Hong Kong. Mil pessoas sentadas em protesto no aeroporto

Mais de mil pessoas ocuparam esta sexta-feira o aeroporto de Hong Kong em novas manifestações pela democracia e contra a lei da extradição para a China. Na sequência dos episódios de violência em Yuen Long, alguns comissários de bordo juntaram-se à ação, ajudando assim a alertar turistas.

RTP /
Manifestantes sentados no chão do aeroporto de Hong Kong Edgar Su - Reuters

“O aeroporto é a maneira mais direta para explicar a todos os turistas o que está a acontecer em Hong Kong”, afirmou o ex-piloto e ativista Jeremy Tam.

Manifestantes vestidos de preto encheram um dos aeroportos mais movimentados do mundo num movimento pró-democracia. Os cânticos de “Hong Kong livre” ecoaram pela zona de chegadas, à medida que mais pessoas se sentavam e juntavam à manifestação.

“Não há distúrbios, só tirania”, lia-se nos cartazes expostos.
 


Há mais de dois meses que Hong Kong é palco de protestos -  cada vez mais violentos - contra o Governo local, liderado por Carrie Lam, designadamente a polémica da lei de extradição. Ainda assim, os turistas não parecem afetados.

“Acho que Hong Kong é uma cidade limpa e segura. Os protestos não alteraram a ideia que tinha de Hong Kong”, revelou Sebastian Vanneste, um turista da Nova Zelândia.

“Não sabia da brutalidade policial. Como turista, eu respeito a liberdade de expressão do povo de Hong Kong", acrescentou.

De acordo com as autoridades locais, a manifestação foi passiva e as operações do aeroporto não foram afetadas. Ainda assim, foi emitido um aviso para que os passageiros chegassem com antecedência para evitar perturbações.

Depois dos recentes episódios de violência policial que ocorreram numa outra manifestação, em Yuen Long, cerca de 15 mil pessoas, incluindo turistas e pilotos, assinaram uma petição para o Governo processar os agressores.

Os manifestantes já exigiram a investigação destes acontecimentos e a posterior dissolução do atual Governo.


Em junho, o Governo tentou aprovar uma lei que permitiria extraditar pessoas para a China continental.

Carrie Lam garantiu que a proposta cairá em 2020. Mas os protestos perduram.

Hong Kong está a passar pela mais grave crise política das duas últimas décadas. Apesar de a cidade ter sido devolvida pelos britânicos à China, em 1997, vive, enquanto Região Administrativa Especial, ao abrigo da fórmula "um país, dois sistemas", à semelhança de Macau.

Os manifestantes estão já a preparar uma outra manifestação, desta vez em Yuen Long. Depois de desafiarem uma proibição emitida pela polícia, os ativistas pretendem organizar uma "caminhada para estimular a economia” local.

Num dos panfletos, os organizadores alertam os participantes para eventuais distúrbios: "Deviam tomar todas as precauções necessárias para garantir a segurança pessoal. Protestos que são feitos para serem pacíficos ainda podem ter o potencial de se tornar violentos com pouco ou nenhum aviso”.

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