Mundo
Líderes da União Africana reúnem-se na Etiópia com guerras na agenda
A capital da Etiópia vai ser a cidade anfitriã, a partir do próximo domingo, da Cimeira da União Africana, que terá como interlocutores perto de quatro dezenas de chefes de Estado e de governo. “Silenciar as armas: criar condições favoráveis ao desenvolvimento em África” é o tema designado para o encontro da organização que agrega 55 países.
Carlos Lopes, representante da União Africana, elege o recrudescimento do jihadismo “na zona saheliana” e o quadro de permanente conflito em solo líbio como as situações que inspiram mais preocupação no Continente Africano.
Em declarações à agência Lusa, o representante da União Africana para as negociações com a União Europeia considerou mesmo estas duas frentes como as “mais prementes” e aquelas que “podem fazer mais estragos”.A região do Sahel compreende uma faixa de entre 500 a 700 quilómetros de largura e 5400 quilómetros de comprimento, estendendo-se desde o deserto do Saara, a norte, à savana do Sudão, a sul.
O “principal problema é o enorme estrago resultante do conflito na Líbia, que espalhou a confusão Saara-Sahel”, insistiu o economista guineense, ouvido pela agência noticiosa em vésperas da 33ª Cimeira da União Africana, que se realiza em Adis Abeba nos dias 9 e 10 de fevereiro.
“A Líbia é um caos em parte mantido por interesses externos e que começou com a intervenção para desalojar Kadhafi, que a União Africana advertiu não poderia ter sido levada a cabo da forma que países ocidentais impuseram. Agora temos de lidar com as consequências”, denunciou, para acrescentar que “acabar com as armas em África é um imperativo e não podemos desistir”.
Por contraste, Carlos Lopes aponta a “diminuição dos conflitos” nas regiões do Corno de África e dos Grandes Lagos.
“Se não contarmos o número de vítimas provocadas pelo Boko Haram, de longe o movimento terrorista mais eficaz em África, temos tido uma diminuição acentuada de vítimas de guerra. Caso notório é a diminuição de conflitos no Corno de África e na região dos Grandes Lagos”, sustentou.
“Este é um ano crucial para resolvermos a questão do aumento do financiamento próprio da organização”, apontou, por outro lado, Carlos Lopes, para assinalar que só 23 dos 55 países-membros estão a aplicar o novo esquema de financiamento, ao abrigo do qual cada Estado reserva ao orçamento da União Africana 0,2 por cento das receitas aduaneiras das importações de extracontinentais.
Meta com sete anos
A União Africana abraçou em 2013 a meta de fazer calar as armas no Continente até este ano. O que se afigura impossível. E este é um dos mais significativos obstáculos à aplicação da agenda de desenvolvimento da organização – a denominada Agenda 2063.Segundo dados de 2017 da organização não-governamental Oxfam, os conflitos e outros atos de violência armada fazem todos os anos perto de meio milhão de mortos em África.
Uma avaliação do Institute for Security Studies, sediado na capital etíope, igualmente citada pela Lusa, dá por solucionadas situações de conflito em Angola, Costa do Marfim, Libéria ou Serra Leoa, apontando ainda avanços em países como a Somália e o Sudão.
Já países como a Líbia, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, Nigéria, Níger e Camarões continuam a debater-se com conflitos, violência étnica e ações de grupos extremistas, na totalidade ou em parte dos respetivos territórios.
Um outro estudo, este do SIPRI - Stockholm Internacional Peace Research Institute, refere que, de 2014 a 2018, Rússia, China, Ucrânia, Alemanha e França foram os maiores fornecedores de armas para o Continente Africano. Egipto, Argélia e Marrocos foram os destinos preferenciais.
A Cimeira de Adis Abeba vai juntar pelo menos 38 chefes de Estado e de governo, incluindo os presidentes de Angola e Cabo Verde, João Lourenço e Jorge Carlos Fonseca. Concretamente, estarão presentes 31 presidentes, três vice-presidentes, quatro primeiros-ministros e sete ministros.
