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EUA pressionam Irão para que chegue a acordo e evite ataques

EUA pressionam Irão para que chegue a acordo e evite ataques

Os Estados Unidos avisaram o Irão na quarta-feira que seria "aconselhável" chegar a um acordo, afirmando que havia "muitas razões" para atacar o país, um dia depois das negociações em que Teerão e Washington anunciaram que pretendiam continuar as conversações.

Cristina Sambado - RTP /
Cyril Zingaro - Pool via Reuters

A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou em conferência de imprensa que Trump ainda espera uma solução diplomática para o programa nuclear de Teerão.

Karoline Leavitt acrescentou que foram registados pequenos avanços diplomáticos, no entanto, ainda persistem diferenças em torno do acordo sobre o programa nuclear.

Houve um ligeiro progresso, mas ainda estamos distantes em alguns pontos. Penso que os iranianos voltarão a falar connosco com mais pormenores nas próximas semanas”, afirmou Karoline Leavitt.

Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, os EUA podem “apresentar muitas razões e argumentos para um ataque ao Irão. O presidente teve uma operação de grande sucesso como comandante-chefe com a operação “Martelo da Meia-Noite”, anulando completamente as instalações nucleares iranianas”.

“Porém, o presidente sempre foi bem claro em relação ao Irão ou a outro país do mundo; a diplomacia é sempre a sua primeira opção e o Irão seria muito sensato se chegasse a acordo com o presidente Trump e com esta Administração”, rematou Karoline Leavitt.

Questionada sobre as negociações em Genebra, a secretária de imprensa da Casa Branca disse que Washington e Teerão ainda estão "muito distantes" em algumas questões-chave.

"Penso que ouviram da administração e do Departamento de Estado ontem que houve um pequeno progresso, mas ainda estamos muito longe em algumas questões", disse Leavitt.

Os meios de comunicação norte-americanos noticiaram na quarta-feira que Trump discutiu opções de ataque com os seus conselheiros e que um ataque norte-americano poderia ocorrer já no sábado. No verão passado, os militares norte-americanos lançaram ataques contra três instalações nucleares iranianas.
Negociações em Genebra

O Irão afirmou ter chegado a um entendimento com os EUA sobre os principais "princípios orientadores" que vão nortear os esforços para resolver o diferendo em torno do programa nuclear iraniano. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, acrescentou que ainda há trabalho a fazer.

Já os EUA disseram que "houve progressos" e Badr Albusaidi, ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, país que está a mediar as negociações, afirmou que as conversações "concluíram com bons progressos" em relação a objetivos comuns e questões técnicas.

No início da semana, o Irão afirmou ter chegado a um entendimento com os EUA sobre os principais "princípios orientadores" para resolver o diferendo sobre o programa nuclear iraniano.

O Irão declarou que deseja concentrar as discussões no seu programa nuclear e na possível suspensão das sanções económicas, enquanto Washington já tinha indicado que queria que o desenvolvimento de mísseis iranianos fizesse parte de qualquer negociação.

Na quarta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assegurou que o programa nuclear do país tem fins exclusivamente pacíficos e que Teerão não procura, sob qualquer pretexto, o armamento atómico.

“Já o afirmámos diversas vezes; as minhas próprias declarações não são importantes. O que importa do ponto de vista ideológico é a política e a fátua do Líder Supremo. De forma alguma procuramos armas nucleares”, realçou o presidente iraniano.

Masoud Pezeshkian frisou ainda que, “qualquer que seja a forma de verificação que queiram realizar, estamos prontos para que ocorra”.

No entanto, Teerão “não aceita a impossibilidade de utilizar a ciência e o conhecimento para salvar os nossos doentes ou para servir a nossa indústria e agricultura”.

Numa declaração que visa acalmar a comunidade internacional, o líder iraniano reforçou que a produção de armas nucleares está fora das intenções da República Islâmica.

"Não queremos a guerra", acrescentou o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian.

Os EUA e os aliados europeus suspeitam que o Irão está a caminhar para o desenvolvimento de uma arma nuclear, algo que Teerão sempre negou. Entretanto, o responsável da Organização de Energia Atómica do Irão, Mohammad Eslami, afirmou esta quinta-feira que nenhum país pode negar a Teerão o seu direito ao enriquecimento de urânio, no meio de tensões com Washington e de negociações em curso para chegar a um acordo.

"A base da indústria nuclear é o enriquecimento. Para qualquer coisa que se queira fazer no processo nuclear, é necessário combustível nuclear", disse Eslami num vídeo publicado pelo jornal Etemad a que a AFP teve acesso.

"O programa nuclear do Irão está a progredir de acordo com as regras da Agência Internacional de Energia Atómica, e nenhum país pode privar o Irão do seu direito de beneficiar pacificamente desta tecnologia", acrescentou.

Eventual ataque pode ocorrer este fim de semana

O exército norte-americano está preparado para possíveis ataques ao Irão já este fim de semana, informaram na quarta-feira vários órgãos de imprensa, citando fontes não identificadas.

No entanto, segundo os relatos, Donald Trump ainda não tomou uma decisão final sobre se irá realizar um ataque. Trump exigiu repetidamente que o Irão cesse o seu programa nuclear e avisou que pretende usar a força caso não seja alcançado nenhum acordo.


Segundo o New York Times, a CBS News e a CNN, o exército norte-americano reuniu recursos aéreos e navais suficientes no Médio Oriente para lançar um ataque nos próximos dias.A Reuters, citando um alto funcionário norte-americano não identificado, apresentou um calendário ligeiramente diferente, dando conta de que os principais conselheiros de segurança nacional dos EUA foram informados, durante uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca na quarta-feira, que todas as forças militares norte-americanas mobilizadas na região deveriam estar posicionadas até meados de março.

A CBS também observou que o calendário para um ataque provavelmente se estenderia para além deste fim de semanaEUA intensificam presença militar
Os EUA têm intensificado a sua presença militar nas águas próximas do Irão, e as imagens de satélite mostram a República Islâmica a fortificar instalações militares sensíveis.

O programa BBC Verify confirmou a localização do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln – equipado com contratorpedeiros de mísseis guiados e dezenas de caças – junto ao Irão.

Os EUA terão também enviado o USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo, para o Médio Oriente. A previsão é que chegue à região nas próximas três semanas.

Na quarta-feira, o USS Gerald R. Ford estava na costa ocidental de África, de acordo com dados de rastreio de embarcações marítimas e investigadores de fontes abertas.

Todas as forças militares norte-americanas mobilizadas para a região deveriam estar posicionadas até meados de março, segundo informações de um oficial norte-americano e de um alto oficial militar à CBS.

O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, publicou na terça-feira, na sua conta de Facebook, uma imagem gerada por inteligência artificial do USS Ford no fundo do oceano.

"O presidente dos EUA afirma constantemente que os EUA enviaram um navio de guerra em direção ao Irão. É claro que um navio de guerra é um equipamento militar perigoso", afirma Khamenei na publicação

"No entanto, mais perigosa do que este navio de guerra é a arma capaz de o afundar."

Khamenei acusou ainda os EUA de tentarem predeterminar o resultado das negociações e afirmou que isso seria "errado e insensato".

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão respondeu ao aumento da presença militar dos EUA ao realizar um exercício marítimo no Estreito de Ormuz, localizado no Golfo Pérsico entre Omã e o Irão, na segunda-feira.

O Estreito é considerado uma importante via navegável internacional e rota de exportação de petróleo dos países árabes do Golfo.

c/ Agências 
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