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Juneteenth. Biden torna dia da libertação dos escravos feriado nacional
"Este não é um dia apenas para celebrar o passado. É uma chamada à acção agora", declarou o presidente norte-americano no momento em que assinou a lei que mais de século e meio depois transforma a celebração dos escravos livres do Juneteenth (uma junção intraduzível das palavras June e nineteenth - 19 de junho, em português) em feriado nacional: o Dia da Independência. Trata-se de uma matéria que invoca não apenas proclamação da libertação dos escravos negros em 1865, mas que põe em cima da mesa a luta pela igualdade da comunidade afro-americana, ferida por episódios recentes de violência policial e acções em curso de supressão do direito de voto.
Mais do que uma efeméride, trata-se aqui de uma luta com mais de século e meio e que continua a fazer sentido travar, nas palavras de Joe Biden. No manifesto de candidatura à Presidência, o democrata deixou claro o objectivo primeiro de curar as feridas de um país estilhaçado por quatro anos que, sob a liderança de Donald Trump, assentaram no divisionismo e na beligerância. Um programa lançado em pleno clima de guerra civil nas ruas, depois de terem saltado para os media vários casos de violência policial contra a comunidade negra.
Esta quinta-feira, Biden, que chegou à Casa Branca também graças ao voto negro, colocou mais um penso na ferida que é a divisão racial nos Estados Unidos. Trata-se de uma luta ainda viva mais de século e meio depois de os emissários de Abraham Lincoln levarem ao Texas a notícia do fim da escravatura nos Estados do Sul. A data assinala o 19 de Junho de 1865, dia em que os soldados da União anunciaram a libertação dos escravos de Galveston, dois anos e meio após a Proclamação da Emancipação (Lincoln).
“Este não é um dia apenas para celebrar o passado. É uma chamada à acção agora. Espero que seja o início de uma mudança na forma como lidamos uns com os outros”, foi o desejo formulado por Joe Biden no momento da oficialização do novo feriado nacional.
Há no entanto outras vozes que se ouvem nas comunidades, em particular activistas que procuram operar as mudanças sociais no terreno e que sublinham a necessidade do país, de ter uma data que obrigue os americanos a pensarem no seu significado, um momento que seja um apelo à reflexão sobre os alicerces do edifício norte-americano.
Esta quinta-feira, Biden, que chegou à Casa Branca também graças ao voto negro, colocou mais um penso na ferida que é a divisão racial nos Estados Unidos. Trata-se de uma luta ainda viva mais de século e meio depois de os emissários de Abraham Lincoln levarem ao Texas a notícia do fim da escravatura nos Estados do Sul. A data assinala o 19 de Junho de 1865, dia em que os soldados da União anunciaram a libertação dos escravos de Galveston, dois anos e meio após a Proclamação da Emancipação (Lincoln).
“Este não é um dia apenas para celebrar o passado. É uma chamada à acção agora. Espero que seja o início de uma mudança na forma como lidamos uns com os outros”, foi o desejo formulado por Joe Biden no momento da oficialização do novo feriado nacional.
A decisão ganha especial relevância dado haver apenas onze feriados nacionais reconhecidos pelo governo federal e ser este o primeiro que é instituído desde que o Congresso aprovou o Dia Martin Luther King Jr., em 1983, e que começou a ser celebrado a partir de 1986.
No entanto, da mesma forma que os Estados a Sul do país ignoraram durante dois anos a directiva de 1863 do presidente Lincoln, que sairia vencedor de uma guerra civil, também agora, em pleno século XXI, o novo feriado que celebra a igualdade entre os seres humanos falha em gerar consenso. Apesar da chancela massiva do Senado no sentido de instituir o Juneteenth como data oficial, na Câmara dos Representantes catorze republicanos votaram contra o projecto-lei, tornando visível a fractura racial que continua a dividir a sociedade americana.
Muitas das objecções destes republicanos prendem-se com a própria designação do feriado, Dia da Independência, a qual, sublinham, “já existe” e “para todos”, o que torna o 19 de Junho numa data divisionista.
Por exemplo, Chip Roy, representante do Texas, admitindo que o Juneteenth merece ser comemorado, opôs-se ao uso do termo independência: “Esta designação divide desnecessariamente a nossa nação ao criar um Dia da Independência baseado na cor da pele, quando esta é uma questão que devia unir-nos”. Argumento que ecoa nas palavras do republicano Paul Gosar, do Arizona, ao recordar que os americanos já têm “um Dia da Independência e esse aplica-se igualmente a todas as pessoas de todas as raças”.
Há no entanto outras vozes que se ouvem nas comunidades, em particular activistas que procuram operar as mudanças sociais no terreno e que sublinham a necessidade do país, de ter uma data que obrigue os americanos a pensarem no seu significado, um momento que seja um apelo à reflexão sobre os alicerces do edifício norte-americano.
Matthew Delmont, professor de história ouvido pela Associated Press, sublinha a importância da oficialização do 19 de Junho num país onde a maior parte dos americanos brancos nunca tinha ouvido falar desta efeméride antes do Verão de 2020 e dos protestos que se seguiram à morte de George Floyd às mãos da polícia.
“Espero que [o novo feriado] abra um momento no calendário em que todos os anos os americanos possam dedicar algum tempo a pensar seriamente sobre a história do nosso país”, apelou Delmont.
O próprio presidente Biden toca a ideia de que a luta pela igualdade não se faz nestes dias contra correntes e grilhetas, mas em matérias de participação na vida pública e quotidiana, assinalando aqui uma questão crucial para a democracia dos Estados Unidos: as tentativas de supressão do direito de voto das minorias.
Na ressaca da derrota de Trump nas últimas eleições para a Casa Branca, com o ex-presidente a encontrar respaldo em vários correligionários republicanos, têm sido várias as iniciativas para restringir o voto – processo que afectará em particular o eleitorado negro –, sendo muito activas as tentativas de supressão de voto que correm actualmente em alguns dos Estados perdidos pelo Partido Republicano no escrutínio de 2020.
É neste sentido que vários activistas que lutaram pela inclusão do Juneteenth no calendário federal sublinham que esta data deve servir como um lembrete para a luta diária pelos direitos fundamentais da minoria negra. “As nossas liberdades são frágeis e não é preciso muito para que as coisas andem para trás”, declarou Para LaNell Agboga, coordenadora no George Washington Carver Museum, Cultural and Genealogy Center (Texas).