Hong Kong. Milhares de manifestantes cercam sede da polícia

Milhares de pessoas voltaram a juntar-se, em protesto, nas ruas de Hong Kong. Esta sexta-feira os manifestantes cercaram o quartel-general da polícia, exigindo a exclusão definitiva da lei de extradição e ainda a libertação de pessoas detidas a 12 de junho.

Inês Moreira Santos - RTP /
Os manifestantes bloquearam uma das estradas principais da cidade e concentraram-se em redor da sede da polícia para exigir a retirada total da controversa lei de extradição Tyrone Siu - Reuters

Segundo a comunicação social local, os protestos junto ao quartel-general das forças de segurança e a edifícios governamentais começaram apenas com algumas centenas de pessoas. No entanto, a partir das 11h00 (18h00 em Lisboa) começaram a reunir-se mais participantes.

Os manifestantes bloquearam uma das estradas principais da cidade e concentraram-se em redor da sede da polícia para exigir a retirada total da controversa lei de extradição e não apenas a sua suspensão, assim como a libertação dos ativistas detidos e um pedido de desculpas pela brutalidade da repressão policial nos últimos protestos.

Além disso, os manifestantes pedem ainda que os protestos anteriores deixem de ser classificados como motins, o que significa que os detidos neste contexto podem ser condenados a uma pena de até dez anos de prisão.


A polícia instou os manifestantes a desmobilizarem, alegando que a sua presença e o bloqueio de ruas “afetaria gravemente” os serviços de emergência, segundo a BBC.

Esta é a quarta grande manifestação em Hong Kong em menos de duas semanas e aconteceu dois dias depois de o Governo local ter ignorado os apelos dos manifestantes e um prazo para descartar o projeto-lei em questão, estabelecido por um grupo de estudantes de várias universidades da Região Administrativa Especial.

A manifestação desta sexta-feira começou junto do edifício do Governo, mas os manifestantes começaram, mais tarde, a dirigir-se às instalações da polícia e a bloquear a Harcourt Road.


Sem a permissão da polícia para realizar uma nova manifestação, os organizadores pediram às pessoas que aparecessem esta sexta-feira, cedo, perto de instalações governamentais para “fazer piqueniques, cantar, passear, observar as tartarugas e evitar a chuva”, segundo o Guardian.

Depois de três grandes manifestações, com milhões de pessoas a protestarem nas ruas contra as alterações a uma lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes, a chefe do Governo, Carrie Lam, foi obrigada a suspender o debate sobre as emendas planeadas e a pedir desculpas em duas ocasiões. No entanto, não eliminou a proposta de lei em causa.
 
Esta lei permitiria que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental, comprometendo, dessa forma, a independência jurídica de Hong Kong.
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