Irão lança mísseis contra Israel. Telavive promete resposta firme

Irão lança mísseis contra Israel. Telavive promete resposta firme

As forças armadas israelitas anunciaram que o Irão lançou vários mísseis contra Israel. As sirenes de alerta soaram em vários locais do país e é esperada outra vaga de mísseis. Telavive prometeu uma resposta dura contra Teerão, mas Donald Trump pediu a Benjamin Netanyahu para não retaliar.

Inês Moreira Santos - RTP /
Amir Cohen - Reuters

Israel está sob ataque do Irão que lançou mísseis contra várias cidades israelitas e é esperada uma nova vaga de mais misseis. Teerão já confirmou o ataque, pelos bombardeamentos israelitas contra o Líbano, que mereceram também uma resposta do Hezbollah, que reivindicou ataques no norte do país.

O Exército israelita informou ter identificado mísseis lançados do Irão em direção ao território de Israel, acrescentando que os sistemas de defesa estão a operar para intercetar a ameaça. O Exército israelita afirmou ter intercetado todos os mísseis lançados hoje à noite pelo Irão, num total de onze.

"Uma nova vaga de mísseis foi disparada em direção ao Estado de Israel", referiu um breve comunicado militar.

As sirenes de alerta soaram em vastas zonas do norte de Israel e o Exército apelou à população "que siga as instruções do Comando da Frente Interna".

A interceção de vários mísseis iranianos provocou pelo menos três incêndios em áreas abertas no norte de Israel. Segundo os serviços de bombeiros, citados pela imprensa israelita, foram mobilizadas equipas para combater as chamas em três locais distintos.

As autoridades indicaram que os incêndios já foram colocados sob controlo, não havendo, para já, registo de vítimas ou danos significativos.

O Irão lançou cerca de dez mísseis balísticos contra o norte de Israel. As anti-aéreas foram acionadas de imediato, assim que foram identificados os lançamentos. 

As forças israelitas garantem que interceptaram todos os mísseis até ao momento. Este é primeiro ataque desde 8 de abril.

Um conselheiro do líder supremo do Irão confirma o ataque e diz que o país avisou repetidamente que não ia tolerar violações do cessar-fogo no Líbano.

"O Irão lançou mísseis contra Israel", informou a televisão estatal iraniana, IRIB, que mostrou imagens de mísseis a sobrevoar o céu da província ocidental iraniana de Kermanshah e de pessoas a celebrar a nova ofensiva nas ruas.

Por indicação das autoridades israelitas, as escolas encerraram em todo o país. 

"Após o lançamento de mísseis contra o norte de Israel, até ao momento, o Centro de Despacho de Emergência 101 do MDA não recebeu chamadas relativas a impactos ou vítimas. Serão fornecidas mais atualizações, se necessário", declarou, em comunicado, o serviço de emergência israelita Maguén David Adom (MDA).

Além disso, equipas dos Bombeiros e Serviços de Resgate de Israel estão a inspecionar vários locais nos Montes Golã, após terem recebido chamadas para a linha de emergência 102 na sequência deste ataque do Irão.
A Guarda Revolucionária Iraniana volta a ameaçar com mais ataques e diz que Isreal ultrapasssou todas as linhas vermelhas.


O Exército iraniano advertiu Israel de que, caso responda aos ataques realizados contra o seu território ou volte a bombardear o Líbano, "enfrentará uma resposta devastadora".

"Se [Israel] ampliar os seus ataques nessa zona [no Líbano] ou responder à ação do Irão com ataques mais devastadores e punitivos, enfrentará uma resposta devastadora contra o regime e os seus apoiantes",
afirmou o chefe do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o major-general Ali Abdolahi, num comunicado citado pelos meios de comunicação iranianos.

A Força Aérea israelita está a operar para "intercetar e atacar onde for necessário para neutralizar a ameaça", segundo o comunicado militar, que termina garantindo que o sistema de defesa antiaérea israelita "não é infalível, pelo que é importante seguir as instruções do Comando da Frente Interna".