Ainda sem confirmação oficial, estão previstas as participações dos presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e da Guiné-Bissau, José Mário Vaz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, os primeiros-ministros do Canadá, Justin Trudeau, e da Noruega, Erna Solberg, e o Presidente da Autoridade Palestinina, Mahmud Abbas, estão entre os convidados.
Em declarações à agência Lusa, o representante da União Africana para as negociações com a União Europeia considerou mesmo estas duas frentes como as “mais prementes” e aquelas que “podem fazer mais estragos”.A região do Sahel compreende uma faixa de entre 500 a 700 quilómetros de largura e 5400 quilómetros de comprimento, estendendo-se desde o deserto do Saara, a norte, à savana do Sudão, a sul.
O “principal problema é o enorme estrago resultante do conflito na Líbia, que espalhou a confusão Saara-Sahel”, insistiu o economista guineense, ouvido pela agência noticiosa em vésperas da 33ª Cimeira da União Africana, que se realiza em Adis Abeba nos dias 9 e 10 de fevereiro.
“A Líbia é um caos em parte mantido por interesses externos e que começou com a intervenção para desalojar Kadhafi, que a União Africana advertiu não poderia ter sido levada a cabo da forma que países ocidentais impuseram. Agora temos de lidar com as consequências”, denunciou, para acrescentar que “acabar com as armas em África é um imperativo e não podemos desistir”.
Por contraste, Carlos Lopes aponta a “diminuição dos conflitos” nas regiões do Corno de África e dos Grandes Lagos.
“Se não contarmos o número de vítimas provocadas pelo Boko Haram, de longe o movimento terrorista mais eficaz em África, temos tido uma diminuição acentuada de vítimas de guerra. Caso notório é a diminuição de conflitos no Corno de África e na região dos Grandes Lagos”, sustentou.
“Este é um ano crucial para resolvermos a questão do aumento do financiamento próprio da organização”, apontou, por outro lado, Carlos Lopes, para assinalar que só 23 dos 55 países-membros estão a aplicar o novo esquema de financiamento, ao abrigo do qual cada Estado reserva ao orçamento da União Africana 0,2 por cento das receitas aduaneiras das importações de extracontinentais.
Meta com sete anos
A União Africana abraçou em 2013 a meta de fazer calar as armas no Continente até este ano. O que se afigura impossível. E este é um dos mais significativos obstáculos à aplicação da agenda de desenvolvimento da organização – a denominada Agenda 2063.Segundo dados de 2017 da organização não-governamental Oxfam, os conflitos e outros atos de violência armada fazem todos os anos perto de meio milhão de mortos em África.
Uma avaliação do Institute for Security Studies, sediado na capital etíope, igualmente citada pela Lusa, dá por solucionadas situações de conflito em Angola, Costa do Marfim, Libéria ou Serra Leoa, apontando ainda avanços em países como a Somália e o Sudão.
Já países como a Líbia, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, Nigéria, Níger e Camarões continuam a debater-se com conflitos, violência étnica e ações de grupos extremistas, na totalidade ou em parte dos respetivos territórios.
Um outro estudo, este do SIPRI - Stockholm Internacional Peace Research Institute, refere que, de 2014 a 2018, Rússia, China, Ucrânia, Alemanha e França foram os maiores fornecedores de armas para o Continente Africano. Egipto, Argélia e Marrocos foram os destinos preferenciais.
A Cimeira de Adis Abeba vai juntar pelo menos 38 chefes de Estado e de governo, incluindo os presidentes de Angola e Cabo Verde, João Lourenço e Jorge Carlos Fonseca. Concretamente, estarão presentes 31 presidentes, três vice-presidentes, quatro primeiros-ministros e sete ministros.
Ainda sem confirmação oficial, estão previstas as participações dos presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e da Guiné-Bissau, José Mário Vaz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, os primeiros-ministros do Canadá, Justin Trudeau, e da Noruega, Erna Solberg, e o Presidente da Autoridade Palestinina, Mahmud Abbas, estão entre os convidados.
c/ agências