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Israel nega execuções e enterro de mais de 300 palestinianos em valas comuns

por Joana Raposo Santos - RTP
Dawoud Abu Alkas - Reuters

As forças de Israel rejeitaram esta terça-feira serem responsáveis pelas eventuais execuções e enterro de mais de 300 pessoas em valas comuns nos terrenos do Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Admitiram, porém, ter exumado corpos em outubro para tentar encontrar reféns israelitas do Hamas.

“A acusação de que as Forças de Defesa de Israel enterraram corpos palestinianos é infundada”, asseguraram as forças militares em comunicado, acrescentando que em outubro, depois de terem desenterrado e examinado corpos, os devolveram aos locais onde antes se encontravam.

“Os exames foram conduzidos cuidadosamente e exclusivamente em sítios onde os serviços de informações tinham indicado a presença de possíveis reféns. Esses exames foram respeitosos, mantendo a dignidade dos falecidos”, garantiram as Forças de Defesa.

As declarações surgem depois de as autoridades palestinianas terem avançado que encontraram 283 corpos em valas comuns nos terrenos do Hospital Nasser esta semana, depois de o local ter sido abandonado pelas tropas de Israel.

Além desses, foram também encontrados 30 corpos nos terrenos do hospital Al-Shifa, igualmente palco de uma operação das forças especiais israelitas.
ONU está a investigar
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, manifestou-se entretanto "horrorizado" com a descoberta dos cadáveres. “Sentimos a necessidade de fazer soar o alarme porque foram claramente descobertos múltiplos corpos”, declarou a porta-voz de Turk, Ravina Shamdasani.

“Alguns deles tinham as mãos atadas, o que obviamente indica sérias violações das leis internacionais dos Direitos Humanos e das leis humanitárias internacionais, pelo que devem realizar-se mais investigações”, acrescentou.

Segundo Shamdasani, o departamento de Direitos Humanos das Nações Unidas está a trabalhar para confirmar as afirmações das autoridades palestinianas, segundo as quais alguns dos corpos estavam enterrados sob pilhas de lixo e incluíam mulheres e idosos.

"Dado o clima de impunidade, a investigação deve incluir investigadores internacionais", defendeu Volker Turk.

"Os hospitais têm uma proteção muito especial ao abrigo do direito internacional humanitário", disse, sublinhando que a morte de civis, detidos e outras pessoas à margem dos combates "é um crime de guerra".

Os hospitais na Faixa de Gaza, que Israel afirma serem usados como centros de operações militares do Hamas, foram severamente alvejados durante a operação militar levada a cabo pelo exército israelita no território palestiniano desde o ataque perpetrado em território israelita em 7 de outubro por combatentes do Hamas.
Rafah continua a ser bombardeada
Esta terça-feira, Turk denunciou igualmente a morte de civis na sequência dos últimos bombardeamentos israelitas na cidade de Rafah, no sul do país, na fronteira com o Egito, e manifestou-se contra uma ofensiva israelita em grande escala à cidade, onde mais de 1,2 milhões de palestinianos foram deslocados de outras partes da Faixa de Gaza pelas operações militares de Israel.

"Os líderes internacionais estão unidos em torno do imperativo de proteger a população civil encurralada em Rafah", afirmou Turk, que insistiu que uma operação militar contra a cidade resultaria em mais violações do direito humanitário internacional, bem como em mais mortes, feridos e deslocações em grande escala.

"As últimas imagens de um bebé prematuro a ser retirado do ventre da mãe moribunda e de duas casas adjacentes em que 15 crianças e mulheres foram mortas ultrapassam o âmbito da guerra", vincou.

As operações militares israelitas realizadas nos últimos seis meses na Faixa de Gaza já provocaram mais de 34 mil mortos, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

c/ agências
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