Kiev denuncia "ataque horrível" após visita de enviados dos EUA
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia denunciou esta terça-feira o "ataque horrível" da Rússia contra Kiev, ocorrido durante a noite, logo após a visita de enviados norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, que procuravam retomar as negociações diplomáticas e pôr fim ao conflito.
"Os mísseis balísticos russos falam mais alto do que os seus discursos sobre a diplomacia", acrescentou Sybiha, instando os aliados a intensificarem a pressão sobre Moscovo, bem como a fornecerem intercetores para abater mísseis balísticos, uma vez que os stocks de Kiev destes equipamentos são criticamente baixos.
The moment the US President’s peace envoys left, Putin launched another massive, horrific attack against Kyiv, damaging residential areas and killing at least two people.
— Andrii Sybiha 🇺🇦 (@andrii_sybiha) September 8, 2026
His ballistic missiles speak louder than his words on diplomacy. Strike after strike on residential… pic.twitter.com/UwiW5LChf7
Segundo o ministro ucraniano, “ataque após ataque a edifícios de habitação não o aproxima da vitória nesta guerra — não passa de terror sem sentido”.
“Instamos os nossos aliados a agir e a aumentar a pressão sobre o agressor. A pressão sobre Moscovo promove a diplomacia — não a obstrui. Pressão mais forte aproxima a paz”, rematou.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já tinha avançado que a Rússia atingiu infraestruturas críticas na região de Kiev, num ataque realizado na última noite.
In Kyiv and the region, as well as in many other regions, efforts to deal with the aftermath of the Russian strike have been underway since last night. It was a complex attack that the Russians tried to plan to cause as much harm to life as possible – ballistic missiles, cruise… pic.twitter.com/A6QNY51ltd
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) September 8, 2026
O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, revelou que mais 10 pessoas ficaram feridas na cidade, enquanto a queda de destroços provocou incêndios num prédio de apartamentos de cinco andares e num bloco residencial de três andares.
O ataque danificou pelo menos 14 edifícios, um dormitório, uma escola, uma clínica, armazéns e outros locais, disseram as autoridades.
Já a Força Aérea ucraniana revelou que abateu 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro e dois mísseis balístico, num ataque noturno que teve como alvo principal a região em redor da capital Kiev e a região sul de Odessa. No meio de explosões ouvidas em Kiev, a Polónia, membro da NATO e da União Europeia, lançou operações preventivas contra ataques de mísseis russos contra a Ucrânia, informou o exército polaco.
O aeroporto de Lublin, na Polónia, suspendeu temporariamente os voos devido às operações militares.
Breve pausa nos ataques A Rússia retomou os seus ataques depois de os enviados de paz dos EUA, Jared Kushner e Steve Witkoff, terem abandonado Kiev após um encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no domingo, enquanto a administração Trump renovava os seus esforços para pôr fim à guerra de quatro anos e meio da Rússia na Ucrânia.
Jared Kushner e Steve Witkoff chegaram a Kiev após negociações em Moscovo, nas quais o Kremlin disse não descartar o retomar das negociações trilaterais.Antes das negociações, a Rússia intensificou os ataques aéreos contra Kiev e áreas próximas, realizando-os praticamente 24 horas por dia durante vários dias, em vez de principalmente à noite, utilizando drones a jato mais rápidos que mataram residentes e interromperam atividades.
O Ministério russo da Defesa afirmou que Moscovo atingiu alvos militares e logísticos em Kiev e na região circundante, bem como no porto de Chornomorsk, no Mar Negro, segundo as agências de notícias russas.
Na Rússia, os drones ucranianos danificaram infraestruturas civis e feriram pessoas na cidade de Saratov, nas margens do rio Volga, a cerca de 730 quilómetros a sudeste de Moscovo, informou o governador regional.
A área alberga uma grande refinaria de petróleo operada pela empresa estatal Rosneft, bem como outras instalações industriais e militares.