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Líder da oposição russa: "Talvez eu tenha sido envenenado"
Alexei Navalny, líder do partido de oposição, foi hospitalizado este domingo, depois de ter sido detido na quinta-feira. O hospital afirmou tratar-se de uma reação alérgica aguda, mas agora, Navalny afirma acreditar que pode ter sido envenenado.
Navalny é o líder da oposição mais proeminente, uma das vozes mais críticas do Presidente Vladimir Putin e da corrupção política que se faz sentir no país.
Foi detido na passada quinta-feira e no domingo, foi transferido da prisão onde se encontrava para o hospital, devido a uma "reação alérgica aguda", segundo a porta-voz Kira Yarmysh.
Mas Alexei Navalny discorda. Na segunda-feira, o político escreveu no seu blog que nunca teve uma alergia, "nem a comida, ao pólen ou a qualquer outra coisa".
Acrescentou que a sua esposa sofre de alergias, por isso, sabe "bem o que isso é".
"À noite, acordei com a cara, a pele, as orelhas e o pescoço quentes e irritados", escreveu. "Parecia que a minha cara tinha sido esfregada com lã de vidro", disse.
Navalny não rejeitou a possibilidade de ter sido envenenado. "Eu pensei, talvez tenha sido envenenado", revelou.
No hospital, o líder político foi diagnosticado com uma dermatite de contacto, mas a sua médica pessoal, Anastasia Vasilieva disse à agência de notícias AFP que era "absurdo chamar-lhe alergia" e que Navalny poderia ter sido alvo de uma "substância química provocada por terceiros".
Devido à suspeita de envenenamento, Vasilieva recolheu amostras do cabelo de Navalny e da sua t-shirt para serem analisadas num laboratório independente. Disse ainda querer que as imagens de vídeo da cela onde se encontrava detido sejam examinadas.
"Um espinho para o Kremlin"
Steve Rosenberg, correspondente da BBC em Moscovo, também não rejeita a possibilidade de envenenamento, dizendo que o líder da oposição é "um espinho para o Kremlin".
"As autoridades sabem que, com a taxa de aprovação do Presidente Putin em queda, o carismático ativista anticorrupção tem a capacidade de mobilizar um sentimento anti-Kremlin", disse Rosenberg.
Na longa publicação no blog, Navalny escreveu ainda que ele, os seus médicos e os advogados não tinham recebido o diagnóstico e que tiveram de descobri-lo através da agência de notícias russa, a Interfax.
Disse ainda que a polícia à porta do quarto do hospital agia de forma suspeita, "como se tivesse algo a esconder".
Navalny não se coibiu de criticar as autoridades russas, acusando-as de serem "burras".
"Será que eles são assim tão burros para envenenar-me num sítio onde as suspeitas apontariam apenas para eles? É uma boa questão. Por agora, eu só posso dizer uma coisa com certeza: as pessoas no poder na Rússia são mesmo muito burras", disse.
E finalizou: "Eles são só burros, maliciosos e obcecados por dinheiro".
Navalny teve alta do hospital e já regressou à prisão onde se encontrava.
Detido por tentar organizar protestos
Ainda assim, a manifestação ocorreu em força no sábado. Tornou-se uma das manifestações com mais pessoas detidas pelas autoridades policiais nos últimos anos: aproximadamente 1400.
A maioria foi libertada sem acusação criminal, mas mais de 150 poderão enfrentar o tribunal esta semana. Um grupo independente disse que pelo menos 25 pessoas tinham sido agredidas pela polícia.
Os manifestantes protestavam por eleições livres e justas, uma vez que a inscrição de candidatos independentes para a Câmara de Moscovo em setembro foi recusada pelas autoridades eleitorais.
Os candidatos da oposição dizem terem sido impedidos de participar nas eleições devido a uma acusação inventada, de que as assinaturas reunidas eram falsas.