Iraque. Pelo menos 30 mortos em confrontos entre grupos xiitas

por RTP
A noite de confrontos armados fez 30 mortos e deixou pelo menos 700 pessoas feridas, incluindo 110 membros das forças de segurança. FOTO: Ahmed Jalil - EPA

O anúncio do líder xiita iraquiano Muqtada al-Sadr de abandonar o palco da política levou os seus apoiantes a invadir o palácio presidencial e envolverem-se em confrontos nas ruas de Bagdad. O rasto de violência deixou pelo menos 30 mortos.

A Zona Verde de Bagdad, que abriga a sede do governo e as embaixadas estrangeiras, foi palco de explosões e troca de tiros entre os partidários do líder xiita iraquiano Muqtada al-Sadr, incluindo uma milícia fortemente armada, e paramilitares rivais alinhados com o Irão e as forças de segurança.

Perante a crescente hostilidade entre grupos rivais xiitas nas ruas da capital iraquiana, al-Sadr anunciou já que está em greve de fome até que os beligerantes coloquem um fim "à violência e ao uso de armas".

A noite de confrontos armados fez 30 mortos e deixou pelo menos 700 pessoas feridas, incluindo 110 membros das forças de segurança, avançaram fontes médicas ao canal de televisão Aljazeera.

"Temos ouvido sons de tiros durante a noite, ouvimos também várias explosões dentro da Zona Verde, o sistema de defesa aérea C-RAM que pertence à embaixada dos EUA na Zona Verde foi claramente ouvido no início deste manhã", descreveu o jornalista da cadeia de televisão do Catar, Mahmoud Abdelwahed.

Os combates foram desencadeados depois de al-Sadr anunciar, em comunicado, que deixa a vida política em definitivo: "Decidi não interferir nos assuntos políticos, mas agora anuncio a minha reforma final e o fecho de todas as instituições [sadristas]". Alguns sites religiosos ligados ao seu movimento permanecerão abertos.

A tensão tem vindo a crescer há meses entre os militantes de al-Sadr e a oposição da Aliança do Quadro de Coordenação.


Muqtada Al-Sadr foi o grande vencedor das eleições de outubro, quando obteve um amplo apoio por exercer oposição à influência norte-americana e iraniana na política do Iraque. Em junho, retirou todos os seus legisladores do parlamento por não conseguir formar um governo que excluísse os rivais, nomeadamente partidos xiitas apoiados por Teerão. A aliança política xiita desmoronou-se quando os rivais pró-Irão se opuseram à nomeação de um novo primeiro-ministro.

A violência nas ruas reflete a fragmentação do sistema político do Iraque com o líder religioso e político a colocar o país num impasse, forçando a dissolução parlamentar e a antecipar novas eleições.

Muitos iraquianos temem que os movimentos de cada campo xiita possam levar a um novo conflito civil.

O aliado de al-Sadr, Mustafa al-Kadhimi, que mantém o cargo de primeiro-ministro interino, interrompeu os trabalhos quando os manifestantes invadiram os edifícios governamentais. Al-Kadhimi implorou publicamente a al-Sadr que interviesse para parar a violência.

Entretanto, as forças de segurança iraquianas já expulsaram os partidários de al-Sadr do Palácio Republicano, onde fica o gabinete do primeiro-ministro, bem como das áreas circundantes. Decorrem agora negociações entre funcionários do governo e líderes dos sadristas e oposição, a aliança do Quadro de Coordenação.

O Irão fechou entretanto as suas fronteiras terrestres com o Iraque.
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