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Antigo presidente do Irão sugere referendo sobre legitimidade do Governo

Antigo presidente do Irão sugere referendo sobre legitimidade do Governo

A Associação dos Clérigos Combatentes, um órgão de orientação reformista presidida por Mohammed Khatami, sugeriu uma consulta popular sobre a legitimidade do escrutínio que reelegeu Ahmadinejad. O referendo seria supervisionado por um órgão independente. O Líder Supremo aconselhou a Oposição a não perturbar a segurança do país.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Após o sermão de Rafsandjani, na sexta-feira, milhares de pessoas saíram para as ruas de Teerão STR/EPA

A mensagem de Khatami, que foi amplamente disseminada por sites de inspiração reformista, recupera a argumentação do também antigo presidente Ali Akbar Rafsandani, que, sexta-feira, conduziu a oração na Universidade de Teerão. Rafsandjani defendia que as autoridades deviam recuperar a confiança dos milhões de iranianos e apelava à libertação dos detidos, na sequência das manifestações contra os resultados eleitorais. O sermão de Rafsandjani deu origem a uma manifestação que mobilizou milhares de pessoas.

"Na medida em que milhões de pessoas perderam a confiança no processo eleitoral, a Associação dos Clérigos Combatentes pede imediatamente a organização de um referendo", refere um comunicado emitido domingo. O grupo propõe que o processo de consulta popular seja monitorizado por "um corpo neutro", como o Conselho do Discernimento, um órgão liderado por Rajsandjani.

Hoje, em resposta, o Líder Supremo aponta que "o maior vício" de "quem quer que seja" é lesar a segurança do Irão. "Quem conduzir a sociedade para a insegurança e a desordem é uma pessoa detestada pela nação iraniana", disse o Ayatollah.

Apesar de não mencionar o destinatário da sua mensagem, as declarações do conservador Khamenei visavam o moderado Mir Hossein Mousavi. Com o apoio de Rafsandani e Khatami, o líder da Oposição reclama ter vencido as presidenciais de Junho. Mousavi argumenta que Ahmadinejad foi reeleito por causa da prática de fraude e que o seu Executivo será ilegítimo.

A Constituição do Irão aponta que o Líder Supremo é o único com autoridade para convocar um referendo, tendo a palavra final em todas as questões da República Islâmica do Irão, como aconteceu com a validação das eleições de 12 de Junho. Khatami considerou válida a votação, que Ahmadinejad venceu com 63 por cento dos votos, e exigiu que os resultados deixem de ser questionados. A votação foi supervisionada pelo Conselho dos Guardiões, um órgão ultra-conservador não eleito, composto por seis religiosos e seis juristas.

A divulgação dos resultados eleitorais levou às ruas milhares de pessoas em protesto. Dizem que o processo foi uma fraude. Os tumultos provocaram pelos menos 20 vítimas mortais e foram detidas dezenas de pessoas, entre as quais a filha de Rafsandjani.

Khamenei acusa estrangeiro de fomentar distúrbios

"A intervenção dos estrangeiros e em particular dos seus meios de comunicação social é muito clara, a sua pretensão de não intervir nas questões internas iranianas é o sinal da sua desonra", afirmou o Ayatollah Khamenei, perante os líderes políticos iranianos.

"Os inimigos do povo iraniano, através dos seus meios de comunicação social, dão instruções no sentido de perturbar, para se cometer desordem, destruição e afrontamento e, ao mesmo tempo, afirmando que não intervêm nas questões internas iranianas", acrescentou.

A Grã-Bretanha é um dos principais países visados. O correspondente da BBC naquele país foi expulso e nove funcionários iranianos da embaixada estiveram detidos durante vários dias.

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