. O Encarregado de Negócios da embaixada da Síria na capital australiana culpa os jornalistas e as reportagens sobre os conflitos na Síria, afirmando que “incitam” a este tipo de “ações bárbaras e terrorismo”.
A embaixada da Síria no Cairo foi incendiada por manifestantes sírios na noite de sexta-feira e, no Kuwait, a multidão partiu janelas à pedrada e hasteou a bandeira da oposição. Cerca de 300 exilados sírios e algumas dezenas de apoiantes líbios ocuparam a embaixada da Síria em Tripoli e penduraram a bandeira da oposição no portão principal.
Tunísia apela a todos os países que cortem as relações diplomáticas com a Síria
Hamadi Jebali, primeiro-ministro da Tunísia, apelou a todos os países para que expulsem os diplomatas sírios em protesto contra o “massacre sangrento” que se viveu em Homs este fim de semana, durante uma Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha, este domingo.
A Tunísia, cuja revolução levou ao desencadear da Primavera Árabe durante o ano passado, expulsou o embaixador sírio e anunciou, este sábado, já não reconhecer o regime de Damasco. dirigido pelo presidente Bashar Assad.
"Temos de expulsar os embaixadores sírios de todos os países árabes e dos outros também", afirmou o primeiro-ministro, hoje, durante um debate sobre o Médio Oriente numa Conferência de Segurança na cidade alemã de Munique.

O apelo surgiu após uma das mais violentas semanas desde a erupção da revolta contra o regime de Damasco, liderado pelo presidente Bashar al-Assad, há quase 11 meses, que resultou em pelo menos 260 civis mortos durante um ataque massivo por parte das forças do regime aos protesto no centro da cidade de Homs.
"Hoje, o povo sírio não espera de nós longas declarações. Espera ações e medidas concretas. O mínimo que podemos fazer é cortar todas as relações com o regime da Síria", disse Jebali.Hamadi Jebali disse ainda que o veto da Rússia e da China contra a resolução da ONU destinada a acabar com a violência na Síria, mostrou que o sistema de segurança do Conselho de Segurança foi quebrado.
O veto foi "um direito mal utilizado e, sem dúvida, a comunidade internacional tem de reconsiderar este mecanismo de tomada de decisão", afirmou Jebali.
Mundo Árabe acusa China e Rússia de uso abusivo do poder de veto
Na Conferência de Segurança em Munique, a ativista iemenita e vencedora do Nobel da Paz, Tawakkul Karman, também pediu à comunidade internacional para expulsar os embaixadores e restantes diplomatas da Síria dos seus países e chamarem os seus diplomatas de volta do mesmo país, na sequência da violência praticada pelo regime de Damasco.

"Exorto-vos em nome dos rebeldes pacíficos para expulsarem os embaixadores da Síria dos vossos países e peço-vos que chamem de volta os vossos embaixadores em Damasco", disse Karman. "Isso é o mínimo que podemos fazer para punir este regime e tomar as medidas necessárias para proteger o povo sírio", acrescentou.
Karman dirigiu-se ainda à Rússia e à China, que vetaram este sábado, pela segunda vez, uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a violência na Síria e apoiando a iniciativa política da Liga Árabe para o país. "Esses dois países têm a responsabilidade moral e humana destes massacres", disse ela.
Por sua vez, a Irmandade Muçulmana da Jordânia, apelou a um boicote dos produtos russos e chineses nos países árabes. “Pedimos o boicote aos produtos russos e chineses nos países árabes e muçulmanos solidários com o povo sírio, que lutam pela sua liberdade”, disse Hammam Saïd, chefe da confraria, numa declaração pública no site oficial da irmandade.
“O veto da Rússia e da China neste sábado ao projeto de resolução do Conselho de Segurança constitui uma participação destes dois países no derramamento de sangue na Síria”, disse Hammam Saïd. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Mohammed Amr, sinalizou a frustração do veto da resolução da ONU depois de se assistir a "um dos poucos casos em que a Liga Árabe se chegou à frente e apresentou um plano completo para chegar a um acordo."
"Esta tragédia humana tem que parar", disse Amr, acrescentando que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe se vão reunir no Cairo, capital do Egito, no próximo sábado. "Vamos avaliar a situação depois do que aconteceu no Conselho de Segurança da ONU e, se tudo correr bem, vamos ser bem-sucedidos e alcançar uma solução pacífica”, terminou.
