Israel preparado para confrontos com o Irão

por RTP
Um F-15 israelita num voo de exibição Reuters

A garantia é do Chefe do Estado-maior das Forças de Defesa de Israel (IDF). Aviv Kochavi, admite a existência de "uma possibilidade de entrarmos num confronto em pequena escala com o Irão e estamos a preparar-nos para isso".

“Iremos continuar a agir e de forma responsável”, garantiu o líder das Forças Armadas israelitas numa conferência de imprensa em Herzliya, acrescentando que seria melhor se Israel não fosse o único empenhado no esforço de deter o Irão.

Em causa está o interesse de Israel em evitar que a República Islâmica adquira misseis de precisão, mesmo que essas operações possam causar um confronto entre os países.

Para o Chefe do Estado-maior da IDF, está a acontecer uma mudança nas ameaças por parte do Irão, com “todas as frentes ativas”, com o objetivo de realizar ataques terroristas contra Israel.

As IDF estão a levar a cabo um conjunto de operações para combater estas ameaças, tanto publicamente como em segredo, revelou ainda Kochavi.
Pressionar os inimigos
O Chefe do Estado-maior das Forças de Defesa de Israel considera que, embora não esteja a ser considerado como uma ameaça imediata, o Irão se tornou num “inimigo”. E lembra que o principal objetivo de Israel é produzir nos inimigos um sentimento de desespero e dúvida na sua capacidade de atingir os objetivos.

Kochavi, citado por Jerusalem Post, afirma que o Irão é o país mais ativo no Médio Oriente contra os Estados do Golfo, de onde pode atacar “sem represálias, sem resposta, sem dissuasão. Mas nós respondemos”.

O principal receio de Israel é a produção de mísseis no Irão, que podem ser usados para atingir o território de Israel, uma vez que a industria militar iraniana é muito maior “do que todas as indústrias militares de Israel juntas, o que lhes permite produzir mísseis mais precisos e com um alcance maior, que podem atingir Israel”.

Outra preocupação de Israel são as Forças Quds na Síria e o Hezbollah, equipadas com barreiras de espetro e mísseis antiaéreos bastante avançados, que podem ser usados contra os aviões israelitas. Estas forças têm também liberdade de operar em todo o território do Médio Oriente.
Última opção
Kochavi acusou as forças iranianas de transportarem armas para o Iraque e garantiu que Israel não irá permitir que o Irão se entrincheire no Iraque.

Kochavi afirma que a guerra é uma hipótese que deve estar no fim da lista e só deve ser usada depois de estarem esgotadas todas as soluções diplomáticas possíveis.

Não existe nenhuma guerra sem que existam baixas e eu não posso garantir que esta será uma guerra curta. Temos de estar preparados para isso, que ao nível militar, quer ao nível mental”, disse Kochavi.

Embora o número de ameaças tenha aumentado, nenhum dos inimigos de Israel pretende que exista uma guerra, porque “as nossas Forças de Defesa estão muito disponíveis para atuar”, acrescentou Kochavi.
Alvo: áreas urbanas
O chefe do Estado-maior da Defesa israelita fez saber que, na eventualidade de existir uma guerra, as Forças de Defesa irão atacar intensamente as áreas urbanas pertencentes ao “inimigo”, depois de alertar todos os civis para sair.

“Vamos atacar com força, até mesmo a infraestrutura do país que permite ao grupo terrorista agir contra Israel”, disse Kochavi, referindo-se ao Líbano e ao grupo xiita Hezbollah. Para o líder das Forças Armadas de Israel, a responsabilidade desta guerra será aliás dos Governos do Líbano e da Síria, e do Hamas.

Esta quinta-feira, as forças militares israelitas lançaram um ataque sobre a Faixa de Gaza, numa retaliação contra o movimento islâmico Hamas que, algumas horas antes, tinha disparado uma granada contra Israel.
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