Khatami vê “violação da Constituição” em julgamento de oposicionistas
O antigo Presidente moderado Mohammad Khatami descreve o julgamento de figuras do campo reformista do Irão como um "espectáculo" assente em "confissões inválidas". Teerão levou a julgamento 100 pessoas - incluindo nomes proeminentes da Oposição - acusadas de instigarem motins, ataques a edifícios públicos e de conspiração para derrubar o regime.
O ataque de Khatami ao braço judicial do regime da República Islâmica surge em formato escrito na sua página oficial na Internet, editada em Farsi. O antigo Presidente reprova todos os fundamentos do julgamento que sentou uma centena de manifestantes e figuras políticas moderadas no banco dos réus. Desde logo as confissões atribuídas aos acusados, que Mohammad Khatami afirma terem sido extraídas em "condições extraordinárias": "Os detidos não foram informados com antecedência sobre a sessão em tribunal e não tiveram acesso a advogados".
As críticas publicadas no site de Khatami encontram eco na posição de Mohsen Rezaei, um político conservador que foi também candidato à Presidência nas últimas eleições. Rezaei enviou uma carta ao principal magistrado do Irão em defesa de um julgamento "daqueles que violaram a lei ao atacar e matar" manifestantes durante a vaga de contestação que atravessou as ruas de Teerão e de outras cidades do país dos ayatollahs.
Confissões em julgamento
As imagens do julgamento difundidas pela televisão estatal do Irão mostraram personalidades como o antigo vice-presidente Mohammad Ali Abtahi, ou o antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Mohsen Aminzadeh vestidos com as fardas reservadas a prisioneiros do regime.
Ali Abtahi, um aliado político de Mohammad Khatami, foi mesmo filmado a declarar que a votação de 12 de Junho não foi manipulada e a pedir desculpa pela contestação que protagonizou ao longo das últimas semanas. De acordo com a agência IRNA, o antigo vice-presidente moderado admitiu em tribunal que Khatami, o clérigo Akbar Hashemi Rafsandjani e o candidato Mir Hossein Moussavi teriam celebrado um "juramento" pré-eleitoral de apoio mútuo.
Rafsandjani, que encabeça a Assembleia de Peritos responsável pela nomeação do Guia Supremo, já veio a público para desmentir o depoimento de Abtahi.
Guia Supremo entroniza Ahmadinejad
O ayatollah Ali Khamenei, Guia Supremo do regime, deve formalizar esta segunda-feira o início do segundo mandato do ultra-conservador Mahumd Ahmadinejad na Presidência do país. A cerimónia de tomada de posse do Presidente, a quem o campo moderado atribui o cognome de "ilegítimo", está prevista para quarta-feira no Parlamento.
Pelo menos duas dezenas de pessoas morreram em consequência da repressão movida pelas autoridades do regime às acções de protesto contra a reeleição de Ahmadinejad. Dados de organizações de defesa dos Direitos Humanos apontam para as detenções de centenas de activistas, académicos, juristas e jornalistas nos dias que se seguiram às presidenciais.