Irão renova ameaças contra bases americanas no Médio Oriente

Irão renova ameaças contra bases americanas no Médio Oriente

O Irão reiterou as suas ameaças contra as bases norte-americanas no Médio Oriente em caso de ataque, numa carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Cristina Sambado - RTP /
Eduardo Munoz - Reuters

"Em caso de agressão militar contra o Irão, este responderá de forma decisiva e proporcional, de acordo com os princípios de autodefesa consagrados no artigo 51.º da Carta da ONU", escreveu o embaixador iraniano na ONU numa carta a António Guterres.
Para o diplomata, a retórica de Donald Trump “sinaliza um risco real de agressão militar”, realçando que Teerão não procura iniciar uma guerra.


"Nestas circunstâncias, todas as bases, infraestruturas e ativos norte-americanos na região constituem alvos legítimos", lê-se na missiva enviada a António Guterres.

O embaixador iraniano nas Nações Unidas frisa ainda que, "os Estados Unidos assumiriam total e direta a responsabilidade por quaisquer consequências imprevisíveis e incontroláveis"Trump estabelece prazo de dez a 15 dias
Na quinta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que dava de "dez" a "15 dias" para decidir se um acordo com o Irão é possível ou se, em vez disso, recorrerá à força contra Teerão.

"Talvez tenhamos de ir mais longe, ou talvez não, talvez cheguemos a um acordo. Provavelmente saberão nos próximos dez dias", declarou Trump em Washington, antes da primeira reunião do Conselho da Paz.

Durante o encontro, o chefe de Estado norte-americano sublinhou ser necessário "chegar a um acordo significativo" com Teerão, acrescentando que, se tal não acontecer, o desfecho poderá ser mais difícil.

"Agora é o momento de o Irão se juntar a nós num caminho que complete o que estamos a fazer. Se se juntarem a nós, será ótimo. Se não se juntarem, também será ótimo, mas será um caminho muito diferente", explicou Trump.
Trump reiterou, no discurso em Washington, que sem um acordo "significativo", "coisas más" acontecerão.


O presidente norte-americano recordou os ataques aéreos dos EUA realizados em junho, frisando que o potencial nuclear do Irão tinha sido "dizimado", acrescentando: "Talvez tenhamos de ir mais além, ou talvez não".

Trump pediu ainda a Teerão que se juntasse aos EUA no "caminho para a paz".

"Não podem ter uma arma nuclear, é muito simples", disse. "Não se pode ter paz no Médio Oriente se tiverem uma arma nuclear"Programa nuclear divide Teerão e Washington
Os dois países concluíram a sua segunda ronda de negociações na terça-feira, na Suíça.

O Irão recusa-se a discutir assuntos para além do programa nuclear, classificando os esforços para limitar o seu arsenal de mísseis como uma linha vermelha.

Washington quer que o Irão abandone por completo o enriquecimento de urânio, um processo utilizado para criar combustível para centrais nucleares, mas que também pode fornecer material para ogivas nucleares.Os EUA e o seu aliado Israel também querem que o Irão abandone os seus mísseis balísticos de longo alcance, deixe de apoiar grupos no Médio Oriente e cesse o uso da força para reprimir os protestos internos.


As imagens de satélite rastrearam tanto o trabalho iraniano de reparação e fortificação de instalações desde o verão passado, mostrando obras em locais nucleares e de mísseis, como preparativos em bases americanas no Médio Oriente ao longo do último mês.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o exército ideológico do país, está a realizar manobras militares, que parecem ser uma demonstração de força, no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico crucial para o comércio global de petróleo.


O exercício conjunto do Irão com a Rússia ocorreu dias após o início de uma extensa série de exercícios navais iranianos no Golfo de Omã, com a televisão estatal iraniana a mostrar unidades de forças especiais mobilizadas em helicópteros e navios.

c/ agências
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