O Hezbollah confirmou, entretanto, ter atingido várias posições militares no norte de Israel, poucas horas depois de um ataque israelita contra Beirute, que Israel afirmou ter realizado em resposta a disparos inimigos.
O movimento pró-iraniano indicou, num comunicado, ter atacado "uma concentração de soldados do inimigo israelita no quartel de Dovev", no norte de Israel, às 09h30 locais.

O Hezbollah reivindicou ainda o ataque, uma hora antes, a uma posição da artilharia israelita, bem como a uma concentração de soldados, também no norte do país.

Israel promete resposta firme

O ministro da Segurança Nacional de Israel já reagiu e defendeu uma resposta dura a este ataque iraniano.

Itamar Ben-Gvir reagiu ao lançamento de mísseis do Irão contra território israelita. Numa publicação nas redes sociais, o governante afirmou que "esta noite, Teerão deve arder".




Entretanto, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deverá reunir-se com os principais responsáveis de segurança de Israel. Encontro que servirá para avaliar a situação e definir os próximos passos.

Israel espera uma nova vaga de ataques nas próximas horas.

Segundo avança o jornal The Times of Israel, este ataque acontece depois de Israel ter bombardeado Beirute, após novas tréguas.
Trump pede a Israel que não retalie
O jornal online norte-americano AXIOS diz que Donald Trump já foi informado da escalada do conflito entre o Irão e Israel.

Donald Trump já reagiu e afirmou que vai pedir ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para não avançar com uma retaliação contra o Irão. Em declarações ao Axios, Trump disse que pretende contactar Netanyahu de imediato para defender uma contenção do conflito.

O presidente dos Estados Unidos pediu a Israel que não responda aos ataques lançados pelo Irão contra o país, para não prejudicar uma saída negociada do conflito."Vou ligar ao Bibi [alcunha de Netanyahu] imediatamente para lhe dizer para não retaliar. Israel já fez o seu ataque e o Irão já fez o seu. Não precisamos de outro [ataque]", declarou o Presidente norte-americano, segundo o jornalista da Axios Barak Ravid, que afirma ter falado com ele por telefone.

"Estamos prestes a concluir um acordo definitivo com o Irão. Será um bom acordo. Não quero que ele vá por água abaixo por causa do que está a acontecer atualmente".

Numa outra entrevista concedida a um jornalista da Fox News, Donald Trump afirmou que os ataques iranianos "não vão ajudar nas negociações".

"Estamos muito perto. Diria que um acordo pode ser assinado na segunda, terça ou quarta-feira desta semana. E eis que acontece isto", disse ele, segundo o jornalista Trey Yingst, que afirma também ter falado com ele ao telefone.

Segundo a mesma fonte, Trump disse "não estar muito contente" com o ataque israelita de hoje que teve como alvo Beirute.

"Voltem à mesa das negociações e cheguem a um acordo", reforçou, dirigindo-se ao Irão, segundo a Fox News.

Numa outra declaração a uma televisão israelita, Trump assegurou que ninguém ficou ferido no ataque com mísseis.

"Se Netanyahu responder, isto vai continuar e continuar. Estamos muito perto de um acordo para pôr fim à guerra e será um bom acordo. Não quero que isto estrague o acordo. Ambas as partes atacaram. Não quero ver mais ataques", insistiu.

A ofensiva militar acontece depois de o Irão ter advertido que, caso os ataques de Israel contra o Líbano continuassem, a República Islâmica retaliaria, considerando que o cessar-fogo alcançado com os Estados Unidos a 08 de abril inclui a nação árabe.

O Irão, o Iraque e a Síria já anunciaram ter fechado os seus espaços aéreos.

"Na sequência de avaliações em matéria de segurança (...), a parte ocidental do espaço aéreo do país está encerrada até nova ordem", declarou a aviação civil iraniana, num comunicado divulgado pela agência noticiosa Irna, que apela a "evitar" deslocar-se aos aeroportos situados no oeste do Irão.

Também o Iraque anunciou o encerramento do espaço aéreo por 72 horas, após os disparos de mísseis iranianos sobre Israel, "como medida de precaução", segundo um comunicado da Aviação Civil iraquiana.

C/agências
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