O ministro das Relações Externas da Turquia, acusou a Rússia e a China de “não votarem com base nas realidades existentes, mas sim com uma atitude mais reflexiva contra o Ociente. O poder de veto não deve ser utilizado a partir dessa perspectiva", disse Ahmet Davutoglu.
Violência na fronteira da Síria com a Turquia
A violência na Síria provocou sábado a morte a mais 48 pessoais, incluindo 18 soldados e seis desertores, quando aumenta a indignação na sequência do "massacre" na cidade de Homs, revelou hoje um grupo de Direitos Humanos.
Testemunhos revelaram que um tiroteio teve lugar na noite de sábado para domingo na fronteira da Síria com a Turquia. A AFP avança ainda que em Jebel al Zaouia, na província de Idleb, no Noroeste do país, nove soldados foram mortos e 21 foram feridos durante combates com desertores.
No Sul do país, durante a manhã de domingo, houve também confrontos entre forças de segurança e possíveis desertores, na cidade de Hara, mas não há registo de feridos e mortos.
As Nações Unidas deixaram de contabilizar as mortes na síria depois de ultrapassarem as 5400 em Janeiro, afirmando ser "demasiado díficl confirmar o número exacto". Os grupos de direitos humanos falam em pelo menos sete mil civis mortos desde que a revolução começou, em março. O governo sírio diz que pelo menos dois mil membros das forças de segurança foram mortos "a lutar contra gangues armados e terroristas".
Na cidade de Homs, durante o dia, ouvem-se cânticos de reação ao veto: “Antes a Morte, que a desonra”. Ao telefone com a Reuters, um cidadão chamado Sufyan disse: “Agora é que vamos mostrar a Assad. Estamos a ir, Damasco! A partir de hoje vamos mostrar a Assad o que um gangue armado é.”
Jornal sírio saúda veto resolução da ONU
Um jornal oficial do regime sírio elogiou o veto da Rússia e da China ao projecto de resolução do Conselho de Segurança da ONU para repressão do regime.
O jornal Tishrin Daily foi o único periódico sírio a comentar o veto, dizendo que representa "um catalisador que permitirá à Síria acelerar as reformas, organizar um referendo sobre uma nova constituição, eleições multipartidárias e a formação de um grande governo, que inclua representantes da oposição."
"Os autores do projeto de resolução para a Síria, infelizmente, não quiseram fazer um esforço extra, de modo a chegar a um consenso", acusou o vice-chanceler russo Gennady Gatilov, no Twitter, após o uso do direito de veto.O jornal escreveu ainda que o veto deveria "incentivar determinados países a rever as suas posições sobre a crise síria", e que ficou “demonstrado mais uma vez que só a Síria pode resolver esta crise política, sem qualquer interferência externa."
A agência de notícias síria, SANA, escreveu que "dezenas de sírios se reuniram em frente às embaixadas russas e chinesas em Damasco após a resolução ter sido impedida, numa demostração de apreciação das posturas da Rússia e da China no Conselho de Segurança".
A secretária de Estado garantiu que os EUA estão a trabalhar no sentido de impedir a utilização de armas por parte do regime sobre os manifestantes anti-governamentais.
"Diante de um Conselho de Segurança castrado, temos que redobrar os nossos esforços fora das Nações Unidas com os aliados e parceiros que defendam o direito do povo da Síria a ter um futuro melhor."
Analistas norte-americanos, citados pela BBC News, dizem que, no seu discurso, Hillary Clinton parecia estar a "desistir da ONU" e a "aludir à formação de um agrupamento de países semelhantes ao Grupo de Contacto sobre a Líbia", que supervisionou a ajuda internacional para os adversários do ex-líder líbio Muammar Gaddafi.
O projeto de resolução foi aprovado por 13 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, quando foi submetido a votação no sábado. O veto coincidiu com um dos dias mais sangrentos desde que os protestos começaram em março passado.
Oito embaixadas sírias vandalizadas e manifestações em todo o mundo
Por todo o mundo ouvem-se protestos e manifestações contra a violência do regime sírio e a decisão de veto da Rússia e da China. Manifestantes atacaram oito embaixadas da Síria em Trípoli (Líbia), em Tunes (Tunísia), no Cairo (Egito), em Atenas (Grécia), em Londres (Reino Unido), em Camberra (Austrália), em Berlim (Alemanha) e na Cidade do Kuwait. Ecludiram protestos em Viena (Áustria), Beirute (Líbano), Istambul (Turquia) e Sana'a (Iémen). Multidões em protesto, cânticos, cartazes, invasões e mesmo vandalismo, têm sido o cenário nestas cidades.
Ontem, em Viena, milhares participaram numa manifestação de consciencialização sobre a violência na Síria e contra a posição da Rússia e da China. Hoje, começaram os protestos contra o regime do presidente Assad em frente ao Portão de Damasco, na Cidade Velha de Jerusalém. Esta tarde, no Iémen, milhares marcharam contra a decisão dos dois países em Sana'a, a capital, e em Beirute centenas de manifestantes pertencentes a um Grupo Islâmico queimaram bandeiras russas e chinesas em frente à embaixada síria. Também em Beirute, dezenas desfilaram com imagens daqueles que foram mortos nas últimas campanhas militares na Síria ao mesmo tempo que apoiantes do presidente sírio, Bashar al-Assad, empunharam bandeiras nacionais frente à embaixada russa, expressando o seu apoio ao veto. Em Istambul decorre uma manifestação frente ao consolado.
A embaixada em Londres foi invadida e um total de 12 manifestantes foram presos pela polícia. Em Atenas 13 pessoas foram detidas por tentarem invadir a embaixada síria na madrugada de sábado. Na Alemanha, 20 pessoas invadiram a embaixada da Síria na sexta-feira.
A polícia australiana descreve a situação em Camberra como “caótica”, descrevendo danos extensos ao piso térreo do edifício. Segundo cita a Associated Press, 50 homens foram esmagados contra a porta principal, conseguindo entrar no prédio. Destruíram móveis e roubaram computadores da embaixada. O Encarregado de Negócios da embaixada da Síria na capital australiana culpa os jornalistas e as reportagens sobre os conflitos na Síria, afirmando que “incitam” a este tipo de “ações bárbaras e terrorismo”.
A embaixada da Síria no Cairo foi incendiada por manifestantes sírios na noite de sexta-feira e, no Kuwait, a multidão partiu janelas à pedrada e hasteou a bandeira da oposição. Cerca de 300 exilados sírios e algumas dezenas de apoiantes líbios ocuparam a embaixada da Síria em Tripoli e penduraram a bandeira da oposição no portão principal.
Tunísia apela a todos os países que cortem as relações diplomáticas com a Síria
Hamadi Jebali, primeiro-ministro da Tunísia, apelou a todos os países para que expulsem os diplomatas sírios em protesto contra o “massacre sangrento” que se viveu em Homs este fim de semana, durante uma Conferência de Segurança em Munique, na Alemanha, este domingo.
A Tunísia, cuja revolução levou ao desencadear da Primavera Árabe durante o ano passado, expulsou o embaixador sírio e anunciou, este sábado, já não reconhecer o regime de Damasco. dirigido pelo presidente Bashar Assad.
"Temos de expulsar os embaixadores sírios de todos os países árabes e dos outros também", afirmou o primeiro-ministro, hoje, durante um debate sobre o Médio Oriente numa Conferência de Segurança na cidade alemã de Munique.
O apelo surgiu após uma das mais violentas semanas desde a erupção da revolta contra o regime de Damasco, liderado pelo presidente Bashar al-Assad, há quase 11 meses, que resultou em pelo menos 260 civis mortos durante um ataque massivo por parte das forças do regime aos protesto no centro da cidade de Homs.
"Hoje, o povo sírio não espera de nós longas declarações. Espera ações e medidas concretas. O mínimo que podemos fazer é cortar todas as relações com o regime da Síria", disse Jebali.Hamadi Jebali disse ainda que o veto da Rússia e da China contra a resolução da ONU destinada a acabar com a violência na Síria, mostrou que o sistema de segurança do Conselho de Segurança foi quebrado.
O veto foi "um direito mal utilizado e, sem dúvida, a comunidade internacional tem de reconsiderar este mecanismo de tomada de decisão", afirmou Jebali.
Mundo Árabe acusa China e Rússia de uso abusivo do poder de veto
Na Conferência de Segurança em Munique, a ativista iemenita e vencedora do Nobel da Paz, Tawakkul Karman, também pediu à comunidade internacional para expulsar os embaixadores e restantes diplomatas da Síria dos seus países e chamarem os seus diplomatas de volta do mesmo país, na sequência da violência praticada pelo regime de Damasco.
"Exorto-vos em nome dos rebeldes pacíficos para expulsarem os embaixadores da Síria dos vossos países e peço-vos que chamem de volta os vossos embaixadores em Damasco", disse Karman. "Isso é o mínimo que podemos fazer para punir este regime e tomar as medidas necessárias para proteger o povo sírio", acrescentou.
Karman dirigiu-se ainda à Rússia e à China, que vetaram este sábado, pela segunda vez, uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a violência na Síria e apoiando a iniciativa política da Liga Árabe para o país. "Esses dois países têm a responsabilidade moral e humana destes massacres", disse ela.
Por sua vez, a Irmandade Muçulmana da Jordânia, apelou a um boicote dos produtos russos e chineses nos países árabes. “Pedimos o boicote aos produtos russos e chineses nos países árabes e muçulmanos solidários com o povo sírio, que lutam pela sua liberdade”, disse Hammam Saïd, chefe da confraria, numa declaração pública no site oficial da irmandade.
“O veto da Rússia e da China neste sábado ao projeto de resolução do Conselho de Segurança constitui uma participação destes dois países no derramamento de sangue na Síria”, disse Hammam Saïd. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Mohammed Amr, sinalizou a frustração do veto da resolução da ONU depois de se assistir a "um dos poucos casos em que a Liga Árabe se chegou à frente e apresentou um plano completo para chegar a um acordo."
"Esta tragédia humana tem que parar", disse Amr, acrescentando que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe se vão reunir no Cairo, capital do Egito, no próximo sábado. "Vamos avaliar a situação depois do que aconteceu no Conselho de Segurança da ONU e, se tudo correr bem, vamos ser bem-sucedidos e alcançar uma solução pacífica”, terminou.
O ministro das Relações Externas da Turquia, acusou a Rússia e a China de “não votarem com base nas realidades existentes, mas sim com uma atitude mais reflexiva contra o Ociente. O poder de veto não deve ser utilizado a partir dessa perspectiva", disse Ahmet Davutoglu.
Violência na fronteira da Síria com a Turquia
A violência na Síria provocou sábado a morte a mais 48 pessoais, incluindo 18 soldados e seis desertores, quando aumenta a indignação na sequência do "massacre" na cidade de Homs, revelou hoje um grupo de Direitos Humanos.
Testemunhos revelaram que um tiroteio teve lugar na noite de sábado para domingo na fronteira da Síria com a Turquia. A AFP avança ainda que em Jebel al Zaouia, na província de Idleb, no Noroeste do país, nove soldados foram mortos e 21 foram feridos durante combates com desertores.
No Sul do país, durante a manhã de domingo, houve também confrontos entre forças de segurança e possíveis desertores, na cidade de Hara, mas não há registo de feridos e mortos.
As Nações Unidas deixaram de contabilizar as mortes na síria depois de ultrapassarem as 5400 em Janeiro, afirmando ser "demasiado díficl confirmar o número exacto". Os grupos de direitos humanos falam em pelo menos sete mil civis mortos desde que a revolução começou, em março. O governo sírio diz que pelo menos dois mil membros das forças de segurança foram mortos "a lutar contra gangues armados e terroristas".
Na cidade de Homs, durante o dia, ouvem-se cânticos de reação ao veto: “Antes a Morte, que a desonra”. Ao telefone com a Reuters, um cidadão chamado Sufyan disse: “Agora é que vamos mostrar a Assad. Estamos a ir, Damasco! A partir de hoje vamos mostrar a Assad o que um gangue armado é.”
Jornal sírio saúda veto resolução da ONU
Um jornal oficial do regime sírio elogiou o veto da Rússia e da China ao projecto de resolução do Conselho de Segurança da ONU para repressão do regime.
O jornal Tishrin Daily foi o único periódico sírio a comentar o veto, dizendo que representa "um catalisador que permitirá à Síria acelerar as reformas, organizar um referendo sobre uma nova constituição, eleições multipartidárias e a formação de um grande governo, que inclua representantes da oposição."
"Os autores do projeto de resolução para a Síria, infelizmente, não quiseram fazer um esforço extra, de modo a chegar a um consenso", acusou o vice-chanceler russo Gennady Gatilov, no Twitter, após o uso do direito de veto.O jornal escreveu ainda que o veto deveria "incentivar determinados países a rever as suas posições sobre a crise síria", e que ficou “demonstrado mais uma vez que só a Síria pode resolver esta crise política, sem qualquer interferência externa."
A agência de notícias síria, SANA, escreveu que "dezenas de sírios se reuniram em frente às embaixadas russas e chinesas em Damasco após a resolução ter sido impedida, numa demostração de apreciação das posturas da Rússia e da China no Conselho de Segurança".
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