Irão leva a julgamento uma centena de manifestantes

Um tribunal de Teerão deu início ao julgamento de uma centena de pessoas, acusadas de perturbar a ordem pública quando participaram nos protestos que se seguiram à divulgação dos resultados das eleições presidenciais. Entre os réus encontram-se conhecidas personalidades reformistas, próximas do antigo presidente Khatami e das principais figuras da oposição a Ahmadinejad.

RTP /
Ali Abtahi, que testemunhou esta manhã, é acusado de participar nos tumultos pós-eleitorais EPA

Pela primeira desde 1979, são levados a julgamento no Irão vários altos dignitários, incluindo antigos vice-presidentes, ex-ministros e legisladores.

A agência de informação oficial Irna refere que as acusações são de participação em acto "contra a segurança nacional, perturbação da ordem pública e actos de vandalismo". São acusados de "porte de armas de fogo, granadas, ataques contra as forças da ordem e milícias islamitas e envio de imagens para os meios de comunicação social inimigos".

A lei iraniana prevê a aplicação da pena de morte caso seja provada culpa no crime de "mohareb" (inimigo de Deus), através de acção contra a segurança do país, nota a Fars, outro serviço de informação.

Um dos acusados é Mohammad Abtahi, vice-presidente de Khatami (1998-2005), que disse em tribunal concordar com as acusações do Ministério Público.  Outros réus disseram que a acusação não tem fundamento, Abtahi disse ainda duvidar da intenção do regime em prosseguir com a revolução.

"Afirmo a todos os meus amigos e a todos os amigos que nos entendem, que a questão das fraudes no Irão foi uma mentira destinada a provocar motins para que o Irão se torne como o Afeganistão e o Iraque, e registe perdas e sofrimento", disse Abtahi este sábado. "Se (esse cenário) chegar, não vai restar nem o nome, nem qualquer traço da revolução", acrescentou.

Outros acusados, entre os dirigentes moderados são Bahzad Nabavi, membro do Conselho Mujahedin da Revolução e ex-ministro da Indústria, Mohsen Aminzadeh, antigo responsável para as questões externas, Abdullah Ramazanzadeh, porta-voz do Parlamento durante as legislaturas de Khatami e Mohnsen Mirdamadi, antigo legislador.

As manifestações contestam os resultados das eleições de 12 de Junho, que o actual presidente Ahmadinejad venceu com 63 por cento dos votos. A base da acusação de fraude eleitoral assenta no facto de terem sido identificados casos em que a votação foi superior ao número de inscritos.

Durante as manifestações, que ocorreram após os primeiros resultados, 30 pessoas morreram e duas mil foram detidas. A Oposição garante que os número de vítimas é maior.

A cerimónia de tomada de posse de Mahmoud Ahmadinejad está marcada para 5 de Agosto.